Identificação, diversidade e significado marcam abertura da Bienal
Público pôde acompanhar de perto o cortejo que deu início ao maior evento literário de Alagoas
Paulo Canuto - jornalista / Renner Boldrino e Jônatas Medeiros - fotógrafos
Os atabaques e as vozes cantaram alto, e as várias cores do público se misturaram ao branco do povo de axé que, junto com o Afoxé Odô Ya, cantaram para Exú, senhor da comunicação e da abertura de caminhos, em um grande cortejo para abrir de fato a 11ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas.
Os populares se apertaram pelos corredores e escadas do Centro de Convenções, no bairro do Jaraguá, para prestigiar o cortejo de abertura e alguns deles literalmente entraram e seguiram por todo o caminho, fazendo um abre alas nesta que é uma das mais emblemáticas edições da Bienal. Quem não seguiu o cortejo não perdeu a oportunidade de fazer seu registro, pois o que também se viu foi um festival de celulares registrando cada passo do povo de axé.
Foi um desfile onde a diversidade esteve presente em sua essência, como conta a trancista e dreadmaker Analu, que adorou a abertura, “É muito importante uma abertura como essa, eu acho que é bem representativo, tá entendendo? Ver corpos iguais a gente mostrando o seu rolê e muito axé, tá sendo chique”, contou.
Expositores também acompanharam atentos ao desfile que literalmente passou em suas portas. “A sensação que deu é que através da dança acessamos a liberdade, a alegria e que isso nos energiza. É como se lavasse tudo de ruim, todas as mazelas e tirasse todas as nossas preocupações e as coisas que nos fazem mal fossem varridas, fossem embora para além do cortejo. Para essa bienal, o sentimento que me traz é esse: força, energia, renovação e é de fato uma abertura de caminhos” destacou Lais de Oliveira, bibliotecária e funcionária do Arquivo Público do Estado de Alagoas.
Foi um encontro de gerações. De idosos a crianças de colo, dos experientes em bienais aos que vieram pela primeira vez, como a estudante Raissa Gomes que nunca tinha visto uma abertura de bienal. Ela contou que foi uma sensação maravilhosa quando começaram a tocar, sem contar que achou lindas as roupas, as músicas e a Bienal como um todo.
A jornalista e Iyawo do terreiro Axé Pratagy, Thauane Rodrigues contou o quão simbólica foi a abertura, e do orgulho por ter feito parte do cortejo. “Não tinha como ser de outra forma, foi muito simbólico, muito significativo. Abri a Bienal cantando para Exú em um espaço que fala sobre a educação, cantando para Exú que é o senhor da comunicação e o quanto é importante a gente levar as falas do povo de terreiro, do povo de Candomblé para fora, para o mundo, principalmente para dentro desses espaços educacionais, é muito importante” explicou Thauane.
Sobre a Bienal
A 11ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas é realizada pela Universidade Federal de Alagoas e pelo governo de Alagoas, com correalização da Fundação Universitária de Desenvolvimento de Extensão e Pesquisa (Fundepes) e patrocínio do Senac e do Sebrae Alagoas.
Sob a curadoria do professor Eraldo Ferraz, diretor da Edufal, o maior evento cultural e literário do estado também tem como parceiros a plataforma de eventos Doity, a rede de Hotéis Ponta Verde, o Sesc, a Prefeitura de Maceió e o Instituto Federal de Alagoas (Ifal), além das secretarias de Estado da Cultura e Economia Criativa (Secult), de Turismo (Setur) e de Comunicação (Secom) de Alagoas.
Acompanhe as novidades da Bienal 2025 por meio do site oficial bienal.ufal.br/2025 e também pelas redes sociais com o perfil @bienaldealagoas no Instagram, Threads e Facebook.