{"id":3602,"date":"2023-08-31T13:09:44","date_gmt":"2023-08-31T16:09:44","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.ufal.br\/055385505d\/?p=3602"},"modified":"2023-09-04T11:51:36","modified_gmt":"2023-09-04T14:51:36","slug":"candidato-a-imortal-krenak-quer-abrir-caminho-para-outras-formas-de-ver-o-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bienal.ufal.br\/2023\/candidato-a-imortal-krenak-quer-abrir-caminho-para-outras-formas-de-ver-o-mundo\/","title":{"rendered":"A\u00edlton Krenak quer abrir caminho para outras formas de ver o mundo"},"content":{"rendered":"<div style=\"margin-top: 0px; margin-bottom: 0px;\" class=\"sharethis-inline-share-buttons\" ><\/div>\n<p><em>Ele tamb\u00e9m chamou aten\u00e7\u00e3o para a possibilidade de pensar e agir diferente, ocupar espa\u00e7os e despertar reflex\u00f5es a quem se proponha ler e refletir<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Mariana Lima &#8211; jornalista com fotos de Nicolle Freire e Mitchel Leonardo<\/em><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ufal.br\/055385505d\/wp-content\/uploads\/@MITHEL_LEONARDO35_1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3603\" style=\"width:456px;height:304px\" width=\"456\" height=\"304\" srcset=\"https:\/\/bienal.ufal.br\/2023\/wp-content\/uploads\/@MITHEL_LEONARDO35_1.jpg 1200w, https:\/\/bienal.ufal.br\/2023\/wp-content\/uploads\/@MITHEL_LEONARDO35_1-700x467.jpg 700w, https:\/\/bienal.ufal.br\/2023\/wp-content\/uploads\/@MITHEL_LEONARDO35_1-768x512.jpg 768w, https:\/\/bienal.ufal.br\/2023\/wp-content\/uploads\/@MITHEL_LEONARDO35_1-660x440.jpg 660w\" sizes=\"auto, (max-width: 456px) 100vw, 456px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">O ind\u00edgena A\u00edlton Krenak na Bienal (Foto: Mitchel Leonardo)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Em Macei\u00f3 para a 10\u00aa Bienal Internacional do Livro de Alagoas apenas dias depois de sua candidatura \u00e0 Academia Brasileira de Letras (ABL) ter ocupado as redes sociais e as manchetes dos principais ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, o autor, professor e l\u00edder ind\u00edgena Ailton Krenak estava profundamente irritado com a grande aten\u00e7\u00e3o que sua candidatura \u2013 com ares de favorito \u2013 vinha recebendo. O motivo \u00e9 que as homenagens ao falecido Jos\u00e9 Murilo de Carvalho nem haviam sido conduzidas por seus pares e a imprensa j\u00e1 estava interessada no movimento seguinte da Academia e poss\u00edveis candidatos.<\/p>\n\n\n\n<p>Se voc\u00ea nunca ouviu falar em Ailton Krenak, saiba que este relato apresenta muito dos motivos dele ter <a href=\"https:\/\/sites.ufal.br\/055385505d\/ailton-krenak-compartilha-afeto-e-sabedoria-com-o-publico-em-maceio\/\">lotado o Teatro Gustavo Leite<\/a> em sua passagem por Macei\u00f3. Com um hist\u00f3rico de luta pol\u00edtica pelos direitos ind\u00edgenas e do meio ambiente desde a Assembleia Constituinte, Krenak n\u00e3o apenas fala sobre, mas tem outra forma de viver e encarar o mundo. Outro ritmo de tempo, uma frui\u00e7\u00e3o da vida ligada \u00e0 terra e resistindo \u00e0 press\u00e3o do mundo mais acelerado, consumista e conectado virtualmente e apenas virtualmente, sem contato direto com a natureza da qual somos parte.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao sair da palestra, no \u00faltimo s\u00e1bado de Bienal, ele aproveitou para olhar a estrutura do evento, conhecer a Maloca da Revista Graciliano e refletir sobre a cria\u00e7\u00e3o de Mirna Porto. \u201cGente, uma maloca de papel, olha s\u00f3! Uma maloca de papel\u201d, exclamou Krenak, enquanto observava, encantado.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"960\" height=\"1280\" data-id=\"3605\" src=\"https:\/\/sites.ufal.br\/055385505d\/wp-content\/uploads\/WhatsApp_Image_2023-08-20_at_13.02.57_2.jpeg-960x1280.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3605\" srcset=\"https:\/\/bienal.ufal.br\/2023\/wp-content\/uploads\/WhatsApp_Image_2023-08-20_at_13.02.57_2.jpeg-960x1280.jpg 960w, https:\/\/bienal.ufal.br\/2023\/wp-content\/uploads\/WhatsApp_Image_2023-08-20_at_13.02.57_2.jpeg-525x700.jpg 525w, https:\/\/bienal.ufal.br\/2023\/wp-content\/uploads\/WhatsApp_Image_2023-08-20_at_13.02.57_2.jpeg-768x1024.jpg 768w, https:\/\/bienal.ufal.br\/2023\/wp-content\/uploads\/WhatsApp_Image_2023-08-20_at_13.02.57_2.jpeg-1152x1536.jpg 1152w, https:\/\/bienal.ufal.br\/2023\/wp-content\/uploads\/WhatsApp_Image_2023-08-20_at_13.02.57_2.jpeg.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Krekak admira a Maloca com revistas Graciliano (Foto: Nicolle Freire)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"960\" height=\"1280\" data-id=\"3604\" src=\"https:\/\/sites.ufal.br\/055385505d\/wp-content\/uploads\/WhatsApp_Image_2023-08-20_at_13.02.56.jpeg-960x1280.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3604\" srcset=\"https:\/\/bienal.ufal.br\/2023\/wp-content\/uploads\/WhatsApp_Image_2023-08-20_at_13.02.56.jpeg-960x1280.jpg 960w, https:\/\/bienal.ufal.br\/2023\/wp-content\/uploads\/WhatsApp_Image_2023-08-20_at_13.02.56.jpeg-525x700.jpg 525w, https:\/\/bienal.ufal.br\/2023\/wp-content\/uploads\/WhatsApp_Image_2023-08-20_at_13.02.56.jpeg-768x1024.jpg 768w, https:\/\/bienal.ufal.br\/2023\/wp-content\/uploads\/WhatsApp_Image_2023-08-20_at_13.02.56.jpeg-1152x1536.jpg 1152w, https:\/\/bienal.ufal.br\/2023\/wp-content\/uploads\/WhatsApp_Image_2023-08-20_at_13.02.56.jpeg.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Krekak admira a Maloca com revistas Graciliano (Foto: Nicolle Freire)<\/figcaption><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<p>E, na sa\u00edda, em frente ao Centro Cultural e de Exposi\u00e7\u00f5es Ruth Cardoso, ao inv\u00e9s de reclamar da chuva enquanto aguardava o carro, continuava sua observa\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o quando foi surpreendido pelo grupo <em>Comunidade Azul<\/em>, que cantou um tor\u00e9 no ritmo de coco ao perceber Ailton Krenak por perto. Ele n\u00e3o se fez de rogado e <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/CwJrk7dNiOd\/?igshid=MzRlODBiNWFlZA==\">uniu-se \u00e0 roda com os jovens<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Se voc\u00ea n\u00e3o conhecia Ailton Krenak, aproveite a entrevista abaixo para conhecer este grande pensador e suas ideias para adiar o fim do mundo. Se j\u00e1 o conhece, aproveite para conferir mais um pouco daquele que sempre nos lembra que h\u00e1 mais na vida do que apenas considerar a utilidade das coisas e a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mariana Lima \u2013 At\u00e9 pelo contexto de uma Bienal do Livro, a primeira pergunta tem que ser sobre sua candidatura \u00e0 Academia Brasileira de Letras. Por que o senhor tomou essa decis\u00e3o e como tem sido a repercuss\u00e3o?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ailton Krenak \u2013 Essa hist\u00f3ria da candidatura \u00e0 Academia Brasileira de Letras me alcan\u00e7ou no lugar onde vive a minha fam\u00edlia, l\u00e1 na aldeia Krenak, e eu s\u00f3 soube tr\u00eas dias depois do jornalista ter dito que eu era o candidato favorito da Academia. Eu achei aquilo curioso porque eu n\u00e3o estava candidato a nada.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>ML \u2013 O senhor n\u00e3o est\u00e1 candidato?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>AK \u2013 Eu n\u00e3o estava candidato a nada quando disseram que eu era o candidato favorito, e achei um exagero porque o Jos\u00e9 Murilo de Carvalho tinha acabado de ir a \u00f3bito, ele ainda n\u00e3o tinha passado pelo rito da Academia que \u00e9 o despedir-se. Um colega de cadeira da Academia fazer o obitu\u00e1rio dele, ler textos, fazer uma homenagem, se despedir dele, e isso s\u00f3 foi feito depois do feriado \u2013 que teve um feriado no meio do caminho \u2013 isso s\u00f3 aconteceu no dia 17 de agosto, cinco dias depois que eu j\u00e1 tinha sido anunciado como candidato \u00e0 cadeira dele.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o eu achei\u2026 Para mim foi desagrad\u00e1vel, fiquei ali pensando: <em>nossa, que coisa, o que eu vou fazer com isso?<\/em>. A\u00ed minha fam\u00edlia me animou: <em>se eles est\u00e3o dizendo que voc\u00ea \u00e9 o candidato favorito da Academia, voc\u00ea n\u00e3o tem que fazer nada, voc\u00ea s\u00f3 tem que esperar o desenrolar dessa hist\u00f3ria. N\u00e3o se aborre\u00e7a, n\u00e3o<\/em>, porque viram que tinha ficado aborrecido com isso.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu sa\u00ed de l\u00e1 da aldeia e vim para a capital, para Belo Horizonte \u2013 a aldeia Krenak fica l\u00e1 no M\u00e9dio Rio Doce, l\u00e1 em Resplendor \u2013 a\u00ed os jornalistas me perguntavam:<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u2013 Voc\u00ea j\u00e1 apresentou sua candidatura?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>\u2013 N\u00e3o, voc\u00eas j\u00e1 apresentaram a candidatura, voc\u00eas j\u00e1 disseram at\u00e9 que sou o candidato favorito.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Eles disseram que eu tinha que escrever uma carta, tem uma formalidade, tenho que apresentar uma carta dizendo que estou concorrendo \u00e0 cadeira n\u00famero 5, ocupado pelo Jos\u00e9 Murilo. A\u00ed eu falei:<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u2013 Olha, eu vou conversar com algumas pessoas sobre isso.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>\u2013 Voc\u00ea n\u00e3o faz um vestibular sem se inscrever, voc\u00ea tem que se inscrever.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Agora tenho que me inscrever como no vestibular! A carta \u00e9 muito simples, \u00e9 um par\u00e1grafo onde voc\u00ea diz, se dirigindo \u00e0 Academia, \u201cquero apresentar minha candidatura \u00e0 vaga surgida na cadeira tal, tal\u201d. Essa cadeira \u00e9, originalmente, a cadeira da Rachel de Queiroz, e ela s\u00f3 acessou essa cadeira 80 anos depois que os homens tomavam caf\u00e9 e fumavam charuto na Academia. Quer dizer, \u00e9 patriarcado, \u00e9 racista, porque l\u00e1 n\u00e3o tinha gente que n\u00e3o fosse branca, apesar do Machado de Assis ser quase preto. Como diz aquela can\u00e7\u00e3o do Gil, <em>s\u00e3o pretos, quase brancos<\/em>, ent\u00e3o a gente n\u00e3o sabe se Machado de Assis era quase preto ou quase branco, mas ele fundou a Academia e nunca conseguiu botar gente da cor dele l\u00e1 dentro. Quer dizer, ele fundou e os brancos ocuparam. Talvez a Academia Brasileira de Letras tenha sido a primeira ocupa\u00e7\u00e3o branca que a gente teve na hist\u00f3ria, porque hoje quem faz ocupa\u00e7\u00e3o s\u00e3o os sem-terra, os ind\u00edgenas, os quilombolas. Mas naquela \u00e9poca, os brancos faziam ocupa\u00e7\u00e3o e eles ocuparam a Academia durante 80 anos at\u00e9 uma mulher ser admitida l\u00e1 dentro. E n\u00e3o abriu para muitas mulheres n\u00e3o, se voc\u00ea olhar o tanto de mulher que tem l\u00e1 dentro\u2026 A Fernanda Montenegro entrou outro dia, antes dela tinha N\u00e9lida Pi\u00f1on. Estou tentando me lembrar de mais algumas senhoras que conseguiram chegar l\u00e1\u2026 Quer dizer, para uma mulher chegar na Academia Brasileira de Letras, ela tem que fazer muito mais esfor\u00e7o e ser muito mais inventiva do que qualquer homem.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, assim, \u00e9 um lugar marcado. Por que eu, um sujeito que sempre esteve \u00e0 margem dessas pr\u00e1ticas do poder, dessa coisa do privil\u00e9gio, vou voluntariamente concorrer a uma vaga na Academia Brasileira de Letras?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>ML \u2013 Por que, j\u00e1 que este \u00e9 o caso?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>AK \u2013 Eu falei isso com o pessoal que faz a gest\u00e3o da coisa, eles me disseram: \u201cN\u00f3s queremos, no ato de trazer um ind\u00edgena para a Academia, avan\u00e7ar na repara\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica que essa institui\u00e7\u00e3o deve \u00e0queles que ficaram fora\u201d.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ufal.br\/055385505d\/wp-content\/uploads\/@MITHEL_LEONARDO36-2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3606\" style=\"width:630px;height:420px\" width=\"630\" height=\"420\" srcset=\"https:\/\/bienal.ufal.br\/2023\/wp-content\/uploads\/@MITHEL_LEONARDO36-2.jpg 1200w, https:\/\/bienal.ufal.br\/2023\/wp-content\/uploads\/@MITHEL_LEONARDO36-2-700x467.jpg 700w, https:\/\/bienal.ufal.br\/2023\/wp-content\/uploads\/@MITHEL_LEONARDO36-2-768x512.jpg 768w, https:\/\/bienal.ufal.br\/2023\/wp-content\/uploads\/@MITHEL_LEONARDO36-2-660x440.jpg 660w\" sizes=\"auto, (max-width: 630px) 100vw, 630px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">A\u00edlton Krenak (Foto: Mitchel Leonardo)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Ent\u00e3o eu estou sendo, de certa maneira, engajado num projeto deles, n\u00e3o o meu. Seria como se a universidade virasse e falasse que tem que abrir [vagas] para os ind\u00edgenas e os negros. Isso n\u00e3o aconteceu, porque a cota n\u00e3o \u00e9 isso, a cota \u00e9 uma esp\u00e9cie de alavanca para abrir aquela entrada na universidade e ela \u00e9 o tempo inteiro questionada. Quer dizer, a universidade n\u00e3o fez o gesto de dentro para fora de acolher, ela recebe porque n\u00e3o tem jeito, tem que receber, tem uma lei que obriga a receber ind\u00edgenas, pessoas com renda insuficiente para pagar uma escola.<\/p>\n\n\n\n<p>Ser\u00e1 que a Academia est\u00e1 fazendo um movimento verdadeiro de abrir\u2013se para essas outras epistemologias, para esses modos de pensar mundo, outras cosmovis\u00f5es? Para que pessoas como Davi Kopenawa Yanomami cheguem l\u00e1, ou que outros autores ind\u00edgenas cheguem l\u00e1? O Daniel Munduruku concorreu a uma vaga na Academia Brasileira de Letras e fez campanha, assim como a Concei\u00e7\u00e3o Evaristo. Teve mobiliza\u00e7\u00e3o ampla para que um dos dois entrasse na Academia e quem entrou foi a Fernanda Montenegro e um outro titular que \u00e9 um m\u00e9dico. Um m\u00e9dico, na vaga do professor Alfredo Bosi, que o Daniel concorreu a ela. <em>[Ailton refere\u2013se a Paulo Niemeyer Filho, que entrou em 2021]<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>E a raz\u00e3o do Daniel ter concorrido \u00e9 porque ele fez o mestrado na USP <em>[Universidade de S\u00e3o Paulo]<\/em> em Literatura Ind\u00edgena e achava que estava naquele ambiente da USP, entendeu? Que ele ia ter um apoio e acolhida un\u00e2nime, e n\u00e3o aconteceu. Ele ficou chateado pra caramba. A\u00ed agora, quando Daniel soube disso, ele me liga e fala:<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u2013 Voc\u00ea \u00e9 candidato?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>\u2013 N\u00e3o, por qu\u00ea?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>\u2013 Porque eu ia me inscrever, mas se voc\u00ea for candidato, eu n\u00e3o vou me inscrever, n\u00e3o vou concorrer com voc\u00ea. Voc\u00ea \u00e9 mais velho do que eu, tem muito mais representatividade do que eu, nesse caso. Independente de voc\u00ea ter publicado um livro e eu j\u00e1 ter publicado 40, 50, de estar traduzido e tal e essa coisa toda, n\u00e3o \u00e9 por a\u00ed. No nosso caso, estar l\u00e1 \u00e9 representar um coletivo, \u00e9 representar um contingente.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Se a Academia est\u00e1 achando que est\u00e1 botando UM sujeito l\u00e1, eles est\u00e3o enganados, porque quando p\u00f5e um de n\u00f3s, implica em dizer que a literatura ind\u00edgena est\u00e1 presente aqui e que ela tem acesso a esse lugar. E que os jovens, as crian\u00e7as, os meninos ind\u00edgenas daqui para frente v\u00e3o incluir esse lugar nos poss\u00edveis trajetos deles na sua vida. Ningu\u00e9m precisa seguir isso, mas pode incluir no trajeto dele como possibilidade, porque ela n\u00e3o existia. Menos interessa o que eu vou fazer l\u00e1. Ali\u00e1s, n\u00e3o importa nem se eu vou mesmo assistir \u00e0s reuni\u00f5es, o que importa \u00e9 que tem um enunciado que diz \u201cind\u00edgenas podem ocupar esse lugar\u201d. Da mesma maneira que para as mulheres, o sinal \u00e9 \u201cmulheres podem ocupar esse lugar\u201d. Isso n\u00e3o quer dizer que elas s\u00e3o convidadas, n\u00e3o \u2013 quer dizer que \u201cpode\u201d e elas v\u00e3o ter que, \u00e0s vezes, arrombar a porta para entrar. E algumas dessas conquistas, elas parecem que inauguram um novo modo de rela\u00e7\u00f5es, de sociabilidade, mas nem sempre, \u00e0s vezes elas s\u00e3o s\u00f3 um simulacro. Tipo assim, <em>t\u00e1 bom, agora j\u00e1 tem um \u00edndio, chega de papo furado<\/em>. Se na pr\u00f3xima vez aparecer meia d\u00fazia de \u00edndios se inscrevendo, fala com eles que n\u00e3o. Fica parecendo uma piada dos mineiros: o mineiro chega para tomar um caf\u00e9 numa padaria em Minas e pergunta: <em>tem p\u00e3o de queijo?<\/em> e o cara do balc\u00e3o fala assim: <em>tem, mas acabou<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>ML \u2013 A Bienal do Livro de Alagoas \u00e9 a \u00fanica que \u00e9 gratuita, promovida por universidade p\u00fablica federal. Muitas publica\u00e7\u00f5es l\u00e1 s\u00e3o fruto de produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica editada por universidades e um espa\u00e7o em que muitos jovens e crian\u00e7as t\u00eam o primeiro contato com livros, teatro, declama\u00e7\u00e3o de poesia. Em sua opini\u00e3o, qual a import\u00e2ncia de espa\u00e7os como esse?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>AK \u2013 O espa\u00e7o das bienais, das festas liter\u00e1rias, das feiras de livro no nosso pa\u00eds, ele ainda \u00e9 t\u00e3o limitado, que uma universidade se p\u00f4r na responsabilidade de promover uma Bienal \u00e9 muito bom, \u00e9 excelente e deveria ser acompanhado por outras universidades nossas, principalmente na Amaz\u00f4nia, onde n\u00e3o acontece bienal de livro, porque ningu\u00e9m l\u00e1, al\u00e9m da pr\u00f3pria universidade, est\u00e1 interessada nisso. Ent\u00e3o as universidades deveriam ser vanguarda nesse campo de promover a leitura. N\u00e3o estou nem pensando na ideia do livro no sentido comercial, de vender livro, mas de promover a leitura, pensar maneiras de tornar acess\u00edvel a leitura para a meninada e a import\u00e2ncia de oferecer outras perspectivas para essas novas gera\u00e7\u00f5es. Eu sei que no Sudeste tem Bienal em tudo quanto \u00e9 esquina, a minha pergunta: \u00e9 por que as editoras, que gostam tanto de ocupar com estandes as bienais no Sudeste, ignoram que existe gente no resto do pa\u00eds? Eu estou falando Sudeste [no sentido de] Bras\u00edlia para baixo. Mesmo Belo Horizonte, que \u00e9 uma capital de relev\u00e2ncia nessa regi\u00e3o, n\u00e3o tem a mesma capacidade de convocar as editoras para botar seus estandes l\u00e1. Ent\u00e3o eu acho que a universidade tem essa fun\u00e7\u00e3o, \u00e9 leg\u00edtimo a universidade chamar os outros colaboradores e liderar o processo de organizar essas feiras de livros.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa Bienal aqui em Alagoas me surpreendeu em muitos sentidos. Ela surpreendeu porque convoca um tipo de p\u00fablico que tem forma\u00e7\u00e3o e \u00e9 diferente de voc\u00ea convocar um p\u00fablico plural que voc\u00ea fala com 200, 300 pessoas e n\u00e3o tem a menor ideia do que eles est\u00e3o ouvindo, o que eles est\u00e3o buscando. Eu senti que essa Bienal tem um trabalho de formar leitores, ela forma leitores cr\u00edticos. A experi\u00eancia que eu tive com aquele audit\u00f3rio lotado de gente, prestando a maior aten\u00e7\u00e3o, com a disposi\u00e7\u00e3o para di\u00e1logo que quando abriu para debate a gente podia ficar ali a noite inteira conversando, que quando teve a oportunidade de se manifestar, se manifestaram sempre da maneira cr\u00edtica \u2013 por exemplo, falavam \u201ccadeia pro Bolsonaro\u201d \u2013 esse tipo de comunidade cr\u00edtica faz a diferen\u00e7a. Agora voc\u00ea botar um monte de gente num espa\u00e7o livreiro s\u00f3 para especular, vender livro, comprar livro \u00e9 o que mais acontece. A gente precisa cultivar essa diferen\u00e7a de pessoas que v\u00e3o para esses espa\u00e7os para experimentar novas ideias, mesmo que eles n\u00e3o comprem livro nenhum.<\/p>\n\n\n\n<p>De vez em quando, algu\u00e9m chega para mim e fala assim: <em>olha, eu n\u00e3o trouxe o meu livro, mas eu queria que voc\u00ea assinasse<\/em>. A\u00ed, me d\u00e1 uma folha, pede para assinar para um amigo, e eu falo: <em>que \u00f3timo!<\/em>. Eu acolho essa presen\u00e7a com o mesmo entusiasmo que algu\u00e9m chega l\u00e1 com dois livros para assinar, porque aquela pessoa veio ali para ouvir, para conversar, para debater e ela quer estender a experi\u00eancia dela al\u00e9m daquela audi\u00eancia. Pessoas que me falam que est\u00e3o lendo o livro, que est\u00e1 usando na sala de aula para as crian\u00e7as, que tem menino de 10 anos que j\u00e1 est\u00e1 lendo meus livros. Nossa, isso \u00e9 um presente incompar\u00e1vel!<\/p>\n\n\n\n<p><strong>ML \u2013 Aproveito para trazer um pequeno \u201ccauso\u201d com seu livro \u201cA vida n\u00e3o \u00e9 \u00fatil\u201d, que voc\u00ea comemora crian\u00e7as de 10 anos lendo, mas tamb\u00e9m podemos encontrar o seu nome e suas frases em listas na internet \u201cVeja aqui pensadores que voc\u00ea pode citar no Enem\u201d e a\u00ed temos jovens decorando suas palavras e de outros no intuito \u00fanico e exclusivo de tentar encaixar aquilo numa reda\u00e7\u00e3o do Enem. Ent\u00e3o eles lhe consomem, mas n\u00e3o refletem. O que voc\u00ea pensa disso, dessa \u201cutilidade\u201d justamente do \u201cA vida n\u00e3o \u00e9 \u00fatil\u201d?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>AK \u2013 Olha, \u00e9 interessante olhar nessa perspectiva cr\u00edtica, mas veja bem: se uma centena de meninos usarem essa estrat\u00e9gia de colar, porque isso \u00e9 uma cola, para poder ser admitido no exame, pelo menos uns dez deles v\u00e3o ficar contagiados com a mania de pensar. E se eles ficarem contagiados com a mania de pensar, a gente pode ter esperan\u00e7a e pode considerar que o risco da utilidade est\u00e1 dentro do campo poss\u00edvel, ele n\u00e3o extrapolou esse campo, ele n\u00e3o virou um livro de autoajuda. Porque se a gente aponta a voca\u00e7\u00e3o e a tend\u00eancia que somos induzidos a dar utilidade \u00e0 experi\u00eancia da vida, n\u00f3s n\u00e3o podemos renunciar tamb\u00e9m de formar novas capacidades, de despertar novas capacidades de pensar o mundo. Ent\u00e3o eu acho que vale o risco. E n\u00e3o desautoriza o t\u00edtulo: a chamada \u201cA vida n\u00e3o \u00e9 \u00fatil\u201d \u00e9 um lema que convida para entrar e ver em que sentido ela se aplica. Acho que \u00e9 muito bom que voc\u00ea traga essa quest\u00e3o, os meninos pelo menos est\u00e3o sendo expostos a um pensamento radical e se eles colarem um pensamento radical, o m\u00e1ximo de dano que eles podem se causar \u00e9 de serem percebidos como oportunistas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>ML \u2013 Pois o pensamento \u00e9 colonial, n\u00e3o \u00e9?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>AK \u2013 N\u00e3o \u00e9? Ele [o menino] vai entrar em contato com o pensamento cr\u00edtico, decolonial. E mesmo quando ele cola, quem olhar vai se perguntar \u201co que esse cara est\u00e1 falando?\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><em>[Ailton pega o livro da mesa, abre em uma p\u00e1gina espec\u00edfica e recita]<\/em> \u201cN\u00e3o sou um pregador do apocalipse, o que tento \u00e9 compartilhar a mensagem de um outro mundo poss\u00edvel\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, que recurso eu vou usar para fazer isso? Eu vou ter que usar algum recurso que est\u00e1 no campo das intera\u00e7\u00f5es, das ideias. Pode ser um filme, pode ser um livro, pode ser um espet\u00e1culo, uma pe\u00e7a de teatro. Eu fui convidado para fazer uma releitura de <em>O Guarani<\/em>, do Carlos Gomes. Aquele era um desafio maior do que eu, me senti uma formiga, mas eu encarei e o resultado foi impressionante. O Teatro Municipal de S\u00e3o Paulo lotou em todas as apresenta\u00e7\u00f5es. A m\u00eddia conservadora disse que \u201ca elite cultural de S\u00e3o Paulo contratou o identit\u00e1rio Ailton Krenak para destruir Carlos Gomes\u201d. Eu falei: <em>p\u00f4, ser\u00e1 que eu estou com essa bola toda? Eu vou destruir o Carlos Gomes?<\/em>. Sabe como \u00e9 que eles exageram, n\u00e3o \u00e9? E eu sou um identit\u00e1rio, eu fui logo correndo para ver o que \u00e9 um identit\u00e1rio. Mas no dicion\u00e1rio deles, que \u00e9 totalmente fascista, n\u00e3o \u00e9? Para eles, Carla Akotirene \u00e9 uma identit\u00e1ria. Para esses caras que me acusam, sei l\u00e1, a Marielle [Franco] era uma identit\u00e1ria, ent\u00e3o assim, o que que voc\u00ea vai fazer para voc\u00eas caras? Ou voc\u00ea os p\u00f5e num campo de oposi\u00e7\u00e3o cr\u00edtica do pensamento ou voc\u00ea ignora, entendeu? Como diria James Brown, voc\u00eas viram para eles e falam: <em>fodam-se<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>ML \u2013 Falando sobre o tema decolonial, voc\u00ea acha que, hoje em dia, h\u00e1 mais interesse no tema da decoloniza\u00e7\u00e3o e que as redes sociais, ampliando essas vozes diferentes e os caminhos de conversa, ajudaram a aumentar esse interesse?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>AK \u2013 Olha, talvez as redes sociais n\u00e3o tenham feito exatamente ampliar&#8230; Talvez, o que elas tenham feito foi embaralhar, bagun\u00e7ar, embaralhar tudo. Embaralharam o debate a ponto de sugerir que isso virou um tema compartilhado globalmente, que isso est\u00e1 em todos os lugares, \u00e9 mentira. Isso est\u00e1 em alguns nichos, em alguns lugares, sendo que a grande massa mesmo das nossas popula\u00e7\u00f5es sequer atina com a ideia do que \u00e9 decolonial ou descolonizar ou decolonizar. Tem alguns que ainda acham que tem uma diferen\u00e7a entre decolonizar e descolonizar. O Nego Bispo, que eu gosto muito das observa\u00e7\u00f5es dele, diz que trata\u2013se de ser contra\u2013colonial, n\u00e3o basta voc\u00ea descolonizar, tem que ser contra\u2013colonial, que eu acho que \u00e9 radical. Tipo assim, n\u00e3o basta descolonizar, porque sen\u00e3o voc\u00ea descoloniza e depois fica parecendo que voc\u00ea est\u00e1 fazendo um <em>greenwashing<\/em> [&#8220;banho verde&#8221;, termo que indica falsas pr\u00e1ticas ou apropria\u00e7\u00e3o de virtudes ambientalistas por parte de organiza\u00e7\u00f5es ou pessoas].\u00a0 Voc\u00ea p\u00f5e um ar de sustentabilidade, uma faixinha e vai continuar fazendo mais do mesmo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>ML \u2013 Mas \u00e9 um exerc\u00edcio de perspectiva\u2026<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>AK \u2013 \u00c9 um exerc\u00edcio, mas ele acontece num campo, num gradiente que fica s\u00f3 de boa, s\u00f3 anda para dentro, n\u00e3o sai fora disso. Talvez seja por isso que a gente fica t\u00e3o ref\u00e9m dessas narrativas amb\u00edguas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>ML \u2013 Professor, o senhor nos convida a uma reflex\u00e3o sobre outras possibilidades, n\u00e3o nem \u201cnovas\u201d, mas \u201coutras possibilidades\u201d de viver em sociedade e mesmo assim ainda tem gente que se sente preso ao padr\u00e3o atual, que ouve o que voc\u00ea fala e entende que \u00e9 preciso mudar, mas n\u00e3o sabe como agir, o que fazer, como colaborar para mudar. O que o senhor tem a dizer para essas pessoas?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>AK \u2013 Quando eu publiquei <em>Ideias para Adiar o Fim do Mundo<\/em>, teve gente que me interpelou se aquilo era um guia, um roteiro para adiarmos o fim do mundo. Eu falei que n\u00e3o, que [o livro] n\u00e3o \u00e9 uma caixa de primeiros socorros, s\u00e3o ideias. S\u00e3o ideias. E, se s\u00e3o ideias, significa que elas n\u00e3o s\u00e3o receita e que n\u00e3o tem receita. A experi\u00eancia tem que ser cotidiana, tem que ser todo dia, toda hora e mais radicalmente, significa que a experi\u00eancia vai ser cada vez mais individual. Vai ser a experi\u00eancia de si. Essa ideia da gente fazer revolu\u00e7\u00e3o, da gente convocar todo mundo, n\u00f3s mesmos j\u00e1 discutimos que ela ficou no s\u00e9culo 20.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-10-bienal-internacional-do-livro-de-alagoas wp-block-embed-10-bienal-internacional-do-livro-de-alagoas\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\nhttps:\/\/sites.ufal.br\/055385505d\/ailton-krenak-compartilha-afeto-e-sabedoria-com-o-publico-em-maceio\/\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-10-bienal-internacional-do-livro-de-alagoas wp-block-embed-10-bienal-internacional-do-livro-de-alagoas\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\nhttps:\/\/sites.ufal.br\/055385505d\/ailton-krenak-recebe-homenagem-apos-palestra-na-bienal-de-alagoas\/\n<\/div><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ele tamb\u00e9m chamou aten\u00e7\u00e3o para a possibilidade de pensar e agir diferente, ocupar espa\u00e7os e despertar reflex\u00f5es a quem se proponha ler e refletir<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":3607,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"inline_featured_image":false,"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-3602","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/bienal.ufal.br\/2023\/wp-content\/uploads\/Destaque_site_entrevista_com_ailton_krenak.png","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/bienal.ufal.br\/2023\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3602","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/bienal.ufal.br\/2023\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/bienal.ufal.br\/2023\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bienal.ufal.br\/2023\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bienal.ufal.br\/2023\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3602"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/bienal.ufal.br\/2023\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3602\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bienal.ufal.br\/2023\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3607"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/bienal.ufal.br\/2023\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3602"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/bienal.ufal.br\/2023\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3602"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/bienal.ufal.br\/2023\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3602"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}