{"id":3167,"date":"2023-08-19T15:16:06","date_gmt":"2023-08-19T18:16:06","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.ufal.br\/055385505d\/?p=3167"},"modified":"2023-08-19T15:16:11","modified_gmt":"2023-08-19T18:16:11","slug":"o-fogo-e-sim-um-simbolo-politico-diz-itamar-vieira-junior-sobre-novo-livro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bienal.ufal.br\/2023\/o-fogo-e-sim-um-simbolo-politico-diz-itamar-vieira-junior-sobre-novo-livro\/","title":{"rendered":"\u2018O fogo \u00e9 sim um s\u00edmbolo pol\u00edtico\u2019, diz Itamar Vieira Junior sobre novo livro"},"content":{"rendered":"<div style=\"margin-top: 0px; margin-bottom: 0px;\" class=\"sharethis-inline-share-buttons\" ><\/div>\n<p><em>Escritor esteve em Macei\u00f3 para participar da 10\u00aa Bienal Internacional do Livro de Alagoas<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Jamerson Soares &#8211; jornalista com fotos de Renner Boldrino<\/em><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ufal.br\/055385505d\/wp-content\/uploads\/foto_Renner_Boldrino-2-43.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3168\" style=\"width:410px;height:274px\" width=\"410\" height=\"274\" srcset=\"https:\/\/bienal.ufal.br\/2023\/wp-content\/uploads\/foto_Renner_Boldrino-2-43.jpg 1200w, https:\/\/bienal.ufal.br\/2023\/wp-content\/uploads\/foto_Renner_Boldrino-2-43-700x467.jpg 700w, https:\/\/bienal.ufal.br\/2023\/wp-content\/uploads\/foto_Renner_Boldrino-2-43-768x512.jpg 768w, https:\/\/bienal.ufal.br\/2023\/wp-content\/uploads\/foto_Renner_Boldrino-2-43-660x440.jpg 660w\" sizes=\"auto, (max-width: 410px) 100vw, 410px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">O escritor Itamar Vieira Junior em entrevista ao jornalista Jamerson Soares<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>O olhar do escritor baiano Itamar Vieira Junior, de 44 anos, \u00e9 como uma flecha que passeia em todos os espa\u00e7os por onde passa. A voz em linha reta, inquieta, se amplifica preenchendo as lacunas. Essa mesma voz se assemelha \u00e0 maneira como ele saiu sozinho do hotel onde estava, em Macei\u00f3, at\u00e9 o Centro de Conven\u00e7\u00f5es. Saiu assim, de forma independente, livre, direta, como uma flecha de fogo, sem nem esperar a equipe de produ\u00e7\u00e3o da 10\u00aa Bienal Internacional do Livro de Alagoas para acompanh\u00e1-lo.<\/p>\n\n\n\n<p>Itamar esteve presente, no \u00faltimo s\u00e1bado (12), na Bienal, para falar sobre seu mais recente livro <em>Salvar o Fogo<\/em> (2023) e sua trajet\u00f3ria afetiva, bem como as mem\u00f3rias que o atravessam at\u00e9 hoje e que o motivam a escrever. Depois do sucesso de <em>Torto Arado<\/em>, considerado pelas cr\u00edticas e admiradores um <em>best seller <\/em>contempor\u00e2neo, o escritor, que tamb\u00e9m \u00e9 leonino sincero, j\u00e1 adiantou:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEstou sempre imaginando milh\u00f5es de coisas e escrevendo, s\u00f3 n\u00e3o me dei um prazo para encaminhar as coisas, at\u00e9 porque a vida \u00e9 muito corrida. Antigamente, os escritores ficavam no seu recluso s\u00f3 escrevendo, hoje em dia participam de muitos eventos. H\u00e1 interrup\u00e7\u00f5es. A gente vai criando entre um espa\u00e7o e outro, mas, sim, t\u00eam coisas novas para vir e por vir\u201d, contou, meio que em segredo, que tem produzido ou que vai publicar algo novo.<\/p>\n\n\n\n<p>Na ocasi\u00e3o, Itamar tamb\u00e9m foi convidado a dar uma entrevista exclusiva para a Assessoria de Comunica\u00e7\u00e3o do evento. Em uma sala branca, com sof\u00e1s confort\u00e1veis e cadeiras e uma parede de vidro que separava a plateia de quem estava dentro da sala, o autor analisava com o olhar tudo que acontecia.<\/p>\n\n\n\n<p>Questionado sobre esse olhar e a rela\u00e7\u00e3o entre ser ge\u00f3grafo e a descri\u00e7\u00e3o de cen\u00e1rios em suas hist\u00f3rias, Itamar conta que todos os recursos criativos da sua forma\u00e7\u00e3o e a luta de um corpo negro se reverberam em suas narrativas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO Itamar que escreve \u00e9 o mesmo Itamar ge\u00f3grafo, \u00e9 o mesmo Itamar que se envolveu com antropologia, que \u00e9 doutor em estudos \u00e9tnicos. Tudo que fez parte da minha forma\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m reverbera em tudo que escrevo. E eu acho muito interessante porque termina que eu escrevo fic\u00e7\u00e3o, mas eu tamb\u00e9m estou refletindo como um cientista social a partir da fic\u00e7\u00e3o\u201d, disse Junior.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele acredita tamb\u00e9m que todos os caminhos de conhecimento tamb\u00e9m se cruzam no fazer liter\u00e1rio: \u201cPenso na hist\u00f3ria, penso na narrativa, nesse mundo como um lugar vivo, onde as personagens vivem, e elas tamb\u00e9m est\u00e3o interagindo com esse ambiente o tempo todo, assim como o mundo interage conosco\u201d, explicou o autor, que tamb\u00e9m comentou que uma das caracter\u00edsticas de suas obras \u00e9 falar sobre as feridas ainda abertas no Brasil, principalmente em rela\u00e7\u00e3o ao povo preto.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u2018O fogo \u00e9 sim um s\u00edmbolo pol\u00edtico\u2019<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Durante a conversa, Itamar ouve com os olhos direcionados para cada vibrar de palavras e responde todas as perguntas sem pensar muito. O principal assunto da noite foi a estreia de <em>Salvar o Fogo<\/em>, um romance de v\u00e1rias camadas e muitos significados, com foco na trajet\u00f3ria \u00edntina dos personagens, tra\u00e7os de vidas brasileiras, tanto emocional quanto sociocultural.<\/p>\n\n\n\n<p>A hist\u00f3ria se passa no interior da Bahia, territ\u00f3rio-corpo-negro onde o autor nasceu e se criou. Mois\u00e9s, um personagem central, vive com o pai chamado Mundinho e sua irm\u00e3, Luzia, em um povoado rural conhecido como Tapera do Paragua\u00e7u. Tapera \u00e9 uma comunidade de agricultores e pescadores, e onde tem um forte controle religioso pela Igreja cat\u00f3lica. \u00d3rf\u00e3o de m\u00e3e, Mois\u00e9s encontra afeto em sua paix\u00e3o, Luzia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9pico e l\u00edrico, com o poder de emocionar, encantar e indignar o leitor a cada nova p\u00e1gina, <em>Salvar o Fogo<\/em> nos mostra que os fantasmas do passado de uma fam\u00edlia muitas vezes n\u00e3o se distinguem dos fantasmas do pa\u00eds. Uma trama atravessada pelos traumas do colonialismo que permanecem vivos, como uma ferida ainda aberta.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO fogo pelo qual a hist\u00f3ria se refere \u00e9 essa for\u00e7a, essa energia da nossa exist\u00eancia que precisa ser reservada, que precisa ser guardada para um momento oportuno\u201d, justificou Itamar. Para ele, o fogo \u00e9 um elemento amb\u00edguo, que pode simbolizar destrui\u00e7\u00e3o como tamb\u00e9m uma met\u00e1fora para o desejo: \u201cPensando nessa perspectiva acho que o fogo \u00e9 sim um s\u00edmbolo pol\u00edtico, da nossa exist\u00eancia, \u00e9 um s\u00edmbolo desse \u00edmpeto criativo que carregamos de vida\u201d, salientou Itamar.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ufal.br\/055385505d\/wp-content\/uploads\/foto_Renner_Boldrino-1-35.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3169\" style=\"width:680px;height:453px\" width=\"680\" height=\"453\" srcset=\"https:\/\/bienal.ufal.br\/2023\/wp-content\/uploads\/foto_Renner_Boldrino-1-35.jpg 1200w, https:\/\/bienal.ufal.br\/2023\/wp-content\/uploads\/foto_Renner_Boldrino-1-35-700x467.jpg 700w, https:\/\/bienal.ufal.br\/2023\/wp-content\/uploads\/foto_Renner_Boldrino-1-35-768x512.jpg 768w, https:\/\/bienal.ufal.br\/2023\/wp-content\/uploads\/foto_Renner_Boldrino-1-35-660x440.jpg 660w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">O escritor Itamar Vieira Junior em entrevista ao jornalista Jamerson Soares<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><strong>Energia materna e feminina nos textos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O escritor e o ge\u00f3grafo Itamar convergem no mesmo compasso da narrativa po\u00e9tica. E foi por meio dessa narrativa que o autor j\u00e1 conquistou os Pr\u00eamio <em>Leya <\/em>(2018), <em>Jabuti<\/em>, na categoria Melhor Romance, e o <em>Oceanos<\/em>, em 2020, entre outros, al\u00e9m de participa\u00e7\u00f5es em festivais, mostras, semin\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda durante a conversa com o autor, foi lembrada uma parte do livro <em>Torto Arado<\/em>, em que uma personagem chamada Maria Cabocla conseguia sair das garras do seu ex-marido por meio da valentia de Belon\u00edsia. Nesse aspecto, \u00e9 percept\u00edvel a presen\u00e7a feminina e a energia materna em seus textos. Itamar comentou que existia sim esse sentido, mas destacou que as personagens femininas fazem sucesso nos seus livros porque, de alguma forma, os leitores se identificam com elas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cH\u00e1 tamb\u00e9m personagens homens nos livros, mas, claro, as mulheres dos livros s\u00e3o personagens fortes, magn\u00e9ticas, assim como elas pesam para mim tamb\u00e9m enquanto escrevo. Para o leitor, elas tamb\u00e9m t\u00eam essa import\u00e2ncia. Quando estou pensando nessas mulheres, estou pensando nas mulheres que conheci como servidor p\u00fablico, as camponesas no campo, como elas agem, se portam nesse ambiente que \u00e9 t\u00e3o machista. Ao mesmo tempo elas conseguem se destacar seja na lideran\u00e7a comunit\u00e1ria, lideran\u00e7a pol\u00edtica, movimentos sociais, ou seja, s\u00e3o mulheres que est\u00e3o ao nosso redor o tempo todo\u201d, declarou o autor.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre a viol\u00eancia que Maria Cabocla sofre com o marido, no livro, e a rela\u00e7\u00e3o entre a realidade e a fic\u00e7\u00e3o, Itamar reflete: \u201cOs notici\u00e1rios trazem isso todos os dias para a gente. Acho que na nossa comunidade, na nossa volta, desde a nossa inf\u00e2ncia, a gente enfrenta, percebe, ver essas coisas. Acho que a literatura ganha for\u00e7a, ganha densidade, profundidade, quando a gente aproxima ela da vida. E acho que essa cena, essas personagens, aproximam a literatura da vida\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Escritor esteve em Macei\u00f3 para participar da 10\u00aa Bienal Internacional do Livro de Alagoas<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":3170,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"inline_featured_image":false,"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-3167","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/bienal.ufal.br\/2023\/wp-content\/uploads\/Destaque_site_Itamar_Vieira_Jr-1.png","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/bienal.ufal.br\/2023\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3167","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/bienal.ufal.br\/2023\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/bienal.ufal.br\/2023\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bienal.ufal.br\/2023\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bienal.ufal.br\/2023\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3167"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/bienal.ufal.br\/2023\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3167\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bienal.ufal.br\/2023\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3170"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/bienal.ufal.br\/2023\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3167"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/bienal.ufal.br\/2023\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3167"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/bienal.ufal.br\/2023\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3167"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}