Visita guiada: experiência inclusiva para deficientes visuais
Ação amplia acesso e torna evento cada vez mais inclusivo - Foto: Adriano Arantos

Visita guiada: experiência inclusiva para deficientes visuais

Com audiodescrição e acompanhamento especializado, ação transforma a Bienal em um espaço de inclusão sensorial

Janaína Farias - jornalista / Renner Boldrino - fotógrafo

A Bienal Internacional do Livro de Alagoas ganhou um novo olhar sobre o conceito de inclusão. Nesta edição, a Secretaria de Estado da Cidadania e da Pessoa com Deficiência (SECDEF) promoveu uma visita guiada para pessoas com deficiência visual, em parceria com a Escola Estadual Cyro Accyoli.

A ação, que reuniu cerca de 20 alunos cegos, teve como objetivo proporcionar uma vivência sensorial e acessível dentro do maior evento literário do estado e foi acompanhada por autoridades da SECDEF e representantes engajados nas causas voltadas à inclusão e aos direitos das pessoas com deficiência, além do coordenador geral da 11ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas, Eraldo Ferraz, que pontuou como a edição mais inclusiva do país.

De acordo com Mariana Alves, gerente de Promoção e Políticas para Pessoas com Deficiência da SECDEF, a iniciativa busca garantir o direito à participação plena das pessoas com deficiência visual em eventos culturais.

“O objetivo central dessa visita guiada é a inclusão. Queremos proporcionar uma experiência verdadeiramente inclusiva, em que os participantes possam ver  a Bienal de outra forma, a partir do que sentem, do que escutam”, explicou.

Programação adaptada

Durante a programação, os visitantes assistiram a um curta-metragem com audiodescrição, recurso que narra em detalhes as cenas e o ambiente, e depois percorreram os estandes com o auxílio de profissionais capacitados e equipamentos de áudio.

Mariana destacou que a ideia é fazer com que os visitantes consigam compreender o espaço da Bienal em sua totalidade. “Eles recebem as descrições dos estandes, das cores, do ambiente, das pessoas, e até são guiados caso queiram comprar algum livro específico. É uma oportunidade de viver a Bienal como qualquer outra pessoa, com autonomia e dignidade”, afirmou.

A gerente ressaltou ainda que esta edição da Bienal é, segundo ela, a mais inclusiva do Brasil, com a presença de espaços voltados para diferentes públicos. Entre os destaques estão a Sala Sensorial, pensada para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e neurodivergentes, e o Espaço Gustavo Amorim, criado em homenagem ao servidor da secretaria que era cego, jornalista e escritor.

“O Gustavo sempre dizia que a inclusão vai além das rampas e das leis. Ela está no olhar humano, no reconhecimento de que no mundo cabe todas as pessoas. É isso que estamos promovendo aqui”, completou Mariana. A audiodescritora Lívia Pedrosa, responsável por acompanhar a visita, explicou que o recurso é essencial para garantir a compreensão do ambiente por parte das pessoas cegas ou com baixa visão.

“A audiodescrição é uma tradução em palavras do que está sendo visto. Descrevemos os espaços, as cores, as texturas, os detalhes que compõem o ambiente, para que os visitantes possam construir uma imagem mental da Bienal”, contou.

Acessibilidade em alta

Segundo Lívia, o serviço de audiodescrição foi oferecido exclusivamente durante as visitas guiadas organizadas pela SECDEF, e complementa outros recursos de acessibilidade disponíveis no evento, como intérpretes de Libras e oficinas de língua de sinais. Entre os participantes da visita estava Cecília Santos, estudante de jornalismo e aluna da Escola Estadual Cyro Accioly. Ela relatou que a experiência foi única e enriquecedora.

“Foi maravilhoso. A gente assistiu a um curta-metragem com audiodescrição e depois percorremos os estandes sabendo exatamente onde estávamos. É como se a gente realmente estivesse enxergando”, contou. Cecília destacou que a visita foi uma das experiências mais marcantes que já teve em um evento literário. Ela explicou que, durante o percurso, conseguiu compreender o espaço da Bienal com a ajuda das descrições detalhadas feitas pela equipe.

“Conforme a gente vai andando, vai sabendo onde está cada estande, de onde é. Como a audiodescritora explicava tudo, a gente sente a sensação de que realmente está enxergando”, afirmou.
A estudante dá mais detalhes da visita guiada. “Você não anda aleatoriamente. Você sabe exatamente onde está, aqui é o estande da UFAL, ali é outro. A experiência foi ótima, muito boa mesmo”, relatou, com entusiasmo.

Durante a visita Cecília ainda teve a oportunidade de aprender um pouco mais com o recurso pedagógico cela braille, que é uma unidade básica do sistema de escrita e leitura em braille e folheou alguns livros adaptados.

O serviço de audiodescrição oferecido pela SECDEF está disponível para todos os visitantes da Bienal. As visitas guiadas também contemplam as pessoas surdas, pois, além da audiodescrição, contam com a presença de intérpretes de Libras, garantindo acessibilidade comunicacional e promovendo uma experiência inclusiva para todos os públicos.

Sobre a Bienal

A 11ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas é realizada pela Universidade Federal de Alagoas e pelo governo de Alagoas, com correalização da Fundação Universitária de Desenvolvimento de Extensão e Pesquisa (Fundepes) e patrocínio do Senac e do Sebrae Alagoas.

Sob a curadoria do professor Eraldo Ferraz, diretor da Edufal, o maior evento cultural e literário do estado também tem como parceiros a plataforma de eventos Doity, a rede de Hotéis Ponta Verde, o Sesc, a Prefeitura de Maceió por meio da Secretaria Municipal de Educação (Semed) e o Instituto Federal de Alagoas (Ifal), além das secretarias de Estado da Cultura e Economia Criativa (Secult), de Turismo (Setur) e de Comunicação (Secom) de Alagoas.

Acompanhe as novidades da Bienal 2025 por meio do site oficial bienal.ufal.br/2025 e também pelas redes sociais com o perfil @‌bienaldealagoas no Instagram, Threads e Facebook.

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