Para sustentar o título de “Internacional”, a bienal alagoana reforçou os laços lusitanos e fez de Portugal o país homenageado, inclusive com a presença do então cônsul honorário de Portugal em Maceió, Edgard Barbosa.
Entre as atrações internacionais estiveram em Alagoas o sociólogo português Boaventura Santos; o poeta, ensaísta e curador de arte Luís Serguilha (nascido português e radico recifense); Catherine Dumas, atuante política e professora de Língua e Literatura na Universidade da Sorbonne Nouvelle Paris; Rumen Stoyanov, político, engenheiro , físico e economista búlgaro; e Alberto Filipe Araújo, autor e co-autor de numerosos trabalhos, em Portugal e no estrangeiro, dedicados ao tema do Imaginário e Imaginário Educacional.
Na lista de escritores e pensadores brasileiros com obras de alcance nacional, que passam pela bienal de 2013, estão nomes como Affonso Romano de Sant'Anna, Jessier Quirino, Emir Sader, Maitê Proença, Laura Müller, Bia Bedran e Paula Pimenta.
Já Frei Betto, ampliou o sucesso de público da participação na I Bienal do Livro e da Arte de Alagoas, em 1998. Quinze anos depois ele volta a Maceió e lota os 1.251 lugares do Teatro Gustavo Leite, onde falou sobre os grandes conflitos de valores da sociedade pós-moderna que afeta, diretamente a família, a escola, o Estado e a Igreja.
“Enquanto a minha geração tinha como referências pessoas altruístas, como por exemplo, Jesus, Francisco de Assis, Mandela, Che Guevara, as referências da garotada hoje são cantores, artistas da novela, piloto de fórmula um ou jogador de futebol. Podem ser pessoas talentosas, mas o que é que elas estão fazendo pelos outros e para tornar o mundo melhor?”, questionou.
Religioso e um dos mais produtivos pensadores brasileiros, ele é autor de mais de 70 livros, incluindo obras infantis, religiosas, romances, ensaios e livros sobre espiritualidade e política. Já recebeu importantes prêmios literários, como o Prêmio Jabuti em 1982 por "Batismo de Sangue" e o Prêmio Juca Pato em 1985 por "Fidel e a Religião". Seus livros abordam temas como espiritualidade, política, direitos humanos e questões sociais, dialogando com a teologia, a filosofia e o jornalismo.
Em Maceió afirmou, mais uma vez, sua crença na espiritualidade como caminho para o equilíbrio e uma existência feliz num mundo tão conturbado. “Eu não estou falando de religião, estou falando de princípios subjetivos, de ética, de respeito. A família precisa desligar um pouco a TV, desligar um pouco a internet e se ligar mais, interagir mais”.
No cenário brasileiro, a bienal também apostou na pluralidade de manifestações artísticas como a música e a televisão. Dois músicos vieram compartilhar suas impressões e emoções da trajetória artística em confronto com os desafios da realidade social.
O cantor Humberto Gessinger, fundador da banda Engenheiros do Hawaii, também fez uma concorrida sessão de autógrafos (mais de 200 pessoas) no lançamento do segundo livro de crônicas, “Seis segundos de atenção”.
Em seus textos, o cantor, compositor e artista fala sobre o tempo e o processo de criação. “Um tempo que, às vezes, não se quer ter. Um tempo que não se pode controlar. Não é tão fácil quanto parece encontrar um instante mágico, o centro da originalidade, do talento, e manter a conexão com ele”.
Dois dias depois foi a vez do também músico Tico Santa Cruz, líder da banda Detonautas, chegar à bienal de Alagoas trazendo na bagagem o livro “Tesão”. Com direito a autógrafo e bate-papo com o público, ele explicou que o grande segredo dos textos é deixar que os leitores tentem descobrir quais das situações reveladas realmente aconteceram, quais foram as suas fantasias e quais ele deseja que se realizem.
Já a jornalista Lêda Nagle veio comemorar os 40 anos de carreira com o lançamento do livro "Com Certeza: Leda Nagle, melhores momentos". A obra reúne conversas com personalidades como Carlos Drummond de Andrade e Maria Bethânia, feitas no programa Sem Censura, da TV Brasil, que apresentou durante 20 anos, de 1996 a 2016.
Em Maceió, ela elogiou a persistência da Edufal em realizar uma bienal pública e gratuita. “Estou encantada com o fato de uma universidade federal promover a bienal em Alagoas. Acho que o caminho é esse. Eu tenho o maior carinho pelas iniciativas da academia”.
Com o tema “Descobrir nas palavras a magia dos sentidos”, em dez dias, a VI Bienal Internacional do Livro de Alagoas contabilizou 260 mil visitantes – entre eles 80 mil alunos –, 146 estandes, 22 mil títulos, 45 oficinas. A ambientação do Centro Cultural e de Exposições foi assinada pelos arquitetos os arquitetos Lúcio Moura e Luciano Brandão, que criaram o projeto a partir do intrínseco diálogo da cultura brasileira com a portuguesa.