Cibele Tenório destaca importância de Almerinda Gama
Cibele Tenório durante entrevista à Rádio Bienal - Foto: Adriano Arantos

Cibele Tenório destaca importância de Almerinda Gama

Escritora exalta força da personagem que dá título à sua obra e pede que mais mulheres pretas tenham espaços na sociedade

Roberto Amorim - jornalista / Renner Boldrino, Jônatas Medeiros e Adriano Arantos - fotógrafos

O encontro entre as mulheres alagoanas Cibele Tenório e Almerinda Gama mudou a vida de ambas. A primeira, jornalista de Maceió, foi morar em Brasília e durante a pós-graduação na UNB conheceu a impressionante e invisibilizada história da mulher negra que, no século 19, enfrentou os limites impostos pelo racismo e pelo machismo para ocupar espaços de poder político em um país marcado pela exclusão.

Daí nasceram uma dissertação de mestrado e o livro Almerinda Gama – A sufragista negra, que venceu o prêmio na categoria Biografia da Editora Todavia, deixando para trás mais de 200 trabalhos inscritos de todas as partes do Brasil.

Depois de passar por feiras de livros em vários estados, Cibele Tenório retornou a Maceió para participar da 11ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas. Desde a última sexta-feira (31), ela cumpre uma série de atividades, como mesa-redonda sobre o protagonismo das mulheres negras nas comunidades onde vivem, apagamento de personagens feministas e as novas formas de resistência ao racismo estruturante.

E tem mais: recebeu o Prêmio Graciliano Ramos, lançou o livro, conversou com uma plateia entusiasmada e autografou muitos exemplares, além de dar entrevista ao vivo na Rádio Bienal.

“É uma alegria participar dessa incrível Bienal, agora como escritora, mas onde já trabalhei fazendo cobertura jornalística também. Estou em casa e cercada de amigas e amigos muito queridos”, disse Cibele, com a mesma simpatia que lhe é característica. “E mais feliz ainda por estar aqui para falar aos alagoanos sobre uma mulher negra alagoana corajosa e inspiradora”, completou a escritora.

Almerinda multifacetada

O livro é revelador quanto à personagem biografada e deixa o leitor surpreso, principalmente o alagoano, quanto à importância pública de Almerinda e como ela foi esquecida pela historiografia oficial. Além de uma narrativa jornalística prazerosa, o trunfo da obra está justamente em jogar luz e fazer circular a trajetória silenciada da protagonista.

Ela foi uma das primeiras mulheres negras a ocupar espaços políticos no Brasil. Além de militante, destacou-se como pianista, poeta, jornalista e escritora. Foi delegada classista na eleição que compôs a Assembleia Constituinte de 1933, única mulher negra a atuar nesse processo, e dialogou diretamente com a imprensa para ampliar o alcance das pautas femininas e trabalhistas.

Candidatouse a deputada federal em 1934, atuou no Partido Socialista Proletário do Brasil até 1937 e liderou a Ala Moça do Brasil como frente política de renovação partidária.

“Foi muito interessante todo o processo de pesquisa e o encontro com a trajetória de Almerinda. É preciso destacar sua importância para o feminismo negro e a história política do país”, afirmou a autora.

Segundo ela, é muito gratificante que o livro está colocando a história pública de Almerinda no mapa da sociedade não só alagoana, mas também brasileira, com destaque para sua coragem, resistência e protagonismo político para um país mais justo, principalmente quanto à luta pelos direitos das mulheres numa época de extremo machismo.

“Meu desejo é que professoras e professores tenham acesso ao livro e apresentem Almerinda aos estudantes; que crianças alagoanas saibam quem ela foi e que se inspirem nela, principalmente as meninas, em especial as meninas pretas. Que Almerinda mostre a elas o caminho da luta, da resistência e da vitória”, concluiu Cibele.

Sobre a Bienal

A 11ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas é realizada pela Universidade Federal de Alagoas e pelo governo de Alagoas, com correalização da Fundação Universitária de Desenvolvimento de Extensão e Pesquisa (Fundepes) e patrocínio do Senac e do Sebrae Alagoas.

Sob a curadoria do professor Eraldo Ferraz, diretor da Edufal, o maior evento cultural e literário do estado também tem como parceiros a plataforma de eventos Doity, a rede de Hotéis Ponta Verde, o Sesc, a Prefeitura de Maceió por meio da Secretaria Municipal de Educação (Semed) e o Instituto Federal de Alagoas (Ifal), além das secretarias de Estado da Cultura e Economia Criativa (Secult), de Turismo (Setur) e de Comunicação (Secom) de Alagoas.

Acompanhe as novidades da Bienal 2025 por meio do site oficial  e também pelas redes sociais com o perfil  @‌bienaldealagoas no Instagram, Threads e Facebook.

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