Bienal debate envelhecimento e valorização dos idosos em confluência com Enem

Bienal debate envelhecimento e valorização dos idosos em confluência com Enem

Bate-papo contou com a presença da historiadora e escritora Mary Del Priore

Janaina Farias - jornalista / Renner Boldrino - fotógrafo

No último dia da 11ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas, o maior evento cultural e literário do estado contou com um bate-papo cujo tema entrou em confluência com a prova de redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) realizado também neste domingo (9): o envelhecimento e a valorização dos idosos. O momento contou com a presença da historiadora e escritora Mary Del Priore que levantou o debate acerca do seu livro mais recente, História da Velhice no Brasil.

Com bom humor e reflexões importantes, a historiadora destacou que o país ficou velho antes de ficar rico, e defendeu a importância de repensar o papel dos idosos na sociedade contemporânea: “Vamos lutar para o SUS continuar bombando, vamos torcer para o Senac, o Sesc continuarem sendo, esse lugar onde os velhinhos podem se dar as mãos, se tornar criativos e vamos convencer o velhinho brasileiro que, em vez de ele ficar na frente da televisão, ele pode parar e dizer que bom, o que eu posso fazer pelo meu bairro, pela minha família, pelos meus amigos, pelo meu sindicato”, afirmou.

No livro, Mary reflete que já está na hora de os velhos e os jovens caminharem com amizade, com compaixão e com fraternidade para construir um país melhor. Com isso, o livro busca compreender como a ideia de velhice foi construída ao longo da história: “Diziam que os colonos morriam jovens, de doenças, de ataques ou de fome. Mas encontrei documentos que mostram pessoas centenárias, nonagenárias, trabalhando para viver. O idoso era ativo, autônomo, participava da vida comunitária”, contou.

A tecnologia e a velhice

A historiadora afirmou que tanto a tecnologia quanto as construções desordenadas das cidades como pequenas moradias e o desfazimento da família nuclear contribuíram para o idoso ficar ainda mais isolado: “A tecnologia isolou mais ainda o velho, mas o que isolou também foi o crescimento desordenado das cidades, construções, pequenos apartamentos onde os velhos são deixados sozinhos, o desfazimento da família nuclear”, explanou a historiadora.

Ela lembrou que há uma crescente demanda de separações: “Antes o avô que era aquela figura que centralizava não tem mais a mesma função. Quer dizer, ele não é o vovôzinho da primeira metade do século 20, que cuidava do netinho, ele agora é um velho solitário”, disse a historiadora que explanou ainda que a velhice é um tema muito interessante para qualquer pessoa, tão quanto a juventude.

Mediação

O bate-papo foi mediado pelo professor Samuel Albuquerque, da Universidade Federal de Sergipe (UFS) que explicou que o papo trouxe um apanhado da obra da escritora, sobretudo, sobre o último livro da autora, que traz uma discussão acerca da História da Velhice no Brasil. Para ele, Mary é uma das principais historiadoras da atualidade: “Sempre inovando, sempre ensinando como dialogar com o grande público”, comentou.

Sobre o tema da redação do Enem deste ano, para o professor Samuel Albuquerque, trata-se de uma coincidência bastante interessante em relação ao tema do mais recente lançamento da historiadora, que aborda a questão da velhice: “Então é também um dos assuntos em debate na Bienal e ainda figura como destaque na redação do Enem deste ano.  Parece que ela capturou bem a demanda atual e o tema do Enem calhou com o último livro dela ", afirmou.

Sobre a Bienal

A 11ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas é realizada pela Universidade Federal de Alagoas e pelo governo de Alagoas, com correalização da Fundação Universitária de Desenvolvimento de Extensão e Pesquisa (Fundepes) e patrocínio do Senac e do Sebrae Alagoas.

Sob a curadoria do professor Eraldo Ferraz, diretor da Edufal, o maior evento cultural e literário do estado também tem como parceiros a plataforma de eventos Doity, a rede de Hotéis Ponta Verde, o Sesc, a Prefeitura de Maceió por meio da Secretaria Municipal de Educação (Semed) e o Instituto Federal de Alagoas (Ifal), além das secretarias de Estado da Cultura e Economia Criativa (Secult), de Turismo (Setur) e de Comunicação (Secom) de Alagoas.

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