Martha Sales lança livro de poesias e discute escritas de mulheres de axé
Na ocasião, ialorixá e escritora também abordou vivências, narrativas e escritas de mulheres de terreiro
Roberto Amorim - jornalista / Jônatas Medeiros - fotógrafo
Desde o início do segundo semestre deste ano, a ialorixá e escritora Martha Sales percorre vários eventos literários no Brasil para lançar sua nova obra poética, Pé de Tempo. Em Maceió, o lançamento aconteceu na tarde deste domingo (2), durante a 11ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas. Na ocasião, ela conversou sobre orixalidade e literatura de axé, ao abordar vivências, narrativas e escritas de mulheres de terreiro.
Antes de entrar no tema, celebrou os rumos da Bienal em evidenciar a presença africana na constituição do povo brasileiro: “É uma emoção grande participar desse evento literário grandioso conduzido pelas referências culturais, acadêmicas e artísticas da África”, afirmou a também professora, especialista em Antropologia e pós-graduada em Cinema e Linguagem Visual. “Sou sergipana, mas meus pais são alagoanos, o que faz deste momento ainda mais especial”, disse.
Sobre o novo livro, ela explicou que é um recorte específico do que se convencionou chamar de Literatura Afro-Brasileira. Ou seja, de escritos literários especificamente sobre os orixás. “É uma literatura ainda com pouca produção sistemática. A maioria dessa literatura está registrada nas letras de capoeira, de sambas, dos grupos de jongo. Uma literatura que tem força e tradição na oralidade”, contou.
Mulheres de Axé
Ao ler a poesia Chão de Terreiro, ela explicou que o orixá Tempo (Iroko) é o fio condutor de todas as narrativas e a palavra tempo está presente em todas as poesias que compõem o segundo livro de poesia. O primeiro, Okum D’Orin, nasceu em 2024 e trata da sonoridade das águas do mar sagrado. Seus livros são considerados uma experiência estética e sensorial com as artes visuais.
“Para as mulheres e homens de axé a relação com o tempo é outro, é ancestral. Quando essa percepção é transformada em literatura, transmitimos um outro modo de viver os diversos aspectos da vida cotidiana”, ressaltou a escritora, que percebeu o aumento de narrativas escritas de mulheres negras de terreiro.
Ainda segundo ela, o mercado editorial é um constante campo de disputa de poder, que precisa ser ocupado, também, por mulheres negras de axé e suas vivências sobre o cotidiano, não apenas pelo viés religioso, mas também na música, teatro e audiovisual. “Essas mulheres precisam sair da invisibilidade e ocupar seus espaços de fala”, reforçou a ialorixá, que está finalizando o primeiro livro infantil.
Sobre a Bienal
A 11ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas é realizada pela Universidade Federal de Alagoas e pelo governo de Alagoas, com correalização da Fundação Universitária de Desenvolvimento de Extensão e Pesquisa (Fundepes) e patrocínio do Senac e do Sebrae Alagoas.
Sob a curadoria do professor Eraldo Ferraz, diretor da Edufal, o maior evento cultural e literário do estado também tem como parceiros a plataforma de eventos Doity, a rede de Hotéis Ponta Verde, o Sesc, a Prefeitura de Maceió por meio da Secretaria Municipal da Educação (Semed) e o Instituto Federal de Alagoas (Ifal), além das secretarias de Estado da Cultura e Economia Criativa (Secult), de Turismo (Setur) e de Comunicação (Secom) de Alagoas.
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