Em palestra, Lília Schwarcz lota auditório no Centro de Convenções
Antropóloga e historiadora falou sobre seu mais recente livro e interagiu com o público com imagens históricas
Roberto Amorim - jornalista / Jônatas Medeiros - fotógrafo
“Os documentos visuais falam”. Foi com essa afirmação que a historiadora e antropóloga Lilia Moritz Schwarcz iniciou sua palestra na 11ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas, na noite desta terça-feira (4). Sua presença em Maceió fez parte da programação do 9º Encontro Nacional do Núcleo Escravidão e Sociedade na Época Moderna (Nesem), que este ano teve como tema Entre Laços e Heranças: Histórias da África e do Brasil. Houve fila para entrar no auditório, que ficou lotado de pessoas de várias idades.
As falas de Lília seguiram o percurso das reflexões e teorias apresentadas no seu mais recente livro Imagens da branquitude: a Presença da Ausência, lançado pela Companhia das Letras, e vencedor do Prêmio Jabuti 2025. A obra se propõe a ser uma ferramenta antirracista que promove o "letramento racial", incentivando a autorreflexão e a crítica de pessoas brancas sobre seu próprio lugar nesse sistema de poder.
Ela interagiu com o público por meio de exibições e análises de imagens históricas, desde retratos de família do século 19 até propagandas contemporâneas. “Geralmente as imagens estão no anexo ou apêndice dos trabalhos acadêmicos, como se não fossem documentos importantes. Mas estão carregados de informações que sintetizam as relações sociais do momento histórico que foram produzidos”, apontou.
Schwarcz também alertou para a diferença entre “ver” (função biológica) e “enxergar” (opção cultural). “É nessa leitura atenta das imagens que é possível enxergar posições de corpos que falam, enxergar apagamentos e invisibilidades. Daí surgiu o subtítulo do livro: a presença da ausência”, refletiu.
Estudantes e fãs
De forma clara e didática, a historiadora demonstrou como a branquitude, embora onipresente, muitas vezes se manifesta como uma "ausência" - ou seja, “não é vista como um grupo racial específico, mas como o padrão neutro a partir do qual os outros são definidos”.
Entre as dezenas de admiradoras dela estavam na palestra as amigas e estudantes do último ano do ensino médio, Ana Paula e Maria Cíntia. Elas irão fazer o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) nos próximos dias 9 e 16 deste mês. Ambas querem cursar História na Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e estavam ansiosas para conseguir o autógrafo de Schwarcz.
“Eu trouxe o livro que mais gosto dela, Lima Barreto - Triste Visionário. Ela é fantástica como pesquisadora e escritora. A partir das obras dela passei a enxergar a sociedade de outra forma, identificando que muitas histórias contadas sobre o Brasil foram criadas pela classe dominante para continuar no poder”, disse Ana Paula. “Com essas leituras aprendi a ter orgulho de ser uma mulher negra”, completou.
Cabe reforçar ainda que Lília Schwarcz é imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL) e autora de outras obras elogiadas pela crítica especializada e pelo público, tais como Brasil: uma biografia, Sobre o autoritarismo brasileiro e As barbas do imperador e outras.
Sobre a Bienal
A 11ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas é realizada pela Universidade Federal de Alagoas e pelo governo de Alagoas, com correalização da Fundação Universitária de Desenvolvimento de Extensão e Pesquisa (Fundepes) e patrocínio do Senac e do Sebrae Alagoas.
Sob a curadoria do professor Eraldo Ferraz, diretor da Edufal, o maior evento cultural e literário do estado também tem como parceiros a plataforma de eventos Doity, a rede de Hotéis Ponta Verde, o Sesc, a Prefeitura de Maceió por meio da Secretaria Municipal de Educação (Semed) e o Instituto Federal de Alagoas (Ifal), além das secretarias de Estado da Cultura e Economia Criativa (Secult), de Turismo (Setur) e de Comunicação (Secom) de Alagoas.
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