Livrarias reforçam a força da literatura independente e alagoana
Livrarias reforçam a força da literatura independente e alagoana

Livrarias reforçam a força da literatura independente e alagoana

Praxis e Novo Jardim retornam à Bienal como espaços de destaque para produção local

Paulo Canuto - jornalista / Adriano Arantos e Jônatas Medeiros - fotógrafos

Nem todos os livros conseguem furar a bolha na qual estão inseridos. Nem todos, apesar de merecer, conseguem se tornar best-sellers; muitos sequer conseguem ser lançados, quem dirá ter um espaço para venda. Mas é aí que iniciativas independentes nascem para fazer com que essas produções não morram, como é o caso das livrarias Praxis e a Livraria Novo Jardim, que marcam presença na 11ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas e reforçam a força da literatura independente e alagoana.

Antes de “Praxis” propriamente dita, Anderson Lima, também conhecido por “Mamba”, possuía um vinculo com a editora Expressão Popular e sua história começou em São Paulo, mais precisamente na Universidade Federal do ABC (UFABC): “A gente participava das atividades do movimento negro, de formação  de estudantes para a inclusão e acesso à universidade pública e nesses espaços a gente pensava na formação política, né? E a gente utilizava os livros da Editora Expressão Popular com essa finalidade, tendo em vista que os livros já eram acessíveis... E foi por onde começamos”, contou Anderson.

Anderson, então, mudou-se de São Paulo para Alagoas e foi aqui que ele sentiu a necessidade de formar uma livraria própria, especialmente pelas novas parcerias que foram surgindo em solo alagoano, especialmente por meio de novas editoras. No entanto, ele manteve a perspectiva editorial, trazendo a Praxis para a sua segunda Bienal. E por conta do tema desta edição, ele cravou que esta participação se tornou ainda mais simbólica

“A Bienal tem essa perspectiva da temática afro que conversa também com a temática que as próprias editoras também vem traduzindo, né? Vemos obras por exemplo de Franz Fanon, Amilcar Cabral, que debatem o anticolonialismo, né? E a gente acaba que também dialoga, porque é algo que mexe com a nossa identidade e se mexe com a sua identidade, você faz uma você faz assim uma leitura mais prazerosa sobre nossas obras", refletiu.

Um espaço de alagoanos para alagoanos

Foi lá na parte alta de Maceió, no Conjunto Novo Jardim, que fica no bairro Cidade Universitária, que Erika Santos e Richard Plácido se viram incomodados com a falta de circulação da literatura independente de Alagoas. “Por exemplo, a gente vai ao shopping, nas livrarias do shopping, a gente não consegue encontrar os livros que são produzidos aqui”, criticou Érika que seguiu dizendo que ela e seu companheiro Richard tinham um sonho de construir um espaço para fazer esses livros circularem e também encontrar os seus leitores e leitoras. 

“Foi aí que nasceu a livraria Novo Jardim em 2020. A gente construiu o espaço na nossa casa mesmo. Só que a gente sabe que é muito difícil fazer um movimento cultural que tem fins lucrativos funcionar da maneira que precisa para se sustentar na parte alta, e aí depois de um tempo, em 2022, a gente percebeu que não teria como esse espaço não se sustentar, de manter o espaço, inclusive a gente ficou um tempo fechado”, relembrou ela, completando que, em 2024, a livraria migrou para a parte baixa da cidade a partir de um espaço cedido no Cine Art Pajuçara.

E a história com a Bienal não é de agora, já que a livraria participou da 10ª edição. “Para nós é sempre uma alegria, né? Em 2023 o nosso estande era a metade desse, bem pequenininho, mas mesmo assim, foi uma experiência incrível, aprendemos muito. Nós tínhamos sempre essa dúvida Será que o pessoal em Alagoas não lê livro alagoano ou eles não sabem que esses livros existem? E durante a Bienal a gente colocou as plaquinhas de literatura alagoana e o pessoal: Ó, literatura alagoana, literatura alagoana. Então deu para ver que tem público, né?” comemorou Érika.

De cilentes para amigos

Talvanis Faustino conheceu a livraria Praxis já na Ufal - primeiro como cliente, o que fez, em seguida, surgir uma amizade que foi se fortalecendo. Hoje, eles trabalham juntos: 

“Muitos chegam aqui e dizem Ah, eu quero, quero conhecer o que é o Partido Comunista. Aí pegam, levam o manifesto, né? Pegam obras do Karl Marx, do Engels, do Lenin, e outros e eu vejo, sim, que é um trabalho, apesar de ser um trabalho de formiguinha... Cada um que a gente conquista muitas vezes é mais do que um cliente, é um futuro amigo, é um futuro parceiro, e essa é a principal característica da livraria da Praxis que é sempre tá muito próximo da sua base de clientes”, contou Talvanis.

Talita Honório, Dj de disco de vinil, conheceu Érika e Richard de maneira informal dentro do cenário da cultura de Alagoas e logo eles se aproximaram. 

“Como tem esse processo diferenciado de começar na parte alta isso me fez agregar tanto parte cultural de música, como de sarau, de escrita, né? Isso fez com que eu tivesse interesse de permanecer o mais próximo possível da livraria. Quando eles desceram para a Pajuçara, próximo de onde resido e eu consegui consumir mais, virei cliente, mas acabava sempre ajudando nos lançamentos. Quando rolou a oportunidade da Bienal, na última em 2023, eu eu vim todos os dias. Só para poder ver as pessoas conversar, né”, contou Talita.

Sobre a Bienal

A 11ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas é realizada pela Universidade Federal de Alagoas e pelo governo de Alagoas, com correalização da Fundação Universitária de Desenvolvimento de Extensão e Pesquisa (Fundepes) e patrocínio do Senac e do Sebrae Alagoas.

Sob a curadoria do professor Eraldo Ferraz, diretor da Edufal, o maior evento cultural e literário do estado também tem como parceiros a plataforma de eventos Doity, a rede de Hotéis Ponta Verde, o Sesc, a Prefeitura de Maceió por meio da Secretaria Municipal de Educação (Semed) e o Instituto Federal de Alagoas (Ifal), além das secretarias de Estado da Cultura e Economia Criativa (Secult), de Turismo (Setur) e de Comunicação (Secom) de Alagoas.

Acompanhe as novidades da Bienal 2025 por meio do site oficial e também pelas redes sociais com o perfil @‌bienaldealagoas no InstagramThreads Facebook. E para ver mais fotos sobre a cobertura da Bienal, acesse nosso Flickr e confira todos os detalhes do evento.

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