Artistas negros debatem jornada da arte em Alagoas
Debate envolveu público, que participou ativamente da atividade - Foto: Jônatas Medeiros

Artistas negros debatem jornada da arte em Alagoas

Com audiodescrição e acompanhamento especializado, ação transforma a Bienal em um espaço de inclusão sensorial

Paulo Canuto com Rodrigo Rocha - jornalistas / Jônatas Medeiros - fotógrafo

A arte é capaz de transformar o mundo, mas sobretudo, a arte é capaz de transformar vidas. Foi o que aconteceu com os artistas Jhonyson Nobre e Gleyson Borges, que trouxeram seus relatos e experiências à Bienal 2025 na mesa redonda: Arte negra contemporânea alagoana, com mediação de Cintia Rodrigues, que aconteceu nesta segunda-feira (3), na Sala Pitanga, que ficou lotada para o bate papo.

A ideia foi apresentar o caminho percorrido pelos artistas, que por meio de suas vivências, discutiram sobre o trabalho de pesquisa enquanto artistas negros alagoanos, os processos, as dificuldades e sobretudo as descobertas; trabalho esse que faz parte inteiramente da Bienal, com dois murais gigantes que estão expostos no primeiro andar do Centro de Convenções Ruth Cardoso.

“As temáticas do nosso trabalho, nossos questionamentos e hoje foi um bate-papo na verdade, para trazer o público para conversar com a gente sobre essas temáticas, então aqui a gente falou sobre esse resgate, essas raízes da ancestralidade.  Eu, enquanto artista negro vindo de uma família negra do interior, falei sobre sobre isso. O Gleyson também tem a essa perspectiva, quanto a um homem negro, e a proposta do nosso trabalho é essa: falar sobre a urgência de viver bem agora”, contou Jhonyson.

Ambos os artistas possuem em suas obras e processos criativos o questionamento quanto a identidade, quanto ao pertencimento e questionam qual o seu papel no mundo, atacando o processo de embranquecimento da população negra, sobretudo os artistas negros. Segundo ambos, eles mesmos demoraram um tempo para se reconhecerem como negros e artistas, o que causou olhares de identificação do público, mostrando que esse assunto é muito caro para muitas pessoas.

“Foi um momento de muita troca, eu acho que esses momentos permitem que a gente consiga trazer arte para mais perto das pessoas de uma maneira acessível. Eu acho que a arte ainda tem esse lugar um pouco no pedestal, falado que não é tão alcançável, que tem que ver de longe e acho que não é assim que a coisa funciona. Acho que tem que ser uma coisa acessível, que é assim que a arte é”, destacou Gleyson.

Ele continuou dizendo, assim como o próprio Jhonyson, que tudo é uma ferramenta de luta de resistência, que o racismo é algo que causa um ódio em quem sofre e é comum que a reação a essa violência, seja violenta, porém, eles contam que encontraram na arte uma forma de direcionar esse ódio, de canalizar essa indignação de forma inteligente.

A própria exposição dos artistas tem como ferramenta elementos na arte, onde Jhonyson pintou artistas negros alagoanos em tons de azul, num coração anatômico, um tom comumente associadas à nobreza, e colocou esses artistas nesse lugar que os pertence. Já Gleyson usou os estereótipo como ferramenta, uma imagem de um negro se formando mesmo sendo o filho da merendeira, do engraxate, do carregador, do catador, ou seja: o negro é capaz.

O bate papo também passeou pela ideia de que as feridas do racismo, do preconceito, precisam ser expostas, debatidas para que o processo de cura se dê.

“A gente precisa discutir isso agora para que, com o tempo, isso se cure. Precisamos falar sobre os traumas. De alguma maneira, verbalizar os meus traumas ajudou. Eles começaram a ser verbalizados e colocados na pintura mesmo, na escrita dos trabalhos, nas poesias que acompanham eles e, de alguma maneira, tentar construir caminhos possíveis e discutir esses caminhos com outras pessoas que também passam por essas mesmas coisas”, finalizou Jhonyson.

Sobre a Bienal

A 11ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas é realizada pela Universidade Federal de Alagoas e pelo governo de Alagoas, com correalização da Fundação Universitária de Desenvolvimento de Extensão e Pesquisa (Fundepes) e patrocínio do Senac e do Sebrae Alagoas.

Sob a curadoria do professor Eraldo Ferraz, diretor da Edufal, o maior evento cultural e literário do estado também tem como parceiros a plataforma de eventos Doity, a rede de Hotéis Ponta Verde, o Sesc, a Prefeitura de Maceió por meio da Secretaria Municipal de Educação (Semed) e o Instituto Federal de Alagoas (Ifal), além das secretarias de Estado da Cultura e Economia Criativa (Secult), de Turismo (Setur) e de Comunicação (Secom) de Alagoas.

Acompanhe as novidades da Bienal 2025 por meio do site oficial bienal.ufal.br/2025 e também pelas redes sociais com o perfil @‌bienaldealagoas no Instagram, Threads e Facebook.

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