Ernesto Xavier, a voz que reúne relatos para combater o racismo
Ernesto Xavier, a voz que reúne relatos para combater o racismo

Ernesto Xavier, a voz que reúne relatos para combater o racismo

Antropólogo expôs nas redes sociais sua indignação com a violência contra pessoas negras no Rio de Janeiro

Kamylla Lima - jornalista / Adriano Arantos - fotógrafo

As linhas de ônibus foram reformuladas para que a população de comunidades pobres tivesse dificuldade de acessar as praias – e mais: pessoas negras que entravam nesses ônibus sem camisa eram detidas até o pôr do sol. O que parece roteiro de ficção aconteceu de verdade, no Rio de Janeiro, em 2015. Ernesto Xavier não conseguiu ver a situação e ficar calado. Usou o Facebook para expor sua indignação com o absurdo imposto pelo poder público. O desabafo cresceu, virou projeto e, mais tarde, livro e o antropólogo esteve na segunda-feira (3), na 11ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas, para compartilhar suas vivências.

Ele recordou que o texto viralizou, chegando à timeline de milhares de pessoas e até aos jornais. Muitos se reconheceram na dor e começaram a relatar experiências provocadas pelo racismo.

“Tudo começou quando eu vi o absurdo das medidas no Rio e escrevi sobre isso. O texto viralizou e, de repente, eu estava recebendo dezenas de mensagens de pessoas relatando suas próprias dores. Entendi que precisava criar um espaço de acolhimento — um lugar onde essas vozes pudessem ser ouvidas, sem medo e sem ataques. E foi assim que nasceu o Senti na Pele”, contou. 

Mestre em Antropologia, jornalista, ator e roteirista, Ernesto, que também é neto da ialorixá, produtora teatral e atriz de teatro, cinema e TV, Chica Xavier, criou uma página no Facebook para reunir essas histórias. O espaço se tornou um ambiente seguro, onde pessoas negras passaram a compartilhar as violências vividas ao longo da vida.

“Não só os nossos interesses, mas os caminhos vão mudando e ganhando outros traçados”, disse Xavier ao iniciar o bate-papo na Sala Ipioca, no Centro de Convenções.

De projeto para livro

O que nasceu como um texto virou projeto, depois livro — que leva o mesmo nome da página — e, em seguida, sua dissertação de mestrado. A obra reúne 64 relatos de seguidores e crônicas do autor, abordando casos de racismo na infância, na escola e no ambiente de trabalho. 

A repercussão do livro, então, levou Ernesto a percorrer o país participando de encontros, palestras e debates sobre o tema. Com o tempo, o projeto se expandiu. Além de tratar sobre o racismo e suas marcas, Ernesto passou a destacar as potencialidades da população negra.

“Falar das nossas dores é fundamental, mas também precisamos mostrar nossas potências. Tenho buscado, nos últimos anos, trazer à luz essas potencialidades — o que temos de melhor e o que podemos construir. É sobre dar esperança, especialmente aos jovens negros, para que saibam que são mais do que as violências que sofrem”, afirmou o antropólogo.

Senti na Pele foi publicado pela Editora Malê, especializada em autores negros, em 2017. “O livro continua me levando a muitos lugares, mesmo tantos anos depois. As histórias que ele carrega continuam atuais e necessárias”, concluiu Ernesto Xavier.

Sobre a Bienal

A 11ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas é realizada pela Universidade Federal de Alagoas e pelo governo de Alagoas, com correalização da Fundação Universitária de Desenvolvimento de Extensão e Pesquisa (Fundepes) e patrocínio do Senac e do Sebrae Alagoas.

Sob a curadoria do professor Eraldo Ferraz, diretor da Edufal, o maior evento cultural e literário do estado também tem como parceiros a plataforma de eventos Doity, a rede de Hotéis Ponta Verde, o Sesc, a Prefeitura de Maceió por meio da Secretaria Municipal de Educação (Semed) e o Instituto Federal de Alagoas (Ifal), além das secretarias de Estado da Cultura e Economia Criativa (Secult), de Turismo (Setur) e de Comunicação (Secom) de Alagoas.

Acompanhe as novidades da Bienal 2025 por meio do site oficial e também pelas redes sociais com o perfil @‌bienaldealagoas no Instagram, Threads e Facebook.

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