Bate-papo sobre corpo e ancestralidade movimenta Bienal
Tina Calamba e Ana Carolina Toledo em bate-papo na Bienal 2025

Bate-papo sobre corpo e ancestralidade movimenta Bienal

Tina Calamba e Ana Carolina Toledo contaram trajetórias de vida e o processo criativo dos livros lançados este ano

Jamerson Soares - jornalista / Adriano Arantos - fotógrafo

O som dos tambores e os gritos de celebração ouvidos de fora da sala Jatiúca, no Centro de Convenções, deram o tom do encontro realizado nesta quinta-feira (6). Dentro da sala, por sua vez, a 11° Bienal Internacional do Livro de Alagoas reuniu duas mulheres que inspiram: a jornalista, escritora, modelo e ex-BBB angolana Tina Calamba e a escritora, pesquisadora e educadora Ana Carolina Toledo, ambas lançando obras recentes e compartilhando experiências sobre corpo e ancestralidade.

Sob mediação da pesquisadora e professora Renata Morais, o bate-papo contemplou diversos assuntos que atravessam a negritude, gênero e os múltiplos papéis sociais da mulher negra na sociedade, no trabalho e em casa. E a todo momento da discussão, podia-se ouvir o batucar de tambores, gritos efusivos de celebração, dando a entender que a Bienal tem reverberado a importância da presença afro-brasileira em Alagoas.

Vestida com uma bata africana azul e adornos tradicionais de sua terra,  Tina Calamba apresentou seu livro O Poder da Ousadia, obra autobiográfica em que narra sua trajetória de Angola ao Brasil, e abordou os desafios de ser uma mulher negra em diferentes contextos: “Com as características que eu tenho eu remo contra a maré”, afirmou a escritora. “Passei por anos de transição capilar até entender que os traços do meu corpo eram o que eu tinha de mais belo. Trabalhar com moda é um ambiente tóxico e estruturalmente machista. A realidade da mulher preta é marcada pelo não afeto e pelas dificuldades de inserção no mercado, até pelo cabelo", disse ela.

Ao seu lado, Ana Carolina Toledo apresentou o livro Rebola! – Educação afrocentrada emancipatória em movimento, em que propõe o rebolar como gesto político, pedagógico e libertador: “O meu rebolado vem dos meus batuques, do batuque da minha avó. Eu não vou parar de postar vídeo de shortinho rebolando”, afirmou com firmeza. “Ser pesquisadora de rebolado me aproxima de uma cultura jovem e popular. Tento dialogar com mulheres, negras e não negras, para que a gente consiga se articular, sem se podar, mas com consciência de como o machismo e o racismo tentam ferir nossos corpos", destacou.

Durante a conversa, o público participou ativamente. A professora de Educação Infantil, Gileide Rocha, de 55 anos, destacou a importância de ter referências como as escritoras: “Vim exclusivamente para ver Ana Carolina e Tina Calamba, porque me identifico com elas. Se eu tivesse conhecido mulheres como elas antes, eu teria enxergado o meu corpo de outra forma. Teria entendido que o meu corpo é meu e que os olhares não precisavam me incomodar", afirmou.

O bate-papo reforçou o papel transformador da literatura e da arte como instrumentos de emancipação e resistência. Entre batuques e palavras, as autoras fizeram ecoar vozes femininas negras que afirmam o poder da ousadia, do rebolado e da ancestralidade como caminhos para a liberdade.

Sobre a Bienal

A 11ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas é realizada pela Universidade Federal de Alagoas e pelo governo de Alagoas, com correalização da Fundação Universitária de Desenvolvimento de Extensão e Pesquisa (Fundepes) e patrocínio do Senac e do Sebrae Alagoas.

Sob a curadoria do professor Eraldo Ferraz, diretor da Edufal, o maior evento cultural e literário do estado também tem como parceiros a plataforma de eventos Doity, a rede de Hotéis Ponta Verde, o Sesc, a Prefeitura de Maceió por meio da Secretaria Municipal de Educação (Semed) e o Instituto Federal de Alagoas (Ifal), além das secretarias de Estado da Cultura e Economia Criativa (Secult), de Turismo (Setur) e de Comunicação (Secom) de Alagoas.

Acompanhe as novidades da Bienal 2025 por meio do site oficial e também pelas redes sociais com o perfil @‌bienaldealagoas no InstagramThreads Facebook. E para ver mais fotos sobre a cobertura da Bienal, acesse nosso Flickr e confira todos os detalhes do evento.

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