“Os livros devem ser territórios de pensamento”, diz José Eduardo Agualusa
Jornalista e escritor angolano participou de um bate-papo no último dia de evento
Fabiana Barros - jornalista / Jônatas Medeiros - fotógrafo
“Os livros devem ser territórios de pensamento, devem conseguir promover debate, conseguir inquietar o leitor. Por outro lado, os livros também refletem que são fruto do tempo em que são escritos. O livro absorve o que está ao seu lado. E, portanto, o livro absorve também essas inquietações que estão no ar.” A definição é do escritor angolano José Eduardo Agualusa. Ele participou de um bate-papo mediado por Gabriela Costa e Müller Ribeiro no domingo (9), último dia de programação da 11ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas numa participação que dialogou totalmente com o tema do evento: Brasil e África ligados culturalmente em seus Ritos e Raízes.
Durante o papo com o público, ele destacou não ser por acaso que hoje exista tanta gente escrevendo sobre o fim do mundo. Para ele, isso acontece porque vivemos fins de mundo. “A mim interessa-me sempre lembrar que, quando se fala em fim do mundo, também se está necessariamente a falar no princípio do mundo, no início do mundo. Então, eu acho que temos de refletir também sobre isso, sobre essa necessidade de criação de novas utopias, sobre essa necessidade de pensar o que queremos do mundo, que outros mundos queremos”, comentou.
Para Agualusa, a língua portuguesa tem uma história diferente em cada um dos países onde é falada. Segundo ele, o caso angolano é muito particular, pois, hoje em dia, é falada como língua materna, provavelmente, já pela maioria da população. “Infelizmente, algumas línguas nacionais, como aconteceu no Brasil, estão perdendo expressão e algumas até ameaçadas. E ameaçadas também por esse crescimento muito rápido da língua portuguesa”, afirmou.
Apesar de pisar em solo alagoano pela primeira vez, Agualusa compartilhou uma curiosidade. Há 30 anos, quando começou a escrever, ele lembrou que era pouco comum haver escritores angolanos com livros publicados em outros países. Segundo ele, a imprensa o identificava como alagoano. Lembrou, rindo e brincando, que, em algum momento, foi alagoano.
O autor
A obra de Agualusa atravessa fronteiras. Ao longo de sua trajetória, ele recebeu o Prêmio Constantino Castelo Branco, o Prêmio Nacional de Cultura e Artes de Angola e o Grande Prêmio de Literatura RTP. O romance, O Vendedor de Passados, consolidou sua projeção internacional, seguida por Teoria Geral do Esquecimento, obra coroada pelo Prêmio Internacional de Literatura de Dublin e o Independent Foreign Fiction Prize, além de finalista do Booker International em 2016.
Os mais recentes, Os Vivos e Os Outros, também chegou à final do Booker International e lhe rendeu o prêmio Oceanos. Em 2025, Agualusa segue reafirmando sua relevância literária, concorreu ao prêmio Oceanos com O Mestre dos Batuques.
Sobre a Bienal
A 11ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas é realizada pela Universidade Federal de Alagoas e pelo governo de Alagoas, com correalização da Fundação Universitária de Desenvolvimento de Extensão e Pesquisa (Fundepes) e patrocínio do Senac e do Sebrae Alagoas.
Sob a curadoria do professor Eraldo Ferraz, diretor da Edufal, o maior evento cultural e literário do estado também tem como parceiros a plataforma de eventos Doity, a rede de Hotéis Ponta Verde, o Sesc, a Prefeitura de Maceió por meio da Secretaria Municipal de Educação (Semed) e o Instituto Federal de Alagoas (Ifal), além das secretarias de Estado da Cultura e Economia Criativa (Secult), de Turismo (Setur) e de Comunicação (Secom) de Alagoas.
Acompanhe as novidades da Bienal 2025 por meio do site oficial e também pelas redes sociais com o perfil @bienaldealagoas no Instagram, Threads e Facebook. E para ver mais fotos sobre a cobertura da Bienal, acesse nosso Flickr e confira todos os detalhes do evento.