Mesa-redonda debate luta antimanicomial em Alagoas
Atividade contou ainda com o lançamento do livro Desinstitucionalização de pacientes do manicômio judiciário de Alagoas: o reconstruir dos elos
Paulo Canuto com Rodrigo Rocha - jornalistas / Jônatas Medeiros e Adriano Arantos - fotógrafos
Na noite do sábado (8) aconteceu a Mesa-Redonda Luta Antimanicomial, seguida do lançamento do livro Desinstitucionalização de pacientes do manicômio judiciário de Alagoas: o reconstruir dos elos, eventos organizados pelas professoras Elaine Pimentel e Tainá Carvalho, com prefácio da professora Ludmila Cerqueira, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB).
A atividade teve grande adesão do público, tanto que que foi necessária a mudança de espaço, da Sala Mangaba (que comporta uma quantidade pequena de pessoas) para a Sala Ipioca, podendo assim comportar todos os presentes. Além do público geral, estiveram presentes professores, autores, familiares, ex-internos e uma presença ilustre: a escritora e filósofa Sueli Carneiro, expoente do movimento antirracista.
A ideia da mesa redonda foi discutir como ocorreu o processo de desinstitucionalização de pacientes do manicômio judiciário, pessoas essas que foram presas em razão de atos ilícitos, mas devido aos transtornos mentais, foram absolvidas e ficaram internadas em um hospital psiquiátrico.
Em 2023 o Conselho Nacional de Justiça emitiu uma resolução determinando o fim desses espaços, como conta a professora Elaine Pimentel da Faculdade de Direito da Ufal.
“A gente acompanhou desde essa resolução, que foi a desinstitucionalização de todos os pacientes do Centro Psiquiátrico Judiciário Pedro Marinho Suruagy, aqui em Maceió, e esse acompanhamento foi feito por meio de um projeto de extensão que eu coordeno na Faculdade de Direito da Ufal, e a professora Tainá Carvalho ,a Faculdade de Medicina. O projeto conta com outros professores envolvidos, além de estudantes de graduação e de mestrado, fato que culminou no livro”, contou.
Ela disse ainda, que esse momento de hoje na Bienal é muito importante para quebrar um pouco do preconceito que existe sobre a doença mental: “São pessoas que vivem abandono, isolamento, preconceito, sofrem demais. Então trazer para cá uma delas, a dona Wilma, que escreveu uma carta que foi para o livro, faz dela uma autora também e isso é muito significativo”, declarou Elaine.
Lançamento de livro
Após o conversa entre as professoras acerca da luta antimanicomial e toda a trajetória desse movimento, passando pelas experiências pessoais de como cada uma das palestrantes se envolveu nessa luta, houve um dos momentos mais esperados da noite: o lançamento do livro Desinstitucionalização de pacientes do manicômio judiciário de Alagoas: o reconstruir dos elos.
Durante sua fala, a professora Tainá Carvalho contou como foi esse momento de culminância da obra após tantos anos em meio à luta que resultou na conquista do lançamento: “É um momento muito emocionante e simbólico, porque esse processo de fechar propriamente dito ‘o manicômio’ é na verdade fechar as estruturas manicomiadas que estão também na nossa mente”, contou Tainá.
E ela alertou: “Precisamos sempre ampliar o acesso à dignidade e respeito aos direitos humanos, enxergando cada sujeito na sua integralidade. Então se torna ainda mais simbólico lançar esse livro em uma Bienal, lugar onde está se entregando o conhecimento, onde o conhecimento se mistura com a arte”, declarou.
Sobre a Bienal
A 11ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas é realizada pela Universidade Federal de Alagoas e pelo governo de Alagoas, com correalização da Fundação Universitária de Desenvolvimento de Extensão e Pesquisa (Fundepes) e patrocínio do Senac e do Sebrae Alagoas.
Sob a curadoria do professor Eraldo Ferraz, diretor da Edufal, o maior evento cultural e literário do estado também tem como parceiros a plataforma de eventos Doity, a rede de Hotéis Ponta Verde, o Sesc, a Prefeitura de Maceió por meio da Secretaria Municipal de Educação (Semed) e o Instituto Federal de Alagoas (Ifal), além das secretarias de Estado da Cultura e Economia Criativa (Secult), de Turismo (Setur) e de Comunicação (Secom) de Alagoas.
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