Estudantes da Pestalozzi adaptam clássico infantil
Elenco da adaptação reunido após o espetáculo - Foto: Renner Boldrino

Estudantes da Pestalozzi adaptam clássico infantil

Encenação reuniu amigos, familiares e visitantes do evento, e provou que arte não enxerga limitações

Janaína Farias - jornalista / Renner Boldrino - fotógrafo

O talento dos alunos da Associação Pestalozzi de Maceió ganhou o palco da 11ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas, com uma versão especial do clássico conto infantil Os Três Porquinhos. A apresentação contou com a presença de autoridades como a deputada federal, Tereza Nelma e a presidente da Associação, Tereza Amaral; além de profissionais envolvidos com a educação inclusiva, estudantes e visitantes da Bienal.

A peça foi adaptada e dirigida por Alexandre Lima, coordenador cultural da instituição e professor de teatro. Com humor e emoção, os treze alunos levaram uma mensagem sobre inclusão e valorização da cultura: “Hoje a gente está trazendo para a Bienal uma adaptação do conto de Os Três Porquinhos”, explicou Alexandre Lima.

E disse mais: “Nessa nova versão, os personagens vivem em uma floresta onde o Rei Leão promove um concurso de culinária e quer que os três animais, assim como o sapo, o coelho e o lobo, cozinhem pra ele. O sapo vai fazer seus pratos mais exóticos, o coelho vai fazer um prato com ervas e legumes, e o lobo não sabe ainda o que vai fazer”, completou Lima.

Na adaptação o professor conta que os porquinhos dão a ideia de fazer uma feijoada, onde o rei leão vai se apaixonar. A ideia, segundo ele, é trazer para o universo da temática discutida na Bienal.

De acordo com Alexandre, a sacada para adaptar o conto surgiu da necessidade de criar algo que dialogasse com os alunos e, ao mesmo tempo, com o universo infantil,  envolvendo e valorizando ao mesmo tempo a cultura africana: “A ideia é falar um pouco sobre a feijoada mesmo, falar sobre esse prato típico afro-brasileiro que conquista o nosso país, que todo mundo gosta e que faz parte da nossa cultura”, frisou.

A peça contou com 13 alunos no elenco entre adultos e jovens com deficiências intelectuais e físicas. Nesse sentido, para o professor, trabalhar com alunos com deficiência é algo muito cauteloso: “Tem que ter muito amor pelo trabalho que faz. Eu costumo dizer que eu comecei a valorizar mais a vida e as pessoas depois que eu comecei a trabalhar com pessoas com deficiência, porque é um universo totalmente diferente. Reúne tanta coisa: amor, habilidade, carinho…”, contou o coordenador.

Participando da peça representando o personagem sapo, a professora Carina de Souza, que atua no Atendimento Educacional Especializado (AEE), ressaltou os benefícios da atividade teatral para o desenvolvimento dos estudantes: “Melhorou muito a socialização, a atenção, a oralidade, a memorização para decorar textos, falas e também o improviso; além do cognitivo. É uma experiência divertida e muito rica do ponto de vista cognitivo e educacional”, explicou. 

Já Maria Camila, professora de dança, disse que conseguiu adaptar a peça observando a capacidade de cada um: “A gente conseguiu trazer algo fácil, algo prático, mas que também demonstrasse uma coreografia que eles pudessem conseguir ter essa coordenação”, concluiu a professora.

Entre os protagonistas, o estudante Gilvan Beltodo Costa, que interpretou um dos porquinhos, falou da participação na peça. “Eu sou o porquinho da casa de tijolo. Aprendi que a gente tem que ajudar uns aos outros”.

Já Matheus Henrique Cavalcante da Silva, que também interpretou um dos três porquinhos na peça, disse que sua personagem fica bem nervosa. “O porquinho vai ficar um pouquinho nervoso por conta do Lobo Mau. Ele não sabe como ajudar os outros. Ele vai ajudar ainda mais ele. Eu estou gostando de participar, estou amando”, afirmou.

Matheus já sabe inclusive que quer seguir carreira como ator. “Eu quero ir adiante. Eu quero ser ator, porque isso é lindo”, disse.

Público

A apresentação emocionou o público formado por alunos de escolas públicas, familiares e visitantes da Bienal. Mais do que uma simples releitura de um conto infantil, a montagem da Pestalozzi mostrou que, quando a arte e a inclusão se encontram, o resultado é pura transformação.

Acompanhada de seu filho de dois anos, a espectadora Maria Eduarda Santos, falou que, como mãe, acha muito importante a inclusão: “Isso é muito importante. É fundamental peças teatrais como essa que são totalmente inclusivas. É importante sempre que tenham atividades como essa”, apoiou.

Sobre a Bienal

A 11ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas é realizada pela Universidade Federal de Alagoas e pelo governo de Alagoas, com correalização da Fundação Universitária de Desenvolvimento de Extensão e Pesquisa (Fundepes) e patrocínio do Senac e do Sebrae Alagoas.

Sob a curadoria do professor Eraldo Ferraz, diretor da Edufal, o maior evento cultural e literário do estado também tem como parceiros a plataforma de eventos Doity, a rede de Hotéis Ponta Verde, o Sesc, a Prefeitura de Maceió por meio da Secretaria Municipal de Educação (Semed) e o Instituto Federal de Alagoas (Ifal), além das secretarias de Estado da Cultura e Economia Criativa (Secult), de Turismo (Setur) e de Comunicação (Secom) de Alagoas.

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