Fernanda Takai fala de amor, arte e afeto entre gerações
Fernanda Takai fala de amor, arte e afeto entre gerações

Fernanda Takai fala de amor, arte e afeto entre gerações

Cantora e escritora relembrou origem do livro premiado, O Cabelo da Menina, e celebrou reencontro com suas raízes alagoanas

Kamylla Lima – jornalista / Jônatas Medeiros – fotógrafo

Foi aqui, durante a 11ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas, que Fernanda Takai viu pessoalmente, pela primeira vez, a nova edição de seu premiado livro O Cabelo da Menina. A multiartista abriu um sorriso ao segurar o título repaginado pela Selo Garatuja, durante entrevista para a Rádio Ufal, no programa Bienal no Ar, na noite da terça-feira (4), antes do bate-papo com os fãs no Teatro Gustavo Leite.

Filha de mãe alagoana, natural de Atalaia, Takai fez questão de citar, logo no início da conversa, os artistas locais que admira: os cantores Vitor Pirralho e Wado, o cineasta Cacá Diegues e o mestre Graciliano Ramos. Na rádio, deu uma palhinha da música Eu. E, no palco, ambiente que domina há mais de 30 anos como vocalista do Pato Fu, sua simpatia tomou conta do espaço.

A artista mostrou que música e literatura são linguagens que se conectam e se completam. A conversa, mediada pelo pesquisador Dimas Marques, abordou seu processo criativo, os caminhos da escrita, as diferenças entre compor e escrever, e os desafios de transitar com sensibilidade entre as duas áreas.

A obra nasceu de um episódio cotidiano com a filha, Nina, que acordou com uma “cabeleira malucona”, como contou Fernanda no livro, e não queria se arrumar para ir à escola. Na contracapa, porém, uma mensagem clara e importante: “É demais ser você mesmo em todas as situações”, recado que serve tanto para crianças quanto para adultos. Em um gesto de mãe, Fernanda pediu que a menina penteasse o cabelo. Mas a partir dali vieram reflexões profundas.

“Esse livro nasceu de um dia comum, em casa, quando minha filha acordou com o cabelo todo bagunçado e não queria ir pra escola. Eu, como mãe, mandei ela pentear, mas depois fiquei pensando: por que eu fiz isso? Por que a gente tenta encaixar nossos filhos em padrões que nem a gente entende direito? Foi dessa culpa, dessa reflexão, que nasceu o livro. Acho que a arte tem esse poder de transformar até os nossos erros em algo bonito”, refletiu.

Viagem no tempo

Durante o bate-papo, Takai compartilhou bastidores de sua trajetória, lembrando que a literatura surgiu como um desdobramento natural da música e da maternidade. “Eu escrevi O Cabelo da Menina meio que pra me salvar de várias culpas, sabe? A arte salva a gente mesmo. É através dela que a gente se reconhece e se humaniza”, refletiu.

Em outro momento, ao comentar o relançamento de seu livro, ela destacou a importância da autenticidade na arte. “Dá vazão à originalidade, não ter vergonha. Isso faz parte de quando você faz arte. Esse livro estava fora do mercado e foi relançado, porque trata de algo muito importante, que é estar bem consigo mesmo”, disse Fernanda.

Empoderamento e reflexões

Com protagonistas mulheres na maioria de suas olhas literárias, Fernanda Takai oferece ao público uma visão delicada e potente do empoderamento. “Tem muita coisa da Nina e muita coisa da minha mãe em tudo o que eu escrevo. Acho que é o olhar feminino atravessando gerações, esse fio que une as mulheres da minha vida”, explicou. 

Para a cantora e escritora, escrever é um exercício de presença, assim como compor. “Não tem como separar a literatura da música. Uma alimenta a outra. Ler bons livros ajuda a escrever boas letras, e é isso que faz tudo caminhar junto na minha vida”, afirmou.

E ela disse mais: “Eu me sinto muito feliz de ver o livro chegando a outras gerações, a outras crianças. A gente nunca sabe até onde uma história vai, e isso é o mais bonito de tudo”, concluiu Fernanda Takai.

Sobre a Bienal

A 11ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas é realizada pela Universidade Federal de Alagoas e pelo governo de Alagoas, com correalização da Fundação Universitária de Desenvolvimento de Extensão e Pesquisa (Fundepes) e patrocínio do Senac e do Sebrae Alagoas.

Sob a curadoria do professor Eraldo Ferraz, diretor da Edufal, o maior evento cultural e literário do estado também tem como parceiros a plataforma de eventos Doity, a rede de Hotéis Ponta Verde, o Sesc, a Prefeitura de Maceió por meio da Secretaria Municipal de Educação (Semed) e o Instituto Federal de Alagoas (Ifal), além das secretarias de Estado da Cultura e Economia Criativa (Secult), de Turismo (Setur) e de Comunicação (Secom) de Alagoas.

Acompanhe as novidades da Bienal 2025 por meio do site oficial e também pelas redes sociais com o perfil @‌bienaldealagoas no Instagram, Threads e Facebook.

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