Vida e obra de Sávio de Almeida ganham documentário
A História Escrita no Chão, do diretor Carlos Pronzato, homenageia pensador e pesquisador alagoano morto em 2023
Roberto Amorim - jornalista / Adriano Arantos - fotógrafo
A vida e a obra do pensador e professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Luiz Sávio de Almeida, foram revisitadas do documentário A História Escrita no Chão, de Carlos Pronzato. A exibição aconteceu na noite do último sábado (8) durante a programação da 11ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas.
Na plateia estavam a viúva, Myriam Almeida, diversos amigos, ex-alunos e o vice-governador de Alagoas, Ronaldo Lessa, que tinha profunda admiração pelo historiador, que não apenas deixou um admirável legado teórico, como também era engajado nos movimentos sociais que estudava, como os indígenas, negros e LGBTQIA+.
“Sávio de Almeida é um grande patrimônio intelectual e humano que Alagoas deve sempre se orgulhar. Ele é certeiro nas suas análises e coerente com seus princípios, não estava preocupado com modismos ou formalismo. Seu compromisso era o estudo e o combate às desigualdades sociais”, disse Ronaldo Lessa.
Com duração de 90 minutos e em tom etnográfico, o documentário remonta partes importantes de Sávio de Almeida a partir da fala de 26 pessoas que conviveram diretamente com ele: “Estamos fazendo uma pré-estreia aqui na Bienal para apresentar os primeiros resultados do nosso trabalho, mas o filme ainda está em construção. É uma narrativa longa com cunho de registro histórico”, explicou o diretor Pronzato.
Segundo ele, seu trabalho audiovisual é focado justamente em não deixar cair no esquecimento personalidades importantes como o professor Sávio, morto em fevereiro de 2023 aos 80 anos: “As novas gerações devem sempre saber, em profundidade, a imensa contribuição dele para Alagoas”, contou.
Quebra de paradigmas
Sávio de Almeida foi pioneiro ao integrar a história com a sociologia e a etnologia, superando o tradicional memorialismo local. Isso permitiu uma análise mais profunda e científica dos processos sociais e históricos do estado. Ele ofereceu novas perspectivas sobre a formação histórica de Alagoas, abordando temas como escravidão, movimentos populares e a vida das camadas mais marginalizadas, que muitas vezes passavam despercebidas na historiografia tradicionalista.
Como professor emérito da Ufal, sua influência transcendeu seus livros. Sávio formou e inspirou inúmeras gerações de historiadores, pesquisadores e intelectuais em diversas áreas, que continuam a desenvolver os caminhos por ele abertos. Sua produção intelectual não se limitou a livros acadêmicos; ele também escreveu peças de teatro e atuou no jornalismo, demonstrando um amplo espectro de contribuições culturais.
Sobre a Bienal
A 11ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas é realizada pela Universidade Federal de Alagoas e pelo governo de Alagoas, com correalização da Fundação Universitária de Desenvolvimento de Extensão e Pesquisa (Fundepes) e patrocínio do Senac e do Sebrae Alagoas.
Sob a curadoria do professor Eraldo Ferraz, diretor da Edufal, o maior evento cultural e literário do estado também tem como parceiros a plataforma de eventos Doity, a rede de Hotéis Ponta Verde, o Sesc, a Prefeitura de Maceió por meio da Secretaria Municipal de Educação (Semed) e o Instituto Federal de Alagoas (Ifal), além das secretarias de Estado da Cultura e Economia Criativa (Secult), de Turismo (Setur) e de Comunicação (Secom) de Alagoas.
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