Conheça detalhes dos cenários e do projeto arquitetônico desta edição
Cenógrafa e arquiteta Mirna Porto Maia é a responsável pelos detalhes visuais e a ambientação da Bienal
Jamerson Soares - jornalista / Renner Boldrino - fotógrafo
Ao chegar na entrada da 11ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas, localizada no Centro de Convenções, é possível ver uma grande estrutura construída à base de galhos, barbantes e cordas, parecida com uma espécie de edificação artesanal com paredes de taipa. Potes de barro, tranças, palha, bambu, objetos terrosos, materiais que lembram elementos da arquitetura africana.
Ainda na entrada do evento, há uma praça de convivência ao ar livre, com móveis que lembram madeira, além de uma grande estrutura coberta com diversas cordas e pequenas lâmpadas penduradas. A estrutura tem como referência o baobá, símbolo de resistência, ancestralidade, sabedoria e longevidade, tendo como representação a conexão com as raízes negras e espirituais.
Os estandes também não ficaram de fora. Há amontoados de palha decorando a parte superior das estruturas, bem como objetos rústicos na frente deles e pelos corredores que lembram a manualidade e a tradição dos mais antigos.
Esse cenário e todo o projeto arquitetônico foram criação da cenógrafa e arquiteta, Mirna Porto Maia, que está mais uma vez responsável pelos detalhes visuais e a ambientação da Bienal. Segundo ela, houve toda uma pesquisa e processo criativo, inclusive a utilização de experiências pessoais com religiões de matriz africana, que a auxiliaram na construção cenográfica do evento.
“Estou dentro dessa questão do movimento negro, como também já fiz a cenografia da Serra da Barriga, desde o tombamento da Serra estou presente. NA Bienal, foram construídos baobás e zadrincas, que são símbolos muito importantes de astral bom. Os baobás uniram a gente. São árvores que transmitem vida, resistência, que estão cheios de água e que alimentam suas raízes profundas”, explicou a artista.
Mirna também contou que, durante o percurso no local, o público vai se deparar com o conforto e a segurança, com espaços mais abertos, ao ar livre e praças decorativas, como a Praça dos Cravos, que tem relação com a Revolução dos Cravos e uma alusão aos países africanos que falam português.
A artista também pensou nas posições dos estandes e a fácil locomoção do público, pondo no local um formato zigue-zague, que tem como referência a geometria africana. As cores amarelo, marrom, branco e azul estão bem presentes nas paredes e na decoração, evidenciando a relação com os orixás: oxum, iemanjá, nanã, entre outros.
Sobre a Bienal
A 11ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas acontece de 31 de outubro a 9 de novembro, é realizada pela Universidade Federal de Alagoas e pelo governo de Alagoas, com correalização da Fundação Universitária de Desenvolvimento de Extensão e Pesquisa (Fundepes) e patrocínio do Senac e do Sebrae Alagoas.
Sob a curadoria do professor Eraldo Ferraz, diretor da Edufal, o maior evento cultural e literário do estado também tem como parceiros a plataforma de eventos Doity, a rede de Hotéis Ponta Verde, o Sesc, a Prefeitura de Maceió e o Instituto Federal de Alagoas (Ifal), além das secretarias de Estado da Cultura e Economia Criativa (Secult), de Turismo (Setur) e de Comunicação (Secom) de Alagoas.
Acompanhe as novidades da Bienal 2025 por meio do site oficial e também pelas redes sociais com o perfil @bienaldealagoas no Instagram, Threads e Facebook.