Oficina ressalta o poder da pausa e do autocuidado
Respirar, gerenciar o tempo e ter clareza sobre si facilita o caminhar diante de um mundo hiperconectado
Kamylla Lima – jornalista / Jônatas Medeiros – fotógrafo
“O autocuidado é uma prática que se vai aprendendo.” A afirmação de André Miranda, psicólogo organizacional, traz à reflexão muitos aspectos sobre a vida hiperconectada, focada em performance e resultado. Num mundo em que estar ocupado virou status, a pausa foi o foco de uma oficina sobre saúde mental realizada nesta terça-feira (4), durante a 11ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas. Na ocasião, o poder da pausa e as estratégias de autorregulação – especialmente no uso excessivo de dispositivos eletrônicos, como o celular – permearam os debates, realizados na Sala Pitanga, no Centro de Exposições.
Durante a oficina, o grupo deixou as distrações de lado e começou com um exercício de respiração conduzido por Anderson Pereira, médico do trabalho. Ao som de Paciência, de Lenine, os participantes inspiraram e expiraram, expandindo a mente e acalmando o corpo. “A gente pode aproveitar o dom que tem e fazer o melhor pelas pessoas. É sempre momento de promover a paz e o bem, evitando brigas por bobagens”, destacou André.
Autocuidado e responsabilidade no cuidado com a mente
Os participantes foram convidados a refletir sobre o autocuidado, o descanso e o autoconhecimento. Utilizando a analogia da mão, o grupo definiu direcionamentos pessoais a partir de cada dedo: manter, focar, parar, comprometer e divertir. A partir dessa base, cada um escreveu, de forma individual, os aspectos da vida que gostaria de mudar, abdicar ou aprimorar e o debate ganhou força com a troca de experiências e o compartilhamento de desafios do cotidiano — entre eles, o uso das redes sociais, o consumo excessivo e as pressões da vida moderna.
Foi quando o professor de Matemática, Wesley Oliveira, trouxe uma reflexão sobre o papel do celular nesse contexto: “É preciso saber usar e regular. Mas o que me pergunto é: ‘como podemos ensinar isso, principalmente aos jovens?’ As gerações até os millennials viveram parte da vida sem o aparelho, mas essa nova geração já nasceu mergulhada no digital. Para eles, o celular também é um ambiente de pausa — algo que os mais velhos nem sempre compreendem”, observou.
Ao longo da atividade, André Miranda reforçou a importância da responsabilidade individual no cuidado com a mente e o corpo. “A gente não pode terceirizar a nossa sobrevivência. Muitas vezes achamos que é o outro que vai nos ensinar a viver melhor, mas não é assim. A mudança comportamental não surge do nada. Problemas vão acontecer — e isso não é pessimismo. É realidade. O que precisamos pensar é: como temos cuidado de nós mesmos?”, pontuou o psicólogo.
Outras informações
Para encerrar, Cristiane Oliveira, enfermeira do trabalho, apresentou o catálogo de serviços voltado aos servidores da Ufal, que será lançado em breve. A palestra e o material foram produzidos pela equipe do Subsistema Integrado de Atenção à Saúde do Servidor Público (Siass), da Coordenação de Qualidade de Vida no Trabalho (CQVT) da Pró-reitoria de Gestão de Pessoas e do Trabalho (Progep) da Ufal.
Sobre a Bienal
A 11ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas é realizada pela Universidade Federal de Alagoas e pelo governo de Alagoas, com correalização da Fundação Universitária de Desenvolvimento de Extensão e Pesquisa (Fundepes) e patrocínio do Senac e do Sebrae Alagoas.
Sob a curadoria do professor Eraldo Ferraz, diretor da Edufal, o maior evento cultural e literário do estado também tem como parceiros a plataforma de eventos Doity, a rede de Hotéis Ponta Verde, o Sesc, a Prefeitura de Maceió por meio da Secretaria Municipal de Educação (Semed) e o Instituto Federal de Alagoas (Ifal), além das secretarias de Estado da Cultura e Economia Criativa (Secult), de Turismo (Setur) e de Comunicação (Secom) de Alagoas.
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