Nilma Lino expõe posicionamentos sobre a causa antirracista
Bate-papo foi marcado por descontração e seriedade para com a causa negra no Brasil - Foto: Adriano Arantos

Nilma Lino expõe posicionamentos sobre a causa antirracista

Em exclusiva, pensadora exaltou e defendeu as causas negras na sociedade brasileira

Roberto Amorim - jornalista / Adriano Arantos - fotógrafo

Nilma Lino Gomes é uma pioneira engajada, cuja produção é dedicada à relação entre o conhecimento e a valorização do negro e sua emancipação social. A numerosa produção acadêmica da autora coloca em pauta reflexões teóricas sobre relações raciais, formação de professores, diversidade étnico-racial e movimentos sociais.

Antes de proferir a palestra na 11ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas, na noite desta segunda-feira (3), ela concedeu uma breve entrevista à Rádio Ufal para o programa Bienal no Ar.

Confira os principais trechos:

Primeira mulher negra reitora do Brasil

“O fato de eu ser a primeira mulher negra reitora de uma universidade federal brasileira já mostra algo da estrutura do racismo no Brasil. Quando assumi a reitoria pró-tempore da Unilab, nós já tínhamos outras mulheres negras que poderiam também estar nesses cargos. Então, penso que a minha chegada a esse lugar não foi uma chegada isolada, foi uma chegada representando um coletivo de lutas constantes dos movimentos sociais, em especial o movimento negro. Ser reitora serviu para alertar sobre as desigualdades e, ao mesmo tempo, serviu como uma referência para outras pessoas e para desvelar e desnaturalizar também o racismo.”

Mobilização e lutas sociais

“No Brasil, ainda tem muita gente pensando que é possível mudar estruturas sociais pelo convencimento pessoal, individual ou boa vontade dos governantes. Estrutura se muda com políticas, estrutura se muda com a existência de direitos e ampliação de direitos. Hoje, a entrada de mais pessoas negras nas universidades e concursos públicos através das cotas é fruto de muita luta. E se não fosse a participação da sociedade organizada, dos movimentos sociais, dos sindicatos de cunho progressista, das pessoas que se movimentam na sociedade, nada teria mudado.”

Políticas afirmativas

“Eu sou uma defensora intransigente das políticas de ações afirmativas. Penso que o Brasil não seria o Brasil de hoje se nós não tivéssemos tido políticas de ações afirmativas voltadas não só para a população negra e quilombola, mas também para as mulheres, os indígenas, as pessoas com deficiência. Essa diversidade ainda é pouca, tem pouca existência e visibilidade em lugares de poder e decisão, como na política, por exemplo.”

Desigualdade racial

“Um país tão diverso como o nosso, uma democracia que a gente luta tanto para consolidar, não pode continuar naturalizando a desigualdade racial, que é fruto de um fenômeno perverso chamado racismo. Para a gente superar também a desigualdade racial que existe e que se articula com várias outras, nós temos que entender que esse fenômeno perverso faz parte da conformação da sociedade brasileira. Nesse sentido, o movimento negro tem educado e reeducado o nosso país. Ele não só denuncia e pressiona, ele denuncia, pressiona e propõe. E, com isso, a gente tem tido mudanças nas políticas públicas.”

Grupos extremistas

“Nós temos hoje grupos extremados, extremistas, de direita, de extrema direita, que não à toa colocam representantes nas câmaras de vereadores, assembleias legislativas e no Congresso Nacional, onde dão continuidade a essas pautas tremendamente reacionárias. Eles querem destruir conquistas sociais. São grupos organizados em torno de um projeto de sociedade, de educação, de economia, de política, e que conseguiram representatividade política que não tinham antes. E isso fortalece essas pautas na sociedade e incentivam atitudes preconceituosas e violentas.”

Estado Democrático de Direito

“Tem que desnaturalizar, desconstruir desigualdades e tem que pensar formas de conseguir colocar dentro do campo dos direitos todos os grupos que estão naquela sociedade, principalmente os com maior histórico de exclusão e de desigualdade. Discriminar não pode ser aceito.”

Sobre a Bienal

A 11ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas é realizada pela Universidade Federal de Alagoas e pelo governo de Alagoas, com correalização da Fundação Universitária de Desenvolvimento de Extensão e Pesquisa (Fundepes) e patrocínio do Senac e do Sebrae Alagoas.

Sob a curadoria do professor Eraldo Ferraz, diretor da Edufal, o maior evento cultural e literário do estado também tem como parceiros a plataforma de eventos Doity, a rede de Hotéis Ponta Verde, o Sesc, a Prefeitura de Maceió por meio da Secretaria Municipal de Educação (Semed) e o Instituto Federal de Alagoas (Ifal), além das secretarias de Estado da Cultura e Economia Criativa (Secult), de Turismo (Setur) e de Comunicação (Secom) de Alagoas.

Acompanhe as novidades da Bienal 2025 por meio do site oficial bienal.ufal.br/2025 e também pelas redes sociais com o perfil @‌bienaldealagoas no Instagram, Threads e Facebook.

Correalização

Realização

Patrocínio Cultural