Abertura enaltece o legado africano na cultura brasileira
Única Bienal promovida por uma universidade pública no país acontece no Centro de Convenções de Maceió e tem entrada gratuita
Kamylla Lima – jornalista / Renner Boldrino e Jônatas Medeiros - fotógrafos
O canto para Exu deu o pontapé da 11ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas. Abrindo os caminhos para o início do evento, a saudação ao orixá da comunicação entre os seres humanos e os orixás marcou, na noite desta sexta-feira (31), a abertura do maior evento literário, cultural, artístico e social do estado. Com o tema Brasil e África ligados culturalmente nos seus ritos e raízes, a iniciativa promovida pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal) é a única no país com entrada gratuita.
Com a presença de lideranças religiosas de matriz africana, a Bienal celebra o início de uma jornada literária pautada pela quebra de preconceitos e a edição 2025 homenageia os países africanos de língua oficial portuguesa: Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique e São Tomé e Príncipe.
O curador da Bienal e diretor da Editora da Universidade Federal de Alagoas (Edufal), Eraldo Ferraz, agradeceu aos parceiros que ajudaram a fazer mais uma Bienal e a todos os que estão trabalhando no evento.
“Eu sou carnavalesco e a Bienal, para mim, é como uma escola de samba com várias alas. Cada ala tem um propósito e um grupo de colaboradores. Nesta noite, colocamos a escola de samba na avenida, com várias atividades, mesas-redondas, palestras, rodas de conversa, entrega do Prêmio Graciliano Ramos, título honorífico, oficinas, minicursos, encontros, seminários e, naturalmente, lançamentos de livros de autores alagoanos, estandes de venda e muito mais”, disse ele.
O deputado federal Paulo Fernando dos Santos, o Paulão, que viabilizou uma emenda para a realização desta edição da Bienal, ressaltou o simbolismo de celebrar o tema África em um evento literário de caráter internacional.
“É um evento para pessoas de todas as idades, mas, principalmente, para os jovens, que terão a oportunidade de aprender com quem tem mais experiência. Contamos com a presença de Mãe Neide, Mãe Miriam e Pai Célio, mostrando que a cultura popular e a ancestralidade estão dialogando com a academia. Essa simbiose é fundamental para um processo histórico de reparação”, afirmou.
Celebração
O vice-governador de Alagoas, Ronaldo Lessa, destacou que o evento cresce e se fortalece a cada edição. “A glória do evento está na universidade e em todos que sabem e procuram cada vez mais buscar a esperança de poder se identificar. A Bienal é o momento em que o alagoano se coloca de todas as formas. Não é só pelo livro — está aqui a dança, a música e a arte. É a Bienal que faz a gente se encontrar, que faz a gente ser gente, ter honra do nosso passado e reconhecer nossos ancestrais. É necessário olhar para trás para que possamos fazer inclusão social", salientou.
Já o reitor da Ufal, Josealdo Tonholo, afirmou que esta Bienal é diferente e veio dar voz para todos: aos 400 pesquisadores de Alagoas que vão publicar livros durante o evento, aos estudantes de iniciação científica, acadêmicos e alunos do ensino fundamental e médio.
“Essa Bienal também dá voz àqueles que não puderam se expressar 40 ou 50 anos atrás, na época da ditadura militar. Mais do que isso, é nessa Bienal que pedimos perdão à gente alagoana por termos nos calado naqueles momentos difíceis. Essa Bienal traz a voz da África, a voz daqueles que tiveram o orgulho quebrado lá atrás e que continuam sendo quebrados a cada dia no lombo de cada preto e de cada preta deste estado. É a Bienal da música, do livro, da arte, da cidadania, daqueles que vêm para ler, aprender, estudar, ter cultura e educação transformadora. Cidadania, liberdade e educação — educação transforma, e é isso que estamos fazendo na Bienal”, festejou.
Sobre a Bienal
A 11ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas é realizada pela Universidade Federal de Alagoas e pelo governo de Alagoas, com correalização da Fundação Universitária de Desenvolvimento de Extensão e Pesquisa (Fundepes) e patrocínio do Senac e do Sebrae Alagoas.
Sob a curadoria do professor Eraldo Ferraz, diretor da Edufal, o maior evento cultural e literário do estado também tem como parceiros a plataforma de eventos Doity, a rede de Hotéis Ponta Verde, o Sesc, a Prefeitura de Maceió e o Instituto Federal de Alagoas (Ifal), além das secretarias de Estado da Cultura e Economia Criativa (Secult), de Turismo (Setur) e de Comunicação (Secom) de Alagoas.
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