Importância de ações políticas contra intolerância religiosa é tema de debate
Momento reuniu nomes importantes como Pai Célio e Eloá Moraes, representante do Ministério da Igualdade Racial
Jamerson Soares - jornalista / Renner Boldrino - fotógrafo
A luta contra a intolerância religiosa e a valorização das comunidades tradicionais marcaram a manhã desta segunda-feira (3) na 11ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas. Trata-se da palestra Ações de combate à intolerância religiosa reuniu nomes importantes do movimento afro-religioso e da defesa dos direitos humanos, entre eles Eloá Moraes e Pai Célio Babá Omitologi, um dos homenageados desta edição do evento. O encontro ocorreu na Sala Umbu, no Centro de Convenções de Maceió.
Estiveram presentes também a delegada Rebecca Cordeiro, da Delegacia Especial de Crimes contra Vulneráveis; a professora aposentada da Ufal, Rachel Rocha; e Lucélia da Silva, conhecida como Luh Turbantes. Eloá Moraes, representante da Secretaria de Políticas para Quilombolas, Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana, Povos de Terreiros e Ciganos (SQPT), apresentou as ações, planos e resultados do órgão, destacando os desafios enfrentados pelas comunidades tradicionais e os avanços na garantia de segurança pública e de direitos para o povo quilombola.
Antes de iniciar sua fala, Pai Célio pediu que o público se levantasse e entoasse com ele um cântico de Exu, em reverência à ancestralidade. “Quero primeiramente agradecer pela oportunidade e pedir licença à nossa ancestralidade, principalmente porque hoje é a primeira segunda-feira de novembro. Entoar um cântico de Exu Ana, para que tenhamos êxito e que Exu abra esse caminho”, disse, saudando o orixá com o tradicional Mojubá.
Em sua fala, Pai Célio refletiu sobre os desafios enfrentados pelos terreiros e pela comunidade afro-religiosa diante do cenário político e social atual. “Nós estamos à beira de uma eleição em que podemos perder tudo isso que recomeçou há muito pouco tempo. Isso daqui não é campanha para um partido, é campanha pela nossa sobrevivência. Se a gente não entender que precisamos ter pessoas favoráveis ao que somos, nós vamos ser apagados agora com requinte de crueldade”, alertou.
Resistência e pertencimento
Na plateia, o militante e pesquisador Beto de Oxum também compartilhou seu testemunho sobre resistência e pertencimento. Ele destacou a importância de transformar a fé e a cultura em caminhos de fortalecimento econômico e turístico. “Eu sou formado em turismo e decidi ser militante dessa atividade no estado de Alagoas. O nosso aeroporto é internacional, mas ainda criança. O nosso maior berço de quilombos está aqui, no nosso estado. Então eu vou me dedicar ao meu povo, aos quilombolas, às casas de axé”, afirmou.
Beto lembrou ainda de sua trajetória marcada por fé e superação. “Enfrentei preconceito por ser negro e candomblecista, mas estou aqui, fortalecido. Sou e me orgulho do meu estado de Alagoas. Quero fazer aquilo que é potência, ser potencializado — seja nacional ou internacional, eu vou lutar para isso”, declarou, sendo aplaudido pelo público.
A mesa encerrou com um chamado coletivo à união das comunidades de terreiro e à importância de políticas públicas que assegurem a liberdade religiosa e a visibilidade das tradições afro-brasileiras.
Sobre a Bienal
A 11ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas é realizada pela Universidade Federal de Alagoas e pelo governo de Alagoas, com correalização da Fundação Universitária de Desenvolvimento de Extensão e Pesquisa (Fundepes) e patrocínio do Senac e do Sebrae Alagoas.
Sob a curadoria do professor Eraldo Ferraz, diretor da Edufal, o maior evento cultural e literário do estado também tem como parceiros a plataforma de eventos Doity, a rede de Hotéis Ponta Verde, o Sesc, a Prefeitura de Maceió por meio da Secretaria Municipal de Educação (Semed) e o Instituto Federal de Alagoas (Ifal), além das secretarias de Estado da Cultura e Economia Criativa (Secult), de Turismo (Setur) e de Comunicação (Secom) de Alagoas.
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