Brasil e África: mesa debate fronteiras e diáspora
Mesa-redonda debate fronteiras e diáspora entre Brasil e África

Brasil e África: mesa debate fronteiras e diáspora

Momento abriu 9ª edição do Encontro Nacional do Núcleo Escravidão e Sociedade na Época Moderna

Jamerson Soares - jornalista / Renner Boldrino - fotógrafo

Nesta segunda-feira (3), a mesa-redonda Fronteiras e diáspora entre o Brasil e África reuniu pesquisadores e estudiosos na 11ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas, em uma discussão marcada pela valorização da ancestralidade e do intercâmbio histórico entre os dois continentes. O momento fez parte do 9º Encontro Nacional Nesem – Entre laços, herança e histórias da África e do Brasil, e contou com a participação de Tiago Mutombo, Suely Almeida e Helder Medeiros, sob mediação de Roberval Santos.

Durante a mesa, os convidados compartilharam relatos e pesquisas que abordam as conexões históricas entre África e Brasil, enfatizando o papel da diáspora africana na formação cultural e social do país. A troca de experiências trouxe à tona casos e estudos que resgatam memórias e trajetórias negras, muitas delas esquecidas ao longo das décadas.

O pesquisador Helder Medeiros apresentou parte de sua pesquisa sobre a genealogia mestiça no sertão do Rio Grande do Norte, na qual reconstrói as origens e descendências de uma família do período colonial.

“A participação no 9º Encontro Nacional do Nesem permitiu que nós dialogássemos nessa primeira mesa de abertura sobre as variadas relações entre Brasil e África, apontando muitos caminhos possíveis para novas interpretações desse processo. Em particular, eu trouxe uma contribuição da Micro História ao analisar uma família de descendentes de pessoas africanas no sertão do Rio Grande do Norte, mostrando os seus trânsitos, movências e atividades econômicas, inclusive as suas práticas dominativas que giram em torno da ligação com os seus ancestrais, o Inácio Agostinho e a Eméria Sinonteriza”, explicou.

Natural de Angola, Tiago Mutombo destacou a importância do diálogo entre pesquisadores africanos e brasileiros como forma de fortalecer laços culturais e acadêmicos.

“O evento é de grande importância, na medida em que aproxima os dois povos — o africano e o brasileiro. Sabemos da força da herança da diáspora africana, e o Brasil é um desses espaços onde ela está muito presente, contribuindo para o desenvolvimento deste gigante que é o Brasil. Nossa comunicação foi no sentido de incentivar os investigadores brasileiros a continuarem a estudar sobre a África e a frequentar o continente, conhecer suas línguas e ampliar o valor de suas pesquisas para as ciências históricas”, afirmou.

Ao final das apresentações, o público teve a oportunidade de participar de um momento aberto para perguntas e reflexões, consolidando o encontro como um espaço de troca, escuta e reconhecimento das histórias que unem Brasil e África ao longo dos séculos.

Sobre a Bienal

A 11ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas é realizada pela Universidade Federal de Alagoas e pelo governo de Alagoas, com correalização da Fundação Universitária de Desenvolvimento de Extensão e Pesquisa (Fundepes) e patrocínio do Senac e do Sebrae Alagoas.

Sob a curadoria do professor Eraldo Ferraz, diretor da Edufal, o maior evento cultural e literário do estado também tem como parceiros a plataforma de eventos Doity, a rede de Hotéis Ponta Verde, o Sesc, a Prefeitura de Maceió por meio da Secretaria Municipal de Educação (Semed) e o Instituto Federal de Alagoas (Ifal), além das secretarias de Estado da Cultura e Economia Criativa (Secult), de Turismo (Setur) e de Comunicação (Secom) de Alagoas.

Acompanhe as novidades da Bienal 2025 por meio do site oficial e também pelas redes sociais com o perfil @‌bienaldealagoas no Instagram, Threads e Facebook.

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