Cia La Casa emociona e provoca reflexão com peça "Negreiros”
Gi Silva e Abides Junior, atores da peça Negreiros, no palco do Teatro Gustavo Leite - Foto: Jônatas Medeiros

Cia La Casa emociona e provoca reflexão com peça "Negreiros”

Montagem propôs uma reflexão sobre o 13 de maio de 1888, Dia da Abolição da Escravatura no Brasil

Jamerson Soares - jornalista / Jonatas Medeiros - fotógrafo

A arte negra alagoana brilhou no palco do Teatro Gustavo Leite neste domingo (2), durante a programação da 11ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas. A companhia teatral Cia La Casa apresentou o espetáculo Negreiros, uma montagem potente que revisita a história da escravidão no Brasil e convida o público a refletir sobre o legado da abolição e o lugar do povo negro na sociedade contemporânea.

A peça parte de uma pergunta central: por que ainda é preciso falar sobre escravidão, abolição e ser negro em um país de maioria negra? Com dramaturgia intensa e corporalidade marcante, Negreiros propõe uma reflexão sobre o 13 de maio de 1888 — o dia oficial da abolição — e o “dia seguinte”, 14 de maio, quando o povo preto permaneceu sem reparação, sem direitos e à margem da cidadania.

Para o ator Abides Junior, a participação na Bienal foi carregada de simbolismo.

“Para a gente foi muito significativo, primeiro pelo próprio tema que a Bienal propõe esse ano. Negreiros vem justamente refletir esse tema que está sendo discutido. A gente fala sobre a questão negra no Brasil, sobre o que aconteceu depois do dia 13 (de maio), porque o que importa não é o dia 13, mas sim o dia 14 dessa abolição. Nosso espetáculo mostra que esse quebrar de correntes ainda continua. Foi maravilhoso participar da Bienal, principalmente com o tema Brasil-África. A presença e o retorno do público foram incríveis”, destacou Abides.

O ator Gi Silva também ressaltou a emoção de se apresentar no palco do Teatro Gustavo Leite, um dos mais importantes do estado.

“É uma alegria imensa fazer parte dessa Bienal. Negreiros tem tudo a ver com o tema deste ano. Quando soubemos que íamos apresentar aqui, a ansiedade foi grande, porque estamos pisando em um templo do teatro alagoano. A gente se preparou ao máximo para trazer o espetáculo e passar nossa mensagem da melhor forma possível”, disse.

Entre os espectadores, a recepção foi de emoção e reconhecimento. O servidor público Joel Rafael destacou a importância da obra para a educação e para o resgate histórico da população negra.

“O espetáculo retrata tanto a travessia do negro da África ao Brasil quanto a sua permanência aqui como escravizado. É uma história que deveria ser contada nas escolas, refletida com professores e alunos. A Cia La Casa representa não só a minha história, mas a história de todo o povo negro escravizado”, afirmou.

Com uma encenação vigorosa e simbólica, Negreiros reafirma o compromisso da Cia La Casa com o teatro engajado e a valorização da cultura afro-brasileira. A montagem dialoga diretamente com o tema da Bienal deste ano, Brasil-África: novas pontes, velhos caminhos, transformando o palco em espaço de memória, denúncia e celebração da resistência preta.

A apresentação da Cia La Casa encerrou o fim de semana da Bienal com uma mensagem poderosa: a abolição não foi o fim da luta, mas o início de uma longa caminhada por justiça, equidade e reconhecimento.

Sobre a Bienal

A 11ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas é realizada pela Universidade Federal de Alagoas e pelo governo de Alagoas, com correalização da Fundação Universitária de Desenvolvimento de Extensão e Pesquisa (Fundepes) e patrocínio do Senac e do Sebrae Alagoas.

Sob a curadoria do professor Eraldo Ferraz, diretor da Edufal, o maior evento cultural e literário do estado também tem como parceiros a plataforma de eventos Doity, a rede de Hotéis Ponta Verde, o Sesc, a Prefeitura de Maceió por meio da Secretaria Municipal de Educação (Semed) e o Instituto Federal de Alagoas (Ifal), além das secretarias de Estado da Cultura e Economia Criativa (Secult), de Turismo (Setur) e de Comunicação (Secom) de Alagoas.

Acompanhe as novidades da Bienal 2025 por meio do site oficial bienal.ufal.br/2025 e também pelas redes sociais com o perfil @‌bienaldealagoas no InstagramThreads e Facebook.

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