Líderes de religiões afro-brasileiras recebem homenagem
Painel celebra líderes espirituais que dedicam suas vidas à preservação da cultura afro-brasileira em Alagoas
Ryan Charles - estudante de Jornalismo
A 11ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas já começou e as emoções não param. Ao entrar no Centro de Convenções Ruth Cardoso, no bairro do Jaraguá, que sedia o evento até o próximo dia 9 de novembro, os visitantes se deparam com o painel “Resistência e Liberdade”, que homenageia as raízes afro-brasileiras e celebra aqueles que fazem a história acontecer no estado.
Ao todo, 53 representantes das mais diversas hierarquias espirituais receberam a honraria simbólica. O objetivo é dar destaque a quem difunde, fomenta e dedica a vida aos saberes e poderes das religiões de matriz africana, em suas mais variadas expressões.
Um deles é o Babalorixá Pai Sil D’Àsumàre, que tem sua trajetória marcada pela difusão dos conhecimentos da cultura africana em Alagoas. Para ele, o espaço dado ao seu povo representa empoderamento e reconhecimento de uma história marcada por lutas contínuas.
“É uma luta ferrenha pela visibilidade dos povos de terreiro; nossa trajetória é de enfrentamento. Então, é de suma importância essa visibilidade e esse empoderamento do povo negro e do povo de terreiro dentro da Bienal. Nós não cultuamos o mal, como muitos pensam. Somos um povo que traz, há milênios, uma cultura ancestral, uma cultura de conhecimento, de respeito e de manipulação sagrada dos elementos da natureza”, reforçou Pai Sil D’Àsumàre.
Já a Mãe de Santo Flávia de Oyá Gbale não conteve a emoção ao ver seu rosto ao lado de tantos irmãos de santo que, junto dela, vêm há anos conquistando mais espaços para exercer e afirmar sua fé.
“Ver minha foto ali foi uma alegria enorme, sabe? Porque é uma luta de resistência pela nossa liberdade. E poder ter esse espaço é muito importante para o povo de terreiro. Na verdade, é mais um marco na nossa história — na história do povo negro, do povo de axé, do nosso povo africano, que veio pra cá, trouxe sua luta e até hoje continua lutando por essa liberdade”, disse Mãe Flávia, emocionada.
Para o Pai de Santo Manoel do Xoroquê Legionirê Nito Xoroquê, a homenagem é uma forma de cultivar ainda mais as raízes às quais ele dedica amor e fé há mais de 42 anos.
“Só tenho a agradecer a todos que estão organizando essa festa e esses títulos para os homenageados. Esse tema precisava ser trazido para um evento como este há bastante tempo. Estou estarrecido, até agora, com essa homenagem. Que Olorum possa abençoar a todos”, afirmou o sacerdote.
Quem quiser conhecer os nomes, rostos e trajetórias de todos os homenageados pode visitar o painel “Resistência e Liberdade”, disponível ao longo de toda a Bienal Internacional do Livro de Alagoas. O evento está de portas abertas e preparado para receber o público.
Sobre a Bienal
A 11ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas acontece de 31 de outubro a 9 de novembro, é realizada pela Universidade Federal de Alagoas e pelo governo de Alagoas, com correalização da Fundação Universitária de Desenvolvimento de Extensão e Pesquisa (Fundepes) e patrocínio do Senac e do Sebrae Alagoas.
Sob a curadoria do professor Eraldo Ferraz, diretor da Edufal, o maior evento cultural e literário do estado também tem como parceiros a plataforma de eventos Doity, a rede de Hotéis Ponta Verde, o Sesc, a Prefeitura de Maceió e o Instituto Federal de Alagoas (Ifal), além das secretarias de Estado da Cultura e Economia Criativa (Secult), de Turismo (Setur) e de Comunicação (Secom) de Alagoas.
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