Usina Ciência apresentou seu trabalho em mesa-redonda
Usina Ciência apresentou seu trabalho em mesa-redonda

Usina Ciência apresentou seu trabalho em mesa-redonda

Monitores falaram sobre suas experiências, objetivos e métodos de trabalho aplicados nos shows

Jacqueline Batista - jornalista

A Usina Ciência da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) esteve presente na última edição da Bienal Internacional do Livro com a mesa-redonda A Usina Ciência e as contribuições dos shows na formação dos estudantes do estado de Alagoas, que aconteceu no último dia 4 de novembro. Durante o encontro, os monitores falaram sobre suas experiências, objetivos e métodos de trabalho aplicados nos shows.

A apresentação também contou com a participação da coordenadora da Usina Ciência (UC), Patrícia Siqueira e da vice-coordenadora, Monique Ângelo, além de Stephany Messias, graduanda em Química e bolsista de iniciação tecnológica.

“É importante falar dos equipamentos da Universidade enquanto potência de extensão do conhecimento para toda comunidade escolar, entre outros segmentos da sociedade. A maioria do público da Usina é estudante da rede pública e privada de ensino, não apenas de Alagoas, como também de outros estados. A UC promove a popularização da ciência para ampliar a formação por meio de experiências interativas” disse a coordenadora.

Patrícia também destacou alguns planos para o próximo ano. “Estamos com projetos de parcerias com outras instituições. Temos ideias, especialmente para o público da Educação Infantil,  de outras formas de divulgação do conhecimento científico. A criança tem uma potência investigativa muito grande de explorar o mundo. O professor, quando tem o entendimento dessa potência, dessa aprendizagem em desenvolvimento, vai aproveitar todas as oportunidades desde a educação infantil até ensino médio e superior”, salientou.

A coordenadora ressaltou que os professores da Universidade  também podem desenvolver projetos com a Usina, a partir dos conhecimentos das áreas em que atuam. Patrícia destacou uma das atividades desenvolvidas pela UC.

“Realizamos um projeto bianual que se chama Usina Ciência Mais Divertida. Temos atrelado o conhecimento científico de uma forma mais dinâmica, mais próxima. Quando chega nos anos finais, o aluno costuma perder o interesse pela Ciência. Muitas vezes, é uma metodologia de ensino que desmotiva. A Usina tem, por meio das aulas shows, uma abordagem que não apenas facilita a aprendizagem de conceitos científicos, mas também desenvolve habilidades essenciais para a comunicação e mediação científica”, contou.

Reconhecimento grande

Patrícia relatou algumas das ações da Usina na colaboração com o ensino e a aprendizagem: “As atividades envolvidas são as aulas shows, apoio a eventos em Feira de Ciências, elaboração de materiais didáticos, oficinas e palestra, os monitores fazem mediação em exposições científicas. Nos 35 anos de existência, a Usina tem uma história de muitas contribuições, um reconhecimento grande em Alagoas”, afirmou.

A coordenadora disse, ainda, que neste ano, até o mês de outubro, a Usina recebeu, aproximadamente, 4300 visitantes de escolas públicas e privadas. “Existe uma demanda reprimida na visitação. A expectativa é ampliar o número de visitas para contemplar mais escolas. A Usina é um ponto de referência na educação. Estamos nesse processo de parcerias para a melhoria da infraestrutura. Já começamos, obtivemos melhorias para alguns dos espaços. A ideia é trazer projetos para conseguir ampliar as ações”, destacou Patrícia.

Os monitores fizeram relatos da contribuição da Usina Ciência para os estudantes que circulam o espaço, mostraram de que modo a prática da monitoria tem contribuído na disseminação do conhecimento científico para os estudantes e como a experiência tem ajudado a formação acadêmica dos próprios monitores. Lucas Lins, um dos monitores de Química da Usina demonstrou empenho em contribuir com a disposição dos alunos em aprender a disciplina. “Temos o objetivo de tornar a Química acessível, interessante e inspiradora para os nossos estudantes, visando futuros cientistas, ao ver a Química de maneira prática”, disse.

Possibilidades mágicas

O universitário explicou que os monitores precisam utilizar recursos para o show para atrair o interesse dos visitantes. “Geralmente, as pessoas têm uma ideia que o show de Química é apenas uma sequência de experimentos, mas não é assim. O show vai demandar uma experiência multimodal, que vai seguir a visualidade de impacto, a teatralidade, visando a linguagem acessível, já que recebemos alunos de diversas idades. Habilidades importantes no show de Química são a comunicação, o planejamento e  a criatividade. A gente pode mostrar aos alunos que são possibilidades mágicas para eles ficarem fascinados com essa ciência”, revelou.

Guilherme Rodrigues, outro monitor de Química, falou sobre o show, destacando as características pedagógicas. Ele explicou que os espaços não formais são extensões das salas de aula, onde não há uma aula propriamente dita, mas tem características didáticas para auxiliar o que é dado na sala de aula. “O objetivo desses espaços é estimular a participação ativa e a curiosidade dos alunos, podendo estar ligado ao cotidiano e as experiências”, explicou.

O monitor revelou como faz para contribuir com o trabalho do professor que visita a Usina. “Apesar de boa parte dos experimentos que fazemos não serem com materiais acessíveis, tentamos mostrar experimentos acessíveis ou alternativos porque muitos professores, que levam os alunos, costumam perguntar como fazer o experimento na escola. Nos preparamos para oferecer ao professor uma alternativa de baixo custo, que envolve o mesmo tipo de reação. Às vezes, os professores estão aplicando determinado conteúdo e perguntam se há algum experimento que esteja envolvido com esse assunto. Buscamos também aplicar esse tipo de experimento, que possa auxiliar no conteúdo que o professor está trabalhando na sala de aula”, destacou.

Letícia Ferreira, uma das monitoras de Geografia e Astronomia falou sobre a experiência com os visitantes e sobre o processo para levar alguns dos elementos utilizados nos shows. “As crianças e os adultos adoram a sala de Astronomia. O nosso foco é compreender os fenômenos científicos de forma prática e visual. Parte do material de Geografia que temos hoje, a gente precisou ir a campo, fazer análise. Fizemos também um vulcão, que quando as crianças entram na sala, é a primeira coisa que veem, vão para a mesa, mexem nele”, contou ela.

Para conquistar os alunos e levá-los a ter interesse pela Geografia, as monitoras utilizam alguns truques. “Aprendemos que para conquistar os alunos na Geografia, temos que levá-los primeiramente para a Astronomia. É uma sala bem didática, tem um painel, que explica sobre toda a formação do universo, mostramos os planetas, as galáxias, temos o sol, que é o show principal. A partir da Astronomia, introduzimos a área de Geografia”, disse.

Necessidade da criança

Quando há visitas com alunos neurodivergentes, os monitores adaptam as apresentações com o objetivo de não causar desconforto nesses alunos. “Buscamos ter uma sensibilidade e modificar o que é preciso, de acordo com a turma, com a criança,  porque chegam alunos com autismo, que não podem ouvir barulho. Como temos shows que fazem barulho, modificamos de acordo com a necessidade da criança”, salientou Letícia.

Ainda segundo ela, o aprendizado com a Usina também se estende ao monitor, auxiliando nos estudos da Universidade. “A Usina me deu uma experiência muito boa, de verdade. Aprendo muita coisa lá e coloco em prática muito do que aprendo no meu curso”, disse.

Democratizar a tecnologia

Monique Ângelo, que também é professora do curso de Química da Universidade,  ressaltou o  objetivo de introduzir a tecnologia no equipamento e destacou o propósito de democratizar a tecnologia, assim como também deve ser o conhecimento, não podendo o acesso ser restrito às escolas particulares. “Fizemos um trabalho de incorporação tecnológica na Usina Ciência. A educação não pode ficar de fora desse processo em que a sociedade está cada vez mais inserida no mundo digital. Para a Usina acompanhar essa dinâmica, trabalhamos algumas estratégias de incorporação tecnológica no contexto da Usina”, explicou.

Stefany Messias, aluna de Química e orientanda da professora Monique no Programa Institucional de Bolsas de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (Pibiti), explicou a diferença entre realidade virtual imersiva, não imersiva, semi-imersiva e a colaborativa. A estudante, que desenvolve o projeto Incorporação de realidade virtual e aumentada nas atividades de difusão e o popularização de conhecimentos científicos e tecnológicos da Usina Ciência da Ufal, mostrou o potencial da utilização da realidade virtual em simulações na área da medicina, no uso na arquitetura e na engenharia, ressaltando que na Educação também há espaço para essa técnica.

“Na Educação, a realidade virtual não fica para trás. A nossa proposta é trazer a realidade virtual, a realidade aumentada para os shows de Química, fazendo interação com o estudante”, disse.

Ao final, o público participou de uma demonstração prática do trabalho desenvolvido por Stefany, interagindo com os marcadores para reconhecimento de objetos. Quando é feita a interação dos dois objetos utilizados, é formada uma reação química. Uma das pessoas que estavam na plateia, a guia de Turismo Fabrícia Barreto, contou que havia visitado recentemente a Usina Ciência e ficou muito entusiasmada com o trabalho desenvolvido durante os shows. “Eu parecia uma criança revivendo os tempos do fundamental. Vocês estão de parabéns pelas apresentações”, disse.

Sobre a Bienal

A 11ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas é realizada pela Universidade Federal de Alagoas e pelo governo de Alagoas, com correalização da Fundação Universitária de Desenvolvimento de Extensão e Pesquisa (Fundepes) e patrocínio do Senac e do Sebrae Alagoas.

Sob a curadoria do professor Eraldo Ferraz, diretor da Edufal, o maior evento cultural e literário do estado também tem como parceiros a plataforma de eventos Doity, a rede de Hotéis Ponta Verde, o Sesc, a Prefeitura de Maceió por meio da Secretaria Municipal de Educação (Semed) e o Instituto Federal de Alagoas (Ifal), além das secretarias de Estado da Cultura e Economia Criativa (Secult), de Turismo (Setur) e de Comunicação (Secom) de Alagoas.

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