Com estande lotado, Edufal lança oito novas obras
Livros debatem sobre temas variados como o caso Braskem e seus desdobramentos, questões de gênero, dificuldades na docência, direto e capitalismo
Paulo Canuto - jornalista / Jônatas Medeiros - fotógrafo
A noite do último domingo (2) foi marcada por mais lançamentos de livros da Editora da Universidade Federal de Alagoas (Edufal). Na ocasião, oito obras foram trazidas ao público com temas dos mais variados, tais como o caso Braskem e seus desdobramentos, questões de gênero, dificuldades na docência, direto e capitalismo.
Sobre o caso de afundamento do solo, os trabalhos foram Além dos mapas de risco: (in) justiça ambiental e insurgências nas bordas do desastre-crime da Braskem em Maceió de Juliane Verissimo, Wendell Assis e Camila Prates; O Caso Braskem em Maceió/AL: territórios que afundam, memórias que resistem de Juliana Farias e o livro Mobilidade invisível: migração forçada a partir do processo de subsidência em Maceió/AL, de Anderson Bonfim.
“É a minha busca mapear essas pessoas nessas áreas e as comunidades que estão em volta desse mapa que não foram reconhecidas como as famílias dos Flexais, Bom Parto e a [Rua] Marquês de Abrantes. Então, o foco analítico do meu trabalho são essas comunidades que ainda mantêm alguma luta ativa porque a gente sabe que a borda vai para além disso. E eu trago essas formas de protesto, essas formas de resistência e de insurgência”, contou Juliane Veríssimo sobre seu livro.
Tendo como norte os danos extrapatrimoniais, Juliana Alejandra escreve, em seu livro, sobre o processo de desterritorialização dos atingidos dos cinco bairros afetados e a migração forçada dessa população que ocasionou um processo de reterritorialização.
“As pessoas precisaram ressignificar suas vidas num território não só físico mas também simbólico e aí eu tento fazer com que essas memórias não sejam esquecidas seja pelas escritas por documentários, por filmagens e por resistência, para que não haja um esquecimento, pois não se trata apenas do imóvel, mas das relações sociais”, disse Juliana.
Já pela ótica da mobilidade urbana, Mobilidade invisível: migração forçada a partir do processo de subsidência em Maceió/AL, de Anderson Farias, faz uma análise critica a partir também da visão geográfica de como se deu o processo de deslocamento forçado da população dos cinco bairros atingidos pelo afundamento do solo, visando compreender esse fenômeno.
Outros lançamentos
Dentro da diversidade de narrativas, duas obras se debatem questões de gênero como machismo e a misoginia. Uma delas é A construção de políticas públicas de enfrentamento aos movimentos misóginos: um estudo sobre a atuação do Movimento Red Pill no Instagram, de Carolina Tenório, que analisa o discurso misógino pelos redpills por exemplo e que usam dessa ferramenta de ‘entretenimento’ para disseminar um discurso de ódio e que leva ao adoecimento de muitas mulheres, a obra leva a essa reflexão buscando trazer ainda mais luz a esse tema e assim combater essa cultura misógina.
Por outro lado, tendo a resistência como ponto central, o livro Polícia, substantivo feminino: memória e pioneirismo das mulheres soldados na PM alagoana, de Fernanda Calheiros, que trata da memória da primeira turma de soldados, mulheres que ingressaram na Polícia Militar em 1989 e como essas mulheres resistiram e prosperaram no ambiente de trabalho.
A natureza manipulatória do direito e sua sustentação jurídica no capitalismo, de Francisca Santos; Entre redes e direitos: os pescadores artesanais da lagoa do Jequiá, de Gustavo Veras e Sequestro da docência: precarização do trabalho docente e impactos na atuação dos professores/monitores no estado de Alagoas (1996-2021), de Érica Rosas também foram outros lançamentos da noite.
Sobre a Bienal
A 11ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas acontece de 31 de outubro a 9 de novembro, é realizada pela Universidade Federal de Alagoas e pelo governo de Alagoas, com correalização da Fundação Universitária de Desenvolvimento de Extensão e Pesquisa (Fundepes) e patrocínio do Senac e do Sebrae Alagoas.
Sob a curadoria do professor Eraldo Ferraz, diretor da Edufal, o maior evento cultural e literário do estado também tem como parceiros a plataforma de eventos Doity, a rede de Hotéis Ponta Verde, o Sesc, a Prefeitura de Maceió e o Instituto Federal de Alagoas (Ifal), além das secretarias de Estado da Cultura e Economia Criativa (Secult), de Turismo (Setur) e de Comunicação (Secom) de Alagoas.
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