Em clima descontraído, Paulo Moreira bate-papo com público
Durante a conversa, artista falou sobre sua carreira, inspirações, internet e como passou a viver da “fama”
Paulo Canuto e Rodrigo Rocha - jornalistas / Jônatas Medeiros - fotógrafo
Paraibano de João Pessoa, o ilustrador Paulo Moreira participou na última quarta-feira (5) de uma bate papo durante a 11ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas. Com um jeito simples e à vontade, o artista conversou com o público sobre como começou, suas inspirações, seu trabalho atual e curiosidades.
Mais cedo, Paulo esteve na praça de autógrafos, recebendo o público para autografar seu mais novo trabalho Boca de Siri, obra essa que teve todos os exemplares esgotados no estande da Leitura, mas também assinou outros trabalhos como Bom dia Socorro e tirou fotos com fãs.
O comunicador Enio Lins ficou com a tarefa de mediar o bate-papo com Paulo e foi só elogios ao jovem artista: “Eu encaro esse bate-papo como uma aula que tive. Por quê? Apesar da diferença de idade, já que ele tem idade de ser meu filho, ele tem uma tecnologia que eu não conheço, certo? Que é a capacidade de comunicação eficiente e com muito talento na internet, nas redes sociais, no mundo digital”, comentou Enio, também ilustrador.
Durante a conversa, Enio disse que é muito importante que as ideias transitem no meio digital, até para combater as fake news, posições atrasadas, as ideias de extrema direita e da falta de humanidade que circulam com tanta força pela internet: “Quando a gente tem um trabalho como o do Paulo, que é um trabalho brilhante, um trabalho de forma e de conteúdo do mais alto nível, tendo a repercussão que ele tem, ultrapassa as fronteiras brasileiras. Isso, por si só, é uma lição muito grande, né?”, disse o veterano jornalista.
Cabe reforçar, que o bate papo teve tradução em Libras, o que reforçou o compromisso da Bienal com a acessibilidade e inclusão.
Trajetória
Fazendo um breve histórico da sua vida, Paulo Moreira contou um pouco de sua trajetória, desde criança, quando sua mãe que era professora e lhe dava papel e canetas coloridas para desenhar, e contou uma curiosidade: é técnico em edificações, algo que exerceu por muito, muito pouco tempo.
“Eu sou técnico em edificações, o que é que eu lembro hoje em dia? Nada. Tipo, eu sei fazer um um corte, uma fachada, desenhar uma planta, alguma coisa assim, mais ou menos assim, sabe? Mas eu entrei porque eu sabia desenhar”, disse.
Paulo também contou que pensou em fazer engenharia, arquitetura e tudo que envolvia o desenho, mas foi quando descobriu o curso de mídias digitais onde conseguiu se aproximar de sua vocação. Ele contou que começou mostrando seu trabalho para amigos, e em tom descontraído, disse que era uma “leseira”, mas que seus amigos riam: “Depois eu comecei mostrar (os desenhos) para mais pessoas, nisso eu vi que mais pessoas poderiam achar essa leseira engraçada”, contou, em tom de brincadeira.
Em meio à sua explanação, o artista entendeu que não era uma palestra e achou melhor realmente fazer um bate-papo. A partir daí, toda a atividade se norteou por perguntas e respostas. Processo criativo, referências, curiosidade, preferências políticas, estratégias de comunicação, lançamentos futuros e resenhas.
Vivendo da "fama"
Muito à vontade com as perguntas e com o público, Paulo ria bastante em sua espontaneidade. Quando perguntado sobre apoio familiar, ele foi ainda mais cômico: “Minha mãe mesmo só começou a aceitar que eu era artista, desenhista, quando comecei a pagar meu aluguel sozinho. Foi quando ela realmente aceitou e apoiou”, contou rindo.
Ainda houve espaço para falar sobre projetos futuros e sobre seus lançamentos Bom dia Socorro, feito a partir das interações em grupo de “zap” da sua família; e Boca de Siri, seu trabalho mais recente criado a partir de suas andanças de bicicleta por João Pessoa e da notícia de uma obra de ampliação da faixa de areia de uma praia da capital paraibana. Bem aleatório, como ele mesmo conta.
Se dependesse do público, a conversa duraria a noite inteira, e por ele, também. Uma pergunta que se destacou foi quanto a ampliar seu projetos para “campos maiores”, como ter um de seus trabalhos convertido em animação.
“É algo que gostaria muito, mas infelizmente ainda não posso. Demanda muita gente, muito planejamento e muito dinheiro, o que ainda não tenho (risos), mas é algo que tenho sim em mente e um dia eu faço”, comentou Paulo.
Os aplausos vieram quando perguntaram sobre como as pessoas fora do Nordeste compreendiam ou não seu trabalho, nessa parte ele foi categórico: “Enquanto a galera do Nordeste tiver entendendo o que eu fizer, então tá massa”, concluiu Paulo, arrancando aplausos de todos.
Sobre a Bienal
A 11ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas é realizada pela Universidade Federal de Alagoas e pelo governo de Alagoas, com correalização da Fundação Universitária de Desenvolvimento de Extensão e Pesquisa (Fundepes) e patrocínio do Senac e do Sebrae Alagoas.
Sob a curadoria do professor Eraldo Ferraz, diretor da Edufal, o maior evento cultural e literário do estado também tem como parceiros a plataforma de eventos Doity, a rede de Hotéis Ponta Verde, o Sesc, a Prefeitura de Maceió por meio da Secretaria Municipal de Educação (Semed) e o Instituto Federal de Alagoas (Ifal), além das secretarias de Estado da Cultura e Economia Criativa (Secult), de Turismo (Setur) e de Comunicação (Secom) de Alagoas.
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