Religiosidade afro-brasileira foi tema de mesa-redonda
Participantes celebraram o tema da Bienal: Brasil e África ligados culturalmente nos seus Ritos e Raízes
Fabiana Barros - jornalista / Adriano Arantos - fotógrafo
Os professores do Instituto Federal de Alagoas (Ifal) Hugo Brandão e Flávio Veiga conduziram a mesa-redonda Religiosidade afro-brasileira: crença e resistência, um fazer docente numa perspectiva decolonial no último dia da 11ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas. Na ocasião, eles enalteceram o tema da Bienal — Brasil e África ligados culturalmente nos seus Ritos e Raízes — e comentaram a importância de se tratar de um evento realizado pela Ufal, a única Bienal organizada por uma universidade pública.
De acordo com eles, é essencial que as discussões ultrapassem os muros das escolas e possam envolver a sociedade como um todo, a exemplo de uma feira literária como a Bienal. Além disso, segundo os participantes da mesa, o desafio foi discutir, a partir da formação de ambos, o espaço das religiões de matriz africana e os terreiros enquanto territórios de identidade, resistência e crença, que se mantiveram “apesar do trágico e do monstruoso processo da escravização” e que continuam resistentes e inspiradores.
“A religião se tornou, muitas vezes, uma agenda política, um projeto em disputa. E, nessa perspectiva, a gente precisa urgentemente desse compromisso: a defesa da laicidade do Estado e da pluralidade religiosa. Para além disso, da defesa da dignidade humana diante de um processo de violência nesse Estado, nesse território, que, desde a quebra dos quilombos, tem sofrido uma violência tão perversa — e que persiste até os dias de hoje”, afirmou Flávio.
As religiões de matriz africana no Brasil constituem um terreno amplo e rico de estudo. “Mas, sobretudo, também de respeito, de prestigiar, de dar o lugar devido na história e de trazer esse resgate para narrativas que foram colocadas de forma tão perversa”, complementou Flávio.
A partir da análise da própria formação histórica do Brasil, com seus marcadores políticos, econômicos e sociais, aponta-se para uma sociedade que teve, em sua constituição, um projeto colonialista e escravista. “Diante desse processo histórico, percebemos o heroico protagonismo de resistência e de enfrentamento do povo negro, sobretudo nos espaços quilombolas — exatamente nos quilombos e nas comunidades quilombolas —, que passam a integrar o processo do Estado brasileiro a partir da Constituição de 1988”, comentou.
Ainda segundo ele, o racismo religioso se constitui na medida em que a formação da sociedade brasileira é marcada, ao longo da sua história, por um projeto católico desde o século 15 até o século 19 e, ao longo do século 20, pela expansão das igrejas evangélicas, inclusive com estratégias de demonização. “Então, é muito perverso esse processo, porque coloca exatamente as religiões de matriz africana na desqualificação, para colocar o negro em um lugar de inferioridade. E, nesse processo de desumanização e deslegitimação da pertença religiosa do povo negro, há uma colonização”, explicou o professor.
Sobre a Bienal
A 11ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas é realizada pela Universidade Federal de Alagoas e pelo governo de Alagoas, com correalização da Fundação Universitária de Desenvolvimento de Extensão e Pesquisa (Fundepes) e patrocínio do Senac e do Sebrae Alagoas.
Sob a curadoria do professor Eraldo Ferraz, diretor da Edufal, o maior evento cultural e literário do estado também tem como parceiros a plataforma de eventos Doity, a rede de Hotéis Ponta Verde, o Sesc, a Prefeitura de Maceió por meio da Secretaria Municipal de Educação (Semed) e o Instituto Federal de Alagoas (Ifal), além das secretarias de Estado da Cultura e Economia Criativa (Secult), de Turismo (Setur) e de Comunicação (Secom) de Alagoas.
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