Temas de interesse social pautam lançamentos da Edufal
Eraldo Ferraz em conversa com autores que lançaram seus livros

Temas de interesse social pautam lançamentos da Edufal

Livros tratam das mais diversas temáticas, desde a análise da população de rua até a racialização da desinformação no Brasil

Kamylla Lima - jornalista / Jônatas Medeiros - fotógrafo

Pensar o mundo sob a perspectiva acadêmica, transformar análises em livros e levar à sociedade conhecimento que instigue o debate e promova transformação. Foi com esse propósito que os lançamentos da Editora da Universidade Federal de Alagoas (Edufal), na noite do sábado (1º), colocaram em evidência temas de forte relevância social na 11ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas.

No estande da Edufal, Cícero Pereira apresentou Sementes da resistência: território e afirmativas da identidade Jirinpakó, obra que dá voz a 4.235 Jirinpakós — povo indígena do Sertão de Alagoas ainda invisibilizado pelas políticas públicas: “Trago um pouco das lutas territoriais do meu povo e dos povos indígenas do Nordeste, da cultura, da memória e da tradição, com seus principais pontos de resistência. É uma oportunidade de conhecer nossa realidade e compreender como essas afirmativas sustentam nossas identidades e enfrentamentos aos preconceitos raciais, étnicos e culturais”, explicou o autor.

A pesquisadora Cíntia Ribeiro lançou Matrizes de sentidos coloniais: um estudo interseccional sobre a racialização da desinformação no Brasil, no qual investiga como raça, classe e gênero impactam a forma como determinados corpos são representados e silenciados nos discursos públicos. “A gente precisa ressignificar e dar nome às coisas. Nossos corpos são desinformados social, histórica e culturalmente. Na perspectiva da linguagem, isso é algo muito violento”, destacou.

A questão da violência infantil também foi abordada na obra Brincar e proteger: prevenção à violência contra crianças, de Ana Caroline Silva e Paula Orchiucci. A proposta é discutir o tema a partir da ludicidade, envolvendo as próprias crianças nas ações de conscientização: “Enquanto houver violência contra crianças, precisarão existir pesquisas que investiguem e busquem formas de prevenção. Por isso pensamos em uma abordagem que as envolvesse, que as informasse e fizesse com que elas também fossem capazes de se proteger”, explicou Ana Caroline.

Já João Paulo Vasconcelos, servidor público e pesquisador, apresentou Nada para nós, sem nós!: pessoas em situação de rua e a luta por direitos em Maceió-AL. A obra, adaptada de sua dissertação de mestrado, traz uma análise sociológica e jurídica sobre a realidade da população em situação de rua na capital alagoana.

“O livro parte da realidade dessas pessoas para discutir categorias sociojurídicas e refletir sobre políticas públicas. A ideia é que sirva de base teórica para novos estudos e para o aprimoramento das ações voltadas a esse público”, destacou. Segundo o autor, as políticas públicas precisam ir além do assistencialismo. “O acolhimento deve ser temporário, mas acaba se tornando permanente. É necessário investir em políticas estruturantes — de moradia, trabalho e renda — para garantir uma transformação real”, defendeu João Paulo.

Sobre a Bienal

A 11ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas é realizada pela Universidade Federal de Alagoas e pelo governo de Alagoas, com correalização da Fundação Universitária de Desenvolvimento de Extensão e Pesquisa (Fundepes) e patrocínio do Senac e do Sebrae Alagoas.

Sob a curadoria do professor Eraldo Ferraz, diretor da Edufal, o maior evento cultural e literário do estado também tem como parceiros a plataforma de eventos Doity, a rede de Hotéis Ponta Verde, o Sesc, a Prefeitura de Maceió por meio da Secretaria Municipal da Educação (Semed) e o Instituto Federal de Alagoas (Ifal), além das secretarias de Estado da Cultura e Economia Criativa (Secult), de Turismo (Setur) e de Comunicação (Secom) de Alagoas.

Acompanhe as novidades da Bienal 2025 por meio do site oficial e também pelas redes sociais com o perfil @bienaldealagoas no InstagramThreads Facebook.

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