Empreendedores alagoanos se destacam na Bienal de Alagoas
Da costura a culinária, todos os setores do estado vêm se movimentando no evento
Ryan Charles - estudante de Jornalismo / Renner Boldrino - fotógrafo
Se há algo que define o povo alagoano é sua capacidade de se reinventar e o talento artístico que pulsa em cada gesto e criação. A Bienal Internacional do Livro de Alagoas sempre foi um espaço de acolhimento à pluralidade cultural e, nesta 11ª edição, não poderia ser diferente. Até o dia 9 de novembro, último dia de Bienal, o Centro de Convenções será um grande palco para artistas e empreendedores que merecem todo reconhecimento.
Histórias de arte, resistência e inspiração se revelam em cada estande do evento, como é o caso do espaço da Unitrabalho, da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), com o projeto Economia Solidária, da Prefeitura de Maceió. O estande reúne, de forma rotativa, cerca de 20 mulheres empreendedoras que vivem do próprio talento e da força coletiva do trabalho artesanal.
No espaço, a variedade artística é protagonista: filé, crochê, macramê, petwool, fantoches, acessórios, roupas masculinas e gastronomia, tudo feito com capricho e cuidado. Cada peça carrega a identidade e a história de quem a produz, refletindo tradições já enraizadas no estado.
“Não é apenas uma fonte de renda, é complemento de vida”
Entre as expositoras, está Jarinete da Silva, a dona Jal, de 70 anos, artesã há quase duas décadas e uma das fundadoras do projeto Economia Solidária, que há décadas transforma o fazer manual em oportunidade, união e autonomia para mulheres de diversas regiões de Alagoas.
Ela contou que o projeto chega na vida das mulheres como uma forma de auxiliar mulheres que precisam do passo inicial para sua independência. “Muitas delas dependiam totalmente do filé para sustentar a casa. Criamos a associação para organizar o trabalho e tirar as mulheres das mãos dos atravessadores’, explicou dona Jal.
A expositora demonstrou ainda como a coletividade é o grande diferencial do projeto e que uma puxa a outra sempre. “A Economia Solidária não é individual, é coletiva. Aqui nós trabalhamos juntas. Eu posso ser a responsável pelo estande hoje, mas todas têm o mesmo valor. Aqui ninguém é patrão de ninguém, somos companheiras de trabalho. É uma pela outra”, reafirmou.
E as provas disso são vistas no espaço pelas histórias de cada uma das mulheres. Gilvania da Silva, de 49 anos, que é apaixonada pela gastronomia e participa do estande vendendo cocadas, bolos e doces que fazem parte de suas raízes.
Para ela, participar de eventos como a Bienal e receber o acolhimento do público é essencial já que, para ela, empreender é transformar o amor em arte. “Acho que esse é o mais importante é que podemos divulgar o nosso trabalho, mostrar o que a gente faz com tanto carinho. É bom demais ver todas juntas, se ajudando e representando o nosso trabalho”, afirmou.
Dona Jal não escondeu o orgulho ao ver o brilho no olhar das colegas e é precisa ao dizer: “O artesanato não é apenas uma fonte de renda é algo que complementa a minha vida. Mais que isso, é um prazer. Eu não sei viver sem isso aqui. É um espaço cheio de beleza e de histórias”, finalizou.
A arte de dar voz
O caso das mulheres do Economia Solidária não é o único a evidenciar o poder da arte em dar voz àqueles que, muitas vezes, são colocados em silêncio. Dentro da Bienal, no estande do projeto Famílias Atípicas Empreendem, pais e filhos ganham espaço para mostrar iniciativas que promovem a reintegração de jovens atípicos ao mercado de trabalho.
Entre eles, estão Katia Raquel e sua filha Ana Beatriz, que tem Transtorno do Espectro Autista (TEA). As duas comercializam ecobags com desenhos inspirados na cultura africana, em sintonia com o tema da Bienal deste ano. Katia contou que, desde que começaram a empreender, percebeu uma grande transformação na filha.
“Ela era uma adolescente muito introspectiva, e isso mudou bastante a vida dela. É a independência dela. As pessoas conversam com ela, e ela explica o trabalho que faz. Dá atenção, e isso é o mais importante — mais até do que a venda. Ela falar sobre o que está fazendo é muito significativo. Ela se sente importante falando do próprio trabalho”, comemorou Katia.
Economia criativa e empreendedorismo
Já Josenildo Paulo encontrou na economia criativa uma forma de unir toda a família ao empreendedorismo. Foi a partir da filha, Joseane Leana, que tem uma deficiência intelectual, que nasceu a vontade de ampliar o empreendimento familiar, dedicado à produção dos tradicionais ponto-cruz alagoanos. “Foi uma verdadeira mão amiga que surgiu num momento difícil, quando estávamos precisando de apoio e de uma renda", afirmou.
Para ele, a participação no evento só tem trazido ganhos para sua loja. “Poder empreender com a ajuda desse projeto e estar aqui na Bienal divulgando o trabalho da nossa família é muito gratificante. Nossos produtos e nossos queridos se tornam mais conhecidos e valorizados. Pessoas de diferentes áreas têm visto o nosso trabalho, e isso só nos faz crescer”, concluiu o comerciante.
Sobre a Bienal
A 11ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas é realizada pela Universidade Federal de Alagoas e pelo governo de Alagoas, com correalização da Fundação Universitária de Desenvolvimento de Extensão e Pesquisa (Fundepes) e patrocínio do Senac e do Sebrae Alagoas.
Sob a curadoria do professor Eraldo Ferraz, diretor da Edufal, o maior evento cultural e literário do estado também tem como parceiros a plataforma de eventos Doity, a rede de Hotéis Ponta Verde, o Sesc, a Prefeitura de Maceió por meio da Secretaria Municipal de Educação (Semed) e o Instituto Federal de Alagoas (Ifal), além das secretarias de Estado da Cultura e Economia Criativa (Secult), de Turismo (Setur) e de Comunicação (Secom) de Alagoas.
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