Livro traz pesquisas sobre pessoas LGBT na imprensa alagoana
Além do lançamento, momento foi marcado pela mesa-redonda (In)Desejáveis: LGBTQIA+ e feminismo na imprensa de Alagoas
Jamerson Soares - jornalista / Renner Boldrino - fotógrafo
(In)Desejáveis: LGBTQIA+ e feminismo na imprensa de Alagoas (século 20). Esse foi o tema de uma mesa-redonda realizada como parte da programação da 11ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas neste domingo (9) que contou com a mediação do professor e pesquisador do curso de história da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Elias Veras. O encontro aconteceu na Sala Umbu, com a presença de alguns autores da coletânea de pesquisas sobre pessoas LGBT, familiares, amigos e visitantes do maior evento cultural e literário do estado.
A mesa começou com a fala de Elias Veras. Ele agradeceu à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (Fapeal) e à Editora da Ufal (Edufal) pela colaboração na produção e publicação da coletânea. “Tentamos justamente descontruir estereótipos e estigmas através da contação de outras narrativas”, disse Veras, durante o encontro.
Logo depois, cada autor falou um pouco sobre seu capítulo, o processo de construção, bem como os desafios e dificuldades encontrada no percurso, como a edição do texto para a retirada de páginas. Mais de 20 pessoas escreveram os artigos, entre eles alunos que fizeram a graduação e que hoje são estudantes do mestrado, que eram também estudantes do mestrado e hoje estão fazendo doutorado.
Harmie Silva foi uma das pessoas que contribuíram com a escrita de um dos capítulos. Professor da rede privada de ensino e graduado em História pela Ufal, ele contou que participar da programação da Bienal é revolucionário.
“Estar dentro desse cenário, falando sobre a população LGBT, que também foi perseguida durante esses anos, e trazer uma roupagem nova, com escritos de jovens ao lado de pessoas consolidadas de movimento, é revolucionário. E estar dentro do sistema universitário da Ufal, que, em um momento histórico, tem incluído as pautas trans agora na graduação, só mostra que aquilo que a gente veio construindo durante os anos, desse conhecimento específico, tem em geral, um grande retorno”, declarou.
Após o momento de falas, os autores fizeram suas considerações finais e um deles declamou um poema sobre a violência nas ruas contra pessoas da comunidade LGBT. A estudante de história, Adriana Santos estava na plateia prestigiando a mesa. Segundo ela, o que mais chamou atenção foi a importância dos debates que a mesa proporcionou.
“São pesquisas necessárias, principalmente para a historiografia alagoana, pois tratam de casos de violência, arte, feminismo e lutas de resistência da comunidade. Gostei muito de ouvir sobre o caso do homem trans que engravidou e pariu o filho no meio da caatinga. Dá curiosidade de saber o desfecho da história. Tudo que foi falado aqui pode contribuir muito para o meu desenvolvimento no curso”, afirmou.
Sobre o livro
A obra, fruto do processo de pesquisa feito por estudantes que participam do Grupo de Estudos e Pesquisas em História, Gênero e Sexualidade (GEPHGS), organizado por Elias Veras e Roberta Sodó, foi lançada em 2024 na Ufal e em 2025 na Bienal, e fala sobre uma Alagoas marcada pela constante perseguição e violência contra pessoas LGBTQIA+ e mulheres, evidenciando as estratégias de resistência e reinvenção dos movimentos feminista e LGBT na luta contra o machismo e a LGBTfobia.
Nos textos, uma reflexão de como se estrutura a lógica misógina e excludente para as comunidades de gays, lésbicas, bissexuais, travestis, transexuais, intersexo e não-binárie. O livro também chama a atenção para as violências noticiadas na imprensa alagoana no século 20.
Para Elias Veras, foi uma alegria lançar o livro em um evento de tamanha magnitude no estado como a Bienal. “É uma alegria lançar essa obra na Bienal do Livro de Alagoas, esse evento tão importante de democratização da literatura e da produção. Produzida não só no estado de Alagoas, mas no Brasil. Eu penso que divulgar essa obra na Bienal possibilita que uma série de outras pessoas possam conhecer os trabalhos desenvolvidos no Brasil sobre temáticas tão importantes como gênero, sexualidade, raça e classe”, celebrou o professor.
Sobre a Bienal
A 11ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas é realizada pela Universidade Federal de Alagoas e pelo governo de Alagoas, com correalização da Fundação Universitária de Desenvolvimento de Extensão e Pesquisa (Fundepes) e patrocínio do Senac e do Sebrae Alagoas.
Sob a curadoria do professor Eraldo Ferraz, diretor da Edufal, o maior evento cultural e literário do estado também tem como parceiros a plataforma de eventos Doity, a rede de Hotéis Ponta Verde, o Sesc, a Prefeitura de Maceió por meio da Secretaria Municipal de Educação (Semed) e o Instituto Federal de Alagoas (Ifal), além das secretarias de Estado da Cultura e Economia Criativa (Secult), de Turismo (Setur) e de Comunicação (Secom) de Alagoas.
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