Homenageados relatam experiências na religião de matriz afro em Alagoas

Homenageados relatam experiências na religião de matriz afro em Alagoas

Encontro contou com a presença dos líderes Mãe Mirian, Pai Célio e Mãe Neide, além dos filhos de santo e amigos

Jamerson Soares - jornalista / Adriano Arantos - fotógrafo

Os homenageados da 11ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas participaram, neste domingo (2), da mesa-redonda Escrevivências afro-religiosas em Alagoas, com Mãe Mirian, Pai Célio e Mãe Neide, sob mediação da apresentadora Luana Xavier.

O encontro aconteceu na Sala Ipioca do Centro de Convenções de Maceió e contou com uma plateia praticamente lotada, além da presença de filhos de santo e amigos dos líderes religiosos, assim como do reitor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Josealdo Tonholo.

A mesa começou com uma introdução poética da mediadora sobre a importância do registro das experiências sendo integrante de religiões de matriz afro-brasileiras, bem como uma apresentação dos convidados, em que foram citadas algumas de suas conquistas e um breve currículo de cada um.

Luana Xavier fez perguntas específicas para cada convidado. A primeira a falar foi a Mãe Mirian, que relatou um pouco sobre sua trajetória de vida e contou como foi receber a incumbência de ser da religião.

Nascida em uma família católica, aos 12 anos, Mãe Mirian já sentia que algo de diferente acontecia em relação à espiritualidade, porém sua mãe era contra isso e a agredia constantemente. Ela falou sobre um período em que policiais entraram no terreiro e destruíram tudo que tinha relação com religião de matriz afro.

A líder religiosa também citou um episódio que aconteceu com o antigo marido dela, durante o percurso da descoberta do sagrado. “Ele [marido] bebia muito e achava que eu, na época, tinha algum caso com o pai de santo. Ele me agredia, me dava chute, me rasgava, me arrastava na esteira, tiro de revólver, navalha no pescoço, foi muito difícil”, disse ela.

Logo depois, Pai Célio falou sobre o papel do rezado alto na religiosidade em Alagoas e os principais desafios. Já Mãe Neide contou experiências que teve na infância e juventude, e a sua relação com a culinária afro-brasileira e o processo criativo de seus dois livros: Wa Jeun: Sabores Ancestrais Afro-indígenas e Diário de uma mãe de santo, lançado no último sábado (1º) na Bienal.

Houve um momento de perguntas do público e, logo em seguida, os três homenageados finalizaram suas falas com as considerações finais. Questionada sobre quais conselhos ela daria para os mais jovens que estão iniciando na religião, Mãe Neide enfatizou que é preciso ter cuidado e ouvir os mais velhos.

“Cuidado de forma geral, no sagrado, no que vai falar, no que vai expressar porque os jovens estão muito empolgados com as mídias. Ouça sempre o seu mais velho, a estrutura da casa, os mais velhos, vamos ouvir, o cuidado é básico para tudo. Em todos os segmentos. Quem não senta no banquinho para aprender nunca vai ficar de pé para ensinar, tenham calma, tudo no seu tempo e na sua hora. Não julgue os outros, não sigam exemplos ruins, aproveitem as coisas boas e o que for destrutível a gente deixa pra lá. Que Olodum nos abençoe”, concluiu Mãe Neide.

Quem também ressaltou a importância do respeito em sua fala foi Pai Célio, que deixou um importante recado para os presentes. “Do jeito que a gente quer respeito, a gente deve respeitar”, destacou o líder espiritual.

Sobre a Bienal

A 11ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas é realizada pela Universidade Federal de Alagoas e pelo governo de Alagoas, com correalização da Fundação Universitária de Desenvolvimento de Extensão e Pesquisa (Fundepes) e patrocínio do Senac e do Sebrae Alagoas.

Sob a curadoria do professor Eraldo Ferraz, diretor da Edufal, o maior evento cultural e literário do estado também tem como parceiros a plataforma de eventos Doity, a rede de Hotéis Ponta Verde, o Sesc, a Prefeitura de Maceió por meio da Secretaria Municipal de Educação (Semed) e o Instituto Federal de Alagoas (Ifal), além das secretarias de Estado da Cultura e Economia Criativa (Secult), de Turismo (Setur) e de Comunicação (Secom) de Alagoas.

Acompanhe as novidades da Bienal 2025 por meio do site oficial bienal.ufal.br/2025 e também pelas redes sociais com o perfil @‌bienaldealagoas no Instagram, Threads e Facebook.

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