Maracatu Baque Alagoano fez apresentação no Teatro
Grupo foi o responsável por encerrar as apresentações artístico-culturais do evento
Paulo Canuto - jornalista / Adriano Arantos e Jônatas Medeiros - fotógrafos
“Boa noite senhores do mar, vou chegando com minha jangada!” Essa foi apenas uma das canções entoada pelas batidas fortes do Grupo de Maracatu Baque Alagoano que com a força do seu som, contando a história do estilo musical em Alagoas, encerrou as apresentações artísticas da 11ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas, no Teatro Gustavo Leite. O grupo foi o responsável por encerrar as apresentações artístico-culturais do maior evento cultural e literário do estado com as alfaias, agogôs, caixas e xequerês tocando alto numa sincronia e sintonia de arrepiar.
O barulho foi grande e o som ecoou intenso pelas paredes do Teatro Gustavo Leite, fazendo o povo não só cantar, mas se levantarem das cadeiras para dançar, tamanha a energia que emanava do palco... Mas um detalhe merece registro: a apresentação não começou totalmente no palco, pois o grupo montou formação em frente ao Teatro e entoou os primeiros batuques ali mesmo. O público, pego de surpresa, ficou maravilhado e seguiu junto com o grupo até que todos se posicionaram no palco, sem perder o pique e seguir com a apresentação.
E aí, sim, a apresentação começou de fato - ou prosseguiu, para encantamento do público. Na plateia, porém, em meio aos visitantes do evento, outros músicos do grupo também foram prestigiar os seus colegas, cantando todas as músicas e fazendo de tudo para se conter na cadeira.
Flávia Lima, que toca alfaia no grupo, foi a prova disso: “A vontade era de estar lá com eles, né? Com certeza. Mas é muito interessante ver o grupo dessa outra perspectiva e dá um orgulho imenso de ver, dá uma emoção diferente assim dentro, sabe? Eu fico aqui sentada e cantando batucando com a mão como se eu tivesse lá e com a alfaia na mão”, contou.
Contando uma história
Apesar de ter uma forte ligação com a religiosidade, principalmente com as religiões de matriz africana, a apresentação do último domingo (9) teve um histórico voltado para contar a história do maracatu alagoano. "Quando a gente fala de Maracatu, a gente costuma se remeter sempre a Pernambuco, e a gente esquece que aqui tem uma história particular, né? O Maracatu também é alagoano, tão forte quanto o pernambucano”, contou Helton Walner, coordenador do grupo.
Helton continuou sua fala ao dizer que o Baque Alagoano representa a terceira geração do Maracatu em Alagoas, que começou com a emancipação de Alagoas, teve uma queda depois do Quebra de Xangô, renasceu nos anos 50 e vem com essa terceira geração em 2007, ano esse do inicio do grupo que já ostenta 18 anos de atividades.
Apesar de o fechamento simbólico da Bienal 2025 ter sido um grande cortejo pelos corredores, a apresentação do Baque encerrou as apresentações artísticas do evento.
"Trazer um pouco da história do Maracatu em Alagoas para essa Bienal tem total sintonia e faz muito sentido, né? Porque o maracatu em Alagoas é um pouco da história da África em Alagoas, então essa retomada do Maracatu aqui representa também a retomada desses símbolos, dessa marca da presença do negro aqui em Alagoas", disse Walner.
Nova geração
Próximo ao final da apresentação, uma cena abrilhantou ainda mais esse espetáculo e foi ovacionada pelo público. A nova geração do Baque Alagoano subiu ao palco e se juntou para “fazer um som”. O pequeno Caetano, de apenas 2 anos e seu ‘mini xiquere” e Miguel Ângelo, de 6, com seu agogô.
A mãe do Caetano, Juliane Lima, foi só sorrisos ao ver o filho super à vontade no palco: “É uma coisa muito linda, muito emocionante, eu que já subi em palco e agora ver meu filho subindo pela primeira vez assim junto com o Baque, que é um grupo tão maravilhoso, tão importante que traz tanta história, tanta cultura, é surreal, é incrível”, contou a mãe, empolgada.
Já Miguel Ângelo deu um show com seu agogô e mostrou, além de maturidade musical, projetos futuros com o baque. “Foi muito irado, velho, nem consigo imaginar, foi moleza subir e tocar. eu sou do baque desde 2023, eu gosto de tocar, eu até fiz uma música que vai tocar no Carnaval do ano que vem, e o nome dela é Baque do Abê”, revelou o pequeno músico.
Final em grande estilo
Para o encerramento, outra surpresa: a festa não acabou em cima do palco. Em mais um cortejo, o grupo saiu pelas escadas do Teatro e terminou a apresentação onde começou: na frente do local, com um grande público em volta, numa verdadeira celebração à música, história, religiosidade e as boas energias.
Uma das espectadoras foi a Dona Lucia que assistiu pela segunda vez a apresentação do baque e quando descobriu que teria a apresentação do grupo correu para o Teatro. “Eu senti uma emoção muito forte, eu amei, tanto assim que escutei a menina falando lá embaixo, aí eu chamei as meninas para vir, quem puder assistir vá, porque é muito bom”, declarou.
Sobre a Bienal
A 11ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas é realizada pela Universidade Federal de Alagoas e pelo governo de Alagoas, com correalização da Fundação Universitária de Desenvolvimento de Extensão e Pesquisa (Fundepes) e patrocínio do Senac e do Sebrae Alagoas.
Sob a curadoria do professor Eraldo Ferraz, diretor da Edufal, o maior evento cultural e literário do estado também tem como parceiros a plataforma de eventos Doity, a rede de Hotéis Ponta Verde, o Sesc, a Prefeitura de Maceió por meio da Secretaria Municipal de Educação (Semed) e o Instituto Federal de Alagoas (Ifal), além das secretarias de Estado da Cultura e Economia Criativa (Secult), de Turismo (Setur) e de Comunicação (Secom) de Alagoas.
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