Reeducandos encantam público com projeto apresentação teatral
Reeducandos encantam público com projeto Livros que Libertam

Reeducandos encantam público com projeto apresentação teatral

Eles apresentaram a peça Doce de Mamão-Macho, inspirada na obra do escritor alagoano Benedito Ramos

Janaina Farias - jornalista / Renner Boldrino - fotógrafo

A emoção tomou conta do auditório do Centro Cultural e de Exposições Ruth Cardoso, no bairro de Jaraguá, em Maceió, com a apresentação feita por 11 reeducandos do Sistema Prisional Alagoano que integram o projeto Livros que Libertam. Na ocasião, eles encenaram a peça teatral Doce de Mamão-Macho, inspirada na obra do escritor alagoano Benedito Ramos, emocionando familiares, visitantes e participantes do evento, destacando o poder da mudança da literatura, arte e cultura por meio da ressocialização.

A iniciativa, promovida pela Secretaria de Ressocialização e Inclusão Social (Seris), contou também com a banda do Núcleo Ressocializador da Capital, mostrando que a transformação social pode ser construída a partir de novas oportunidades. De acordo com Mônica Cavalcante, jornalista, policial penal e chefe da Assessoria de Comunicação (Ascom) da Seris, o projeto tem um impacto social incrível.

“O maior objetivo é a ressocialização. Dentro das grades, nas celas deles, eles participam de projetos com trabalho, com leitura, com educação e com esporte. O maior objetivo é a ressocialização, além de mostrar pra nossa sociedade os projetos que acontecem lá dentro onde muitos não veem ou não querem ver. O que a gente faz é transformar pessoas para devolver a sociedade de forma melhor”, afirmou Mônica.

Ela ressaltou que trabalhos como esses auxiliam no reforço da segurança dos alagoanos: “Dessa forma, estamos cuidando da segurança também de todos os alagoanos quando conseguimos entregar pessoas melhores, pois não adianta eles entrarem e saírem piores. Como todos falam por aí, que às vezes a cadeia é a universidade do crime e muito pelo contrário, a cadeia aqui em Alagoas é a universidade da ressocialização, da educação e do trabalho”, frisou.

Mônica explicou ainda que dentro do Livros que Libertam existem outros projetos que é o Café Literário: “É quando os reeducandos escolhem uma obra de um autor alagoano e levam para ler, depois que leem é feita uma apresentação, onde eles podem fazer um tipo de resenha e a partir disso comprovam que realmente leram aquele livro daquele autor”, pontuou.

Transformação social

O reeducando Thierry Alves descreveu a experiência na 11ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas como inesquecível: “É uma emoção muito grande. É feita também uma grande movimentação, pra gente sair do sistema prisional para estar aqui neste espaço externo na Bienal e poder apresentar o que foi apresentado hoje, como o rap, o teatro e a banda”, comentou.

Para ele, é possível, por meio desses programas, mostrar para todos que o sistema prisional de Alagoas promove a ressocialização: “É um momento de muita gratidão mesmo, de oportunidade e agradecer a oportunidade de estar aqui e mostrar para todos que a ressocialização está sendo feita no sistema prisional de Alagoas”, disse ele.

Família prestigia e emociona

O reencontro com alguns familiares também trouxe lágrimas e orgulho. Juliane da Silva Dias, que é mãe de leite de Thierry, e melhor amiga de sua mãe, destacou a importância da reintegração: 

“A ressocialização é algo importantíssimo. Esse trabalho tem sido fundamental porque permitiu que outros familiares se aproximassem novamente. Hoje, a gente o vê com outro olhar, não mais como o homem que foi preso, mas como alguém que está se reconstruindo. Esse trabalho faz com que a família volte a olhar para ele de outra forma”, afirmou Juliane.

O reeducando, inclusive, se emocionou em ver membros de sua família e amigos prestigiando esse momento: “O sentimento de ver nossa família e sentir a presença do público é sensacional. A gente vê a família da gente aqui. O público todo aplaudindo, todo mundo na mesma emoção, é fenomenal, é algo extraordinário, sem palavras”, finalizou, muito emocionado.

Sobre a Bienal

A 11ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas é realizada pela Universidade Federal de Alagoas e pelo governo de Alagoas, com correalização da Fundação Universitária de Desenvolvimento de Extensão e Pesquisa (Fundepes) e patrocínio do Senac e do Sebrae Alagoas.

Sob a curadoria do professor Eraldo Ferraz, diretor da Edufal, o maior evento cultural e literário do estado também tem como parceiros a plataforma de eventos Doity, a rede de Hotéis Ponta Verde, o Sesc, a Prefeitura de Maceió por meio da Secretaria Municipal de Educação (Semed) e o Instituto Federal de Alagoas (Ifal), além das secretarias de Estado da Cultura e Economia Criativa (Secult), de Turismo (Setur) e de Comunicação (Secom) de Alagoas.

Acompanhe as novidades da Bienal 2025 por meio do site oficial e também pelas redes sociais com o perfil @‌bienaldealagoas no InstagramThreads Facebook. E para ver mais fotos sobre a cobertura da Bienal, acesse nosso Flickr e confira todos os detalhes do evento.

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