Sorriso de Plantão leva arte e alegria a pacientes hospitalizados
Projeto leva diversão, entretenimento e esperança aos internos de seis hospitais públicos de Maceió
Janaína Farias - jornalista / Renner Boldrino - fotógrafo
Eles andam em grupo e espalham alegria por onde passam. São verdadeiros doutores em arrancar sorrisos e possuem até nome e sobrenome: Sorriso de Plantão. Durante a 11ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas, o estande do projeto encantou o público ao apresentar uma iniciativa que, há mais de duas décadas, transforma o ambiente hospitalar com leveza, arte e bom humor.
Criado para levar conforto emocional a pacientes de todas as idades, o Sorriso de Plantão mostra que um gesto simples, como um sorriso, pode ser tão poderoso quanto um remédio no processo de cura.
A coordenadora do projeto, Maria Rosa, que atua como palhaça de hospital há 23 anos, explicou que a iniciativa é vinculada à Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), em parceria com a Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (Uncisal). Segundo ela, atualmente o grupo reúne 142 estudantes das áreas de saúde, humanas e exatas.
“Qualquer estudante de universidade pública ou privada pode participar do processo seletivo. Atuamos em seis hospitais públicos da cidade, atendendo crianças, adultos e idosos, inclusive em setores fechados, como UTI e queimados”, contou Maria Rosa.
A coordenadora destacou ainda que o objetivo principal do projeto é levar alegria, entretenimento e esperança a quem está em tratamento. Ela explicou que as intervenções incluem apresentações artísticas, música, brincadeiras e estímulo à leitura, como o chamado foguete da leitura e afirmou ainda que o trabalho tem um impacto emocional importante tanto nos pacientes quanto nos profissionais de saúde.
Rosa disse que, embora o grupo não possa afirmar que cura pessoas, acredita que o bom humor e o acolhimento contribuem no processo de recuperação: “A gente dá uma injeção de ânimo, uma dose de bom humor e esperança de dias melhores”, ressaltou. “Mesmo em situações de finitude, ajudamos a família a ter uma lembrança boa diante de tanto sofrimento”, contou.
A estudante de fonoaudióloga Maria Eduarda Bispo, aluna da Uncisal e integrante do projeto, conhecida como “Dra. Duquezinha”, afirmou que a experiência é transformadora: “Nós vamos todos os sábados em seis hospitais diferentes para alegrar o dia das crianças, dos idosos e dos acompanhantes. É um projeto de muito amor, que faz diferença na nossa vida e na vida das pessoas que encontramos”, contou.
Outra integrante do projeto, Karen Vitória, estudante de Medicina da Ufal, conhecida como “Dra. Analógica”, destacou o quanto participar do projeto tem sido marcante em sua trajetória: “O intuito do nosso projeto é levar alegria para as crianças hospitalizadas que estão fragilizadas. Vamos lá para que elas se sintam cuidadas e amadas”, afirmou Karen.
Maria Eduarda explicou que é de outro estado, e que ao ingressar na universidade, conheceu o Sorriso de Plantão e se encantou pela proposta: “Foi como se o projeto tivesse sido feito para mim. Estar convivendo com todas aquelas pessoas hospitalizadas todos os sábados e vir aqui hoje falar sobre isso é muito gratificante, porque todo mundo deveria conhecer como é o projeto”, afirmou Maria Eduarda.
Para Karen, é importante ocupar outros espaços e outros lugares para que o projeto se torne mais conhecido: “Acho importante ocupar outros espaços e mostrar o nosso trabalho. Assim, mais pessoas conhecem o projeto e passam a olhar de forma diferente para as crianças hospitalizadas”, disse.
Documentário
Durante a Bienal, foi apresentado o documentário Sorriso de Plantão, que retrata a história e o impacto do projeto, além de expor dois livros: Sorriso de Plantão Por Trás do Nariz Vermelho e Universo Literário da Palhaçaria Hospitalar, ambos organizados por Maria Rosa, com participação de outros colaboradores.
“Quando eu chego a um posto de enfermagem e pergunto qual é a música, e o funcionário canta ou ri, aquele ambiente já muda. É uma terapia também para eles”, destacou.
Estande
O estande também oferece e-books gratuitos e materiais informativos com QR Code para quem quiser conhecer mais sobre o trabalho: “Vale a pena visitar e descobrir como o riso e a arte podem transformar vidas”, concluiu a coordenadora.
Sobre a Bienal
A 11ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas acontece de 31 de outubro a 9 de novembro, é realizada pela Universidade Federal de Alagoas e pelo governo de Alagoas, com correalização da Fundação Universitária de Desenvolvimento de Extensão e Pesquisa (Fundepes) e patrocínio do Senac e do Sebrae Alagoas.
Sob a curadoria do professor Eraldo Ferraz, diretor da Edufal, o maior evento cultural e literário do estado também tem como parceiros a plataforma de eventos Doity, a rede de Hotéis Ponta Verde, o Sesc, a Prefeitura de Maceió e o Instituto Federal de Alagoas (Ifal), além das secretarias de Estado da Cultura e Economia Criativa (Secult), de Turismo (Setur) e de Comunicação (Secom) de Alagoas.
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